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Opinião

Chegou a vez das florestas para amenizar as mudanças climáticas (Parte I)

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Roberto Ferron
Por Roberto Ferron - Engenheiro Florestal e Consultor Florestal e Ambiental
Foto Ilustrativa

A incredulidade nas mudanças climáticas tão propaladas a anos atrás, tornam-se realidade, e vem estão acontecendo ano a ano, seja nas temperaturas extremas (frio e calor) nos continentes, seja nas suas consequências, como as grandes nevascas, queimadas, inundações, secas, mundo afora. Neste momento no Brasil, vivemos duas situações antagônicas, a forte seca nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e  Paraná que dizimam as plantações, e as intensas chuvas e inundações dramáticas na Bahia e Minas Gerais.

Os países desenvolvidos, grandes poluidores mundiais relutam para admitir os graves problemas ambientais decorrentes da industrialização a “qualquer preço”, mesmo com as consequências adversas na área social e econômica, que tem causado perdas anuais de bilhões de dólares.

 Embora muitas conferencias sobre mudanças climáticas já ocorreram, como Rio 92, acordos como de Kyoto, entre outros, com poucas ações governamentais surtiram efeito significativo.

No ano passado este cenário mudou um pouco, já que o setor financeiro vem pressionando empresas e governos a adotarem novas práticas, forçando os investidores a se debruçarem sobre a agenda ambiental, a fim de quantificar os potenciais riscos climáticos e ambientais dos projetos que financiam.

Novas rodadas de negociações e compromissos foram anunciados na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 26), realizada em agosto do ano passado em Glasgow, e no Acordo de Paris, tendo como principal compromisso dos países alcançar o teto de menos 2 graus Celsius no aquecimento global.

E o Brasil como signatário dos acordos, desde seu início, desta vez “não foi mero expectador para levar saraivada de críticas e pancadas, especialmente dos países europeus, como França e Alemanha; e contra-atacou mostrando o quanto preservamos de florestas nativas, quanto temos de florestas plantadas, e quanto a legislação evolui na proteção ambiental, e nas novas tecnologias adotadas pelo agro brasileiro, como plantio direto, sistemas de integração lavoura pecuária e florestas. A bem da verdade, “somos exemplo para o mundo”, e “teríamos muito crédito em haver”. Vide a Política Nacional de Mudança do Clima, Programa Nacional de Crescimento Verde, Plano ABC (agricultura de baixo emissão de carbono), Programa Floresta + Agro.

Felipe Bittencourt, sócio-fundador e CEO da WayCarbon, empresa especializada em desenvolver projetos na área de créditos de Carbono diz que: nos próximos cinco anos, “o Brasil será o celeiro mundial de créditos de redução de carbono, serão bilhões de dólares voltados para a restauração florestal”. Esclarece que “para cada crédito equivale a uma tonelada de carbono que deixou de ser lançada ou que foi retirada da atmosfera”.

Bittencourt lembra que em 2009, a WayCarbon chegou a negociar cada crédito de carbono por 23 euros por tonelada. Com a crise da Europa, nos anos seguintes, a cotação caiu para a casa dos centavos de euro. Contudo, hoje “o mercado de carbono vive uma retomada, estimulado pelo Acordo de Paris, a pressão de investidores internacionais e a adesão crescente das empresas. Além do mercado global, regulado pela Organização das Nações Unidas (ONU), há 64 mercados regionais ou nacionais em que é possível comprar e vender créditos de carbono. Os países ricos não são os únicos a participarem, Nações com um PIB intermediário, ou até mesmo pequeno, como México, Colômbia e Cazaquistão, já implantaram mercados nacionais regulados. O mercado voluntário vem crescendo, e mais do que duplicou de tamanho, de um ano para outro, em volume comercializado”.

O Acordo de Paris trouxe possibilidade de se criar incentivos econômicos para que as empresas e governos adotem práticas ambientalmente mais saudáveis, reduzindo a emissão de gases de efeito-estufa, como o metano e o dióxido de carbono, ou que retirem do ar esses poluentes, é uma estratégia em que todos ganham – inclusive, financeiramente.

Adequando-se ao Acordo, o Governo Brasileiro lançou recentemente legislação especifica que passa a regular as negociações de “compensação ambiental, pagamento por serviços ambientais, e créditos de carbono”, possibilitando também que os proprietários rurais, sejam agricultores, silvicultores, pecuaristas, entre outros, e até aqueles que preservaram suas florestas, banhados, fontes de água, possam fazer parte deste mercado.

Finalmente, depois de duas décadas de espera, surge uma luz no fim do túnel a quem preservou ou conservou suas matas nativas, ou investiu no reflorestamento, pois é nas árvores que ocorre a estocagem ou sequestro do Carbono circulante no ar.  

 

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