Machado de Assis, em seu livro Quincas Borba, conta a famosa historinha (resumindo) – duas tribos famintas disputam um campo de batatas. Nessa guerra só uma tribo é vencedora. E para ela, como vencedora, as batatas!
O atual prefeito municipal também é um vencedor. Tem lutado bravamente contra um inimigo que lhe atravessa o caminho, há tempos. Nos seus dois primeiros mandatos, não mediu esforço nem coragem para destruir um grupo verde chamado matas nativas. Extraído esse grupo, em seu lugar, criou loteamentos...
Neste atual mandato não esqueceu sua batalha gloriosa de tempos atrás contra o mesmo inimigo – o reino vegetal. Para isso, criou um Projeto de Lei Nº. 6.991/2021 para leiloar 81 áreas verdes de Erexim. Este projeto foi suspenso por iniciativa do grupo Natureza é Vida, junto ao Ministério Público, por conter irregularidades ambientais.
E, eis que, com o desprendimento audacioso que lhe é peculiar, neste âmbito, apontou suas armas agora para um “grande” inimigo de apenas 24 hectares, de codinome Parque Longines Malinowski. Este inimigo, como os anteriores, não apresentou defesa, o que permitiu ao senhor Alcaide invadir este território, fincando sua bandeira de vencedor. Este pequeno território por um “descuido” da Lei Federal, foi classificado como área de reserva ambiental e com a proibição de erigir construções em seu interior.
E ao arrepio desta lei, eis que o tal do projeto de transformar este reduto verde numa praça, infelizmente, já está em andamento. Aliás, desde suas gestões anteriores. A saber: - um parquinho infantil; - uma área para atividades físicas; - e as inapropriadas churrasqueiras populares.
Agora, a etapa final, com pavimentação de trilhas, quatro terraços de madeira (decks), a construção de um mirante para “observar a copa das árvores”. Ah! E um “centro de convivência”, que seria o quê? O prefeito procura um parceiro ou parceiros para “colaborar” com 5 milhões de reais que é o custo deste mirante.
Esse parceiro e/ou parceiros teriam a sã consciência de um gasto nestes tempos difíceis de grande inflação, desequilíbrio econômico e de um período pré-eleitoral de certa instabilidade, seria indicado financiar uma obra completamente desnecessária?
Numa linda festa promovida pela Academia Erechinense de Letras em abril próximo passado, o Sr. Prefeito lá esteve como convidado pelo posto que ocupa no governo municipal. Em seu discurso afirmou que não tem o hábito de ler. Ah! Então seria a explicação para suas campanhas contra o meio ambiente. É uma pena, pois com tanta informação que temos diariamente nos jornais, revistas, livros e até nas redes sociais “as sérias”, saberia que cientistas e países do primeiro mundo têm se reunido para encontrar e pôr em prática, soluções contra o desequilíbrio climático, pelo desmatamento das nossas florestas entre outras causas que estão colocando em perigo a sobrevivência do ser humano no planeta.
“A vitória de uma das tribos provoca hinos, alegrias e outros efeitos das ações bélicas [...]. Essas demonstrações revelam que o homem comemora aquilo que lhe é vantajoso ou aprazível, ainda que isso implique a ruína dos outros” (Ana Maria Lisboa Mello, professora de literatura brasileira).
Em tempo: Acaba de ser sancionado o Projeto de Lei que estabelece o objetivo de colocar a leitura como prioridade na Educação Básica.