Nestes tempos pré-eleitorais de ódios e desrespeito, certos comentários que tenho lido, ouvido e visto são tão tóxicos que precisamos de terapia para quem, como eu, não pertenço a estes sentimentos.
Há um tempinho tento engolir um nó que teima em arranhar minha garganta desde que fui enquadrada no círculo do mal. (Assim como milhares de brasileiros).
Este “mal” está em mim e não desce nem sobre perturbando minha paz. Procurei alívio no sal de frutas, no chá de camomila, relendo os livros de Lucinda Riley, em reportagens sobre a Amazônia, assistindo Tom e Jerry... enfim, tentado aliviar este incômodo de forma civilizada e, nada!
Procurei ir mais a fundo na questão, pesquisei e achei um texto de Fernando Schüler, cientista político que escreveu sobre o tal do WOKE e bingo! Achei a autoria deste incômodo – um braço caipira deste esquadrão chamado Woke (ou Wake), vocábulo inglês que, resumindo, quer dizer vigilância. São tão perigosos que ... (fica para a próxima).
Então resolvi por para fora este dito incômodo e eis-me aqui regurgitando, pois chegou a hora do “meu” direito de defesa.
Falo do fanático, este ser que acha que só o que diz e faz é o certo. É um ser cuja catarata não o deixa ver o lado racional, nem o do bom senso; coloca os que não o aplaudem do lado esquerdo, do lado sombrio do “mal”.
Se eu não participo da motociata, da carreata do seu candidato, eu sou do “mal”, pois não sou dotada de civismo, nem de cidadania.
Se eu não sou de sua religião, sou do “mal”.
Sou do lado esquerdo do seu deus.
Se eu não tenho religião nenhuma, sou do “mal”. Se eu não aceito que religiosos tentem governar meu País, sou do “mal”.
Se eu não acho que o presidente da república seja um enviado de seu Deus por ter seu nome Messias, sou do “mal.
Se aceito a diversidade de gênero, o direito ao aborto, se defendo a menina de 11 anos estuprada e grávida de abortar, sou do “mal”.
Se eu defendo a laicidade da Constituição, a legitimidade das Instituições Democráticas, o Estado de Direito, o voto digital, sou do “mal”.
Se não aprovo a legislação que dá direito ao cidadão portar armas... se condeno as guerras, a corrupção, o desleixo ao meio ambiente, então sou do “mal”.
É isso? Então, de fato sou o “mal”, mas me considero um “mal” necessário.
E desejo que este “mal” seja bem mais comum entre os seres lúcidos e responsáveis, que amam e respeitam seu próximo, seu País e pratiquem a caridade com os mais necessitados em QUALQUER ÁREA humana.
Ufffaa! Se foi o nozinho e estou em paz! Obrigada ao leitor e a leitora por me ouvir.