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Opinião

De Paiol Grande a Erechim

Considerações sobre o lembrar e o esquecer

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Arquivo pessoal

Na edição de 26,27 e 28 de junho de 2021 escrevi a coluna “Gladiadores de Pena”, onde abordei os debates entre Basilio Tambougi, Pe. Raimundo Damin, Rev. Conego Comassetto e Ely Carlos Petry, que começaram com uma nota de desagravo do primeiro ao clero local tendo em vista o episódio no Cine Luz (atual loja Renner) em 06/06/57, que ocorreu uma manifestação contra a peça de teatro da Companhia de Comedia Mil-ton Carneiro que estava em cartaz na cidade. Na ocasião fora abordado os desdobramentos da “troca de gentilezas” na página do jornal local e como as redes sociais tinham tomado o lugar e banalizado estes debates.

Após esse preâmbulo, permito-me retornar à uma temática que já tecemos várias considerações, o binômio lembrar x esquecer. Em um cenário cujas redes sociais dão a tônica do modus operandi e modus vivendi, esse processo ganha uma nova perspectiva, aos moldes de 1984 de George Orwell, amigos de hoje podem ser os inimigos de amanhã e vice e versa.

A análise do que lembrar e do que esquecer é um exercício subjetivo, pois parte da experienciação individual. A grosso modo, a interpretação ocorre a partir das vivências de cada indivíduo, de maneira que um mesmo fato pode ser entendido / contextualizado / explicado de infinitas formas. A questão principal quando se está em um espaço como o Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font, são as diretrizes que nortea-rão o trabalho. Em suma, escolher entre fazer “mais do mesmo” ou abrir espaço para novas trajetórias, novos autores sociais e novas perspectivas.

Optamos pela segunda vertente, tendo em vista que a História Cultural “tem permitido precisamente o estabelecimento de um novo olhar sobre objetos que habitualmente têm sido beneficiados por um tratamento historiográfico econômico, político ou demográfico. Sua expansão, por conseguinte, vai muito além dos objetos e processos habitualmente tidos por culturais, de modo que é sempre oportuno enfatizar como a História Cultural tem se oferecido cada vez mais como campo historiográfico aberto a novas conexões com outras modalidades historiográficas e campos de saber, ao mesmo tempo em que tem proporcionado aos historiadores um rico espaço para a formulação conceitual” (BARROS, 2011, p. 60).

Essa abordagem tem se tornado frequente nos estudos historiográficos a cerca de meio século, afinal o processo de ruptura da tendência em que apenas a história oficial dos grandes homens era aceita nos possibilitou a inserção de novas personagens e elementos que explicam os fatos históricos. A “história a contrapelo” é mais complexa e problematizadora que a história oficial.

De maneira, que insisto na premissa que uma não anula a outra, elas podem ser complementares, ampliando o escopo teórico sobre determinado fato ou assunto. E isso se aplica a história de Erechim, trazer à tona novas personagens, é um exercício de uma “história a contrapelo”, e isso não desconstrói necessariamente o que já fora produzido sobre outras figuras que estão inseridas na história oficial de Erechim.

Referências

BARROS, José D.’Assunção. A Nova História Cultural–considerações sobre o seu universo conceitual e seus diálogos com outros campos históricos. Cadernos de História, v. 12, n. 16, p. 38-63, 2011.

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