Como diz o velho Bukowski na décima sexta página do seu último livro (Pulp): “O inferno era o que a gente fazia dele”.
Passamos por uma pandemia. Uma dualidade política que dividiu famílias. A desilusão do hexa. A falta de medicamentos e o atraso nos pagamentos. O aumento da inflação e do dólar que diminui nosso poder de compra. Isso em um cenário macro, foram diversas micro crises em nossas amizades, famílias e relacionamentos. Lutas pessoais contra problemas mentais, físicos e financeiros. Lidamos com grandes mudanças, lutos e infortúnios.
Entretanto continuamos aqui, e podemos rir de todas as vezes que pensávamos que não aguentaríamos mais, pois aguentamos. Fomos tão fortes quanto foi preciso e nos provamos para quem duvidava e principalmente para nós mesmos. Afinal o ano não foram só misérias, conquistamos novos cargos, itens que ansiávamos a tempo, a coragem de mudar o de emprego, o corte de cabelo, de fazer aquela tatuagem que adiamos por anos ou de falar o que guardamos no amago de nosso ser. Nos tornamos mais nós mesmos e nos conhecemos melhor. Entendemos um pouco do que não mais queremos em nossas vidas, nossos círculos e nosso futuro.
Agora é a hora de absorvermos os erros e acertos do ciclo passado, refletirmos, nos planejarmos e organizarmos para o próximo, pois é para isso que criamos a noção do tempo, organização social e pessoal. Que sejamos mais fortes e inteligentes do que fomos ontem e mais burros e despreparados do que seremos amanhã.
Espero que saibam que nunca é tarde demais para começar tudo de novo, e que apesar de todas as eventualidades que ocorreram durante sua jornada, você é quem a percorre e quem escolhe para onde ela prosseguirá. Eu apenas posso lhe desejar boa sorte.