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Opinião

A máquina de escrever voltando

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Valdecir Moschetta
Por Valdecir Moschetta
Foto Arquivo/BD

O Brasil pretende retornar à época da máquina de datilografia. Se for pela vontade do presidente do Brasil, Senhor Jair Bolsonaro, tal fato deve ocorrer no ano que vem.

Após vinte e cinco anos de realizações de eleições com urnas eletrônicas, retroagir para o voto impresso, como deseja o presidente e, ainda, sob grosseiras ameaças, representa um retrocesso que quaisquer pessoas de mediano conhecimento sabe ser um blefe para, antecipadamente, justificar a eventual derrota que poderá ter nas urnas, em 2022.

Também, pelas parcas qualificações do presidente, não soaria estranho ele pretender o voto impresso, até pelo fato de o mesmo e, certamente, não saber diferenciar uma máquina de datilografia com um outro equipamento mais sofisticado, como um computador. Afinal, o presidente nunca foi afeito ao trabalho e a produção.

Justiça seja feita, o presidente é especialista em palavrões. Não ousem contrariá-lo. Semana passada ele foi convidado a responder umas perguntas, elaboradas pela Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado Federal e, ao invés de informá-los sobre o solicitado ou, silenciar, achou por bem somente defecar. Disse: “caguei” para a CPI. Este é o nosso presidente, uma cagada seguida de outras.

Enquanto isto, a sociedade brasileira, mais precisamente os menos aquinhoados, andam deprimidos; cabisbaixos; desolados e; angustiados; com suas situações familiares. Os desempregados chegam a 14,8 milhões; os desalentados alcançam 6 milhões, estes que desistiram de procurar trabalho devido às condições estruturais de mercado; os subutilizados atingem a marca de 33 milhões de pessoas no Brasil, que são aqueles desocupados por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial. Isto tudo de um universo de 100,3 milhões de pessoas com capacidade ativa de trabalhar no Brasil. Desta forma fica fácil se concluir que menos da metade da força de trabalho, está efetivamente ocupada, o que é um indicador grave.

Além da falta de postos de trabalho, no Brasil temos uma inflação que volta a se apresentar perversa, principalmente, para os de menor poder aquisitivo, onde compram cada vez menos com seus salários. É adentrar em um supermercado para constatar o fato.

A gasolina; o gás de cozinha; os reajustes de alugueis; são outros componentes que, pelos seus elevados valores, estão a prejudicar a dignidade humana.

Desta forma resta uma indagação: o que teria melhorado no Brasil, neste governo? Uns, certamente, indicarão a redução da corrupção. Pode ser que sim; como pode ser que não. Afinal, em recente pesquisa, a sociedade acredita que no atual governo também tenha corrupção. Porém, mesmo que tenha havido redução da corrupção, o que é algo elogiável, não é o suficiente para se dizer que um governo está indo bem na sua gestão. Necessário muito mais. O fato que a sociedade menos favorecida está em piores situações agora à outras épocas. Assim, resta evidente e cristalino que o atual governo não conseguiu e não consegue, dar melhor qualidade de vida àqueles que, efetivamente, necessitam, ou seja, os 53,8 milhões de brasileiros que precisariam, mas não conseguem, empregar todo seu potencial de trabalho para dar uma vida melhor aos seus.

No mais, o presidente Senhor Jair Bolsonaro possui na sua agenda outras preocupações que, não com aqueles da classe menos favorecida. A preocupação do presidente é qual partido irá integrar para o próximo pleito eleitoral de 2022. Bolsonaro passou por 8 (oito) partidos até agora: PDC; PPR; PPB; PTB; PFL; PP; PSC; PSL, e está à procura de outro. Quem passa por tantos partidos demonstra não ter personalidade política, isto é, não possui caráter ideológico ou, então, os partidos políticos são semelhantes na doutrina de seus estatutos.

E, muito recentemente, o Senador Flávio Bolsonaro, em convenção do partido PATRIOTA, informou que seu pai presidente também entraria naquele partido. Houve um revés, onde o Tribunal Superior Eleitoral, teria decidido não ser válida referida convenção partidária.

Já que a base do governo Bolsonaro no congresso aprovou um aumento do Fundo Partidário de 2 bilhões de reais para 5,7 bilhões de reais, para ano que vem -aumento de 185%-, eu pensei em criar um partido político, já que parece não necessitar de ideologias. O negócio é avaliar somente a conveniência e a oportunidade. Ponto e pronto. Eu criaria o PRX. Partido das RaXadinhas, pelo simples fato de ser um nome simpático e com bastante divulgação na mídia, nos últimos tempos. Nem sei o que significa RaXadinhas, no entanto, nasceríamos conhecidos. E, pelo volume de dinheiro que os partidos políticos terão no ano que vem, eu me reservaria o direito de ser o presidente nacional do novo partido, para bem e melhor administrar uns poucos de “milhões de reais”. E, de início, convidaria o Senador Flávio Bolsonaro para se filiar e que, certamente, atrairia mais pessoas suas e, próximas. Aumento de 185% no fundo eleitora, onde os partidos políticos usarão o dinheiro do povo para fazer campanhas, enquanto milhões de brasileiros passando por extremas dificuldades. Brasília é uma festa. Não sei até quando.

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