No último dia quatro, ocorreu nas dependências do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font a Oficina "O Arquivo Histórico de Erechim como Espaço de Pesquisa do curso de História da UFFS: Aprofundando Relações" que faz parte da programação da X Semana Acadêmica do Curso de História da UFFS – O Papel do Historiador em Tempos de Negacionismo: História Pública e divulgação Científica.
Na ocasião, foram abordados elementos por este escriba, como a construção do acervo do Arquivo Histórico (Fundos Públicos, Fundos Privados e Fundos Mistos), a sua compreensão enquanto espaço de memória nas palavras de Nora 1997) “Toda unidade significativa, de ordem material ou ideal, que a vontade dos homens ou o trabalho do tempo converteu em elemento simbólico do patrimônio memorial de uma comunidade qualquer”, a constituição de narrativas oficiais e seus silenciamentos, as novas visões dos processos históricos. Na sequência, fora realizada uma atividade prática por meio de manuseio de fontes primárias.
Sobremaneira, buscamos partir da concepção de que o conhecimento “deve ser visto como plural e plástico, uma forma dinâmica e continuamente emergente, capaz de exibir tantas racionalidades quantas forem exigidas pela infinita variedade de situações socioculturais que caracterizam a experiência humana” (Jovchelovitch, 2000, p.63), compreender de que maneira as narrativas oficiais se consolidam e de que forma os contrapontos podem ser construídos.
O ponto de inflexão é, quando passamos a questionar a perspectiva da história tradicional, que “oferece uma visão de cima, no sentido que tem sempre se concentrada nos grandes feitos dos grandes homens, estadistas, generais ou ocasionalmente eclesiásticos. Ao resto da humanidade foi destinado um papel secundário no drama da história” (BURKE, 1992, p. 12). A constituição e a análise dos “novos” atores sociais permite a discussão das estratificações sociais, das narrativas e de suas representações.
A utilização dos jornais enquanto fonte de análise durante a atividade possibilitou aos participantes analisarem os periódicos, escolher um Jornal e detalhar os elementos contidos na Notícia, como a Manchete, a data, a sinopse (Assunto, data, horário e local quando não é coluna de opinião, posicionamento – pró ou contra e seu respectivo argumento), autor e sua formação, para enfim tecer as impressões de leitura. Foram escolhidos anos com acontecimentos marcantes (normalmente contidos nos livros didáticos), para ver se estes fatos seriam os escolhidos ou não. Após a socialização dos resultados, percebemos que nenhuma das notícias escolhidas eram vinculadas aos acontecimentos “famosos”.
Portanto, a abordagem proposta não anula as produções que consolidam estratificações sociais, das narrativas e de suas representações (monumentalidades), mas traz para o diálogo todos os outros elementos que foram silenciados, relativizados na tentativa de varrê-los das páginas da história, para construir um conhecimento plural. A historicização dos processos permite erigir novas trajetórias e novas narrativas para a construção de contrapontos capazes de acessibilizar o debate e combater a onda de desinformação, o negacionismo e os silenciamentos.
Referências
BURKE, Peter. A escrita da história. Unesp, 1992.
JOVCHELOVITCH, Sandra. Representações sociais e espaço público: a construção simbólica dos espaços públicos no Brasil [Social representations and public life: the symbolic construction of public spaces in Brazil]. Vozes, 2000.
NORA, Pierre. Les lieux de mémoire. Paris: Gallimard, 1997.