A vacinação contra à covid-19 vai avançando, aos poucos, no Alto Uruguai, e conforme este processo vai se desenvolvendo, sempre surgem dúvidas a respeito da imunização. Assim, o Jornal Bom Dia reedita matéria publicada, sobre este assunto, com o professor e pesquisador, Odir Dellagostin, natural de Aratiba, que trabalha há muitos anos com desenvolvimento de vacinas. Ele explica que a ciência já ensinou que só se combate doenças infecciosas com a imunização das pessoas.
Forma mais eficaz
Segundo Odir, a vacinação é a forma mais eficaz de controlar as doenças infecciosas e, por isso, é importante as pessoas se vacinarem. O aratibense é professor titular da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), trabalha há muitos anos com pesquisa e desenvolvimento de vacinas. E, atualmente, é presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), integrante do comitê científico que assessora o governo do Estado e da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
Tecnologia
O cientista explica que as duas vacinas usam tecnologias diferentes para serem produzidas. “A Coronavac, que está sendo produzida pelo Butantan, é uma vacina convencional, ou seja, é constituída pelo próprio vírus que causa a covid-19. No entanto, o vírus morto (inativado). Portanto, a vacina não tem risco nenhum de causar a doença nas pessoas porque está morto. O vírus em contato com o sistema imune é capaz de induzir a produção de anticorpos e consegue proteger a pessoa”, explica.
No caso da vacina de Oxford, observa Odir, é bem diferente, é uma vacina recombinante, transgênica, produzida usando outro vírus, chamado de adenovírus, e que causa resfriado em chimpanzé e não em humanos. “Esse vírus não se replica em humanos, não causa nenhum problema, e é destruído pelo organismo”, diz.
Efeitos colaterais
O pesquisador ressalta que as vacinas, em geral, sempre têm algum efeito, uma dor que dura dois dias, um pouco de febre, mas são efeitos esperados, normais, e que não vão aparecer em todas as pessoas. Algumas pessoas não sentem nada e outras têm esses efeitos colaterais esperados. E, acrescenta, os efeitos colaterais inesperados são muito raros e podem acontecer em pessoas que tem hipersensibilidade a algum componente da vacina.
Anvisa
Conforme o cientista, se foi aprovado pela Anvisa a população deve confiar porque é seguro.
CTNBio
Ele explica que a população pode confiar nos técnicos, cientistas e nas agências reguladoras, porque lá tem pessoas qualificadas que analisam e entendem do assunto.
No caso da vacina de Oxford, como é um organismo geneticamente modificado, além da Anvisa, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) também analisou a vacina. “Essa comissão é constituída de especialistas em engenharia genética e eu faço parte desta comissão. Sou um dos 27 membros titulares do CTNBio, que analisa, desde plantas transgênicas, até micro-organismos e vacinas. O que for transgênico passa pela comissão, que dá o carimbo de segurança com relação ao organismo geneticamente modificado”, destaca.
Contudo, ele comenta que a CTNBio não analisa a eficácia da vacina, mas somente se há algum risco de que o organismo geneticamente modificado venha a causar problemas às pessoas.
Quem não pode tomar a vacina
Ele afirma que não podem tomar a vacina as pessoas que têm alguma reação alérgica contra algum componente da vacina. “E, normalmente, quem tem já sabe. As pessoas que têm problemas de alergia, muito grave, já andam com anti-histamínico no bolso. De modo geral, não tem risco e todo mundo pode se vacinar”, salienta.
Notícias falsas
O professor-pesquisador, que faz parte do grupo de elite de cientistas brasileiros ressalta que não é perigoso se vacinar e que ela não pode causar mutações.