A área da saúde vivencia um período desafiador ao extremo. Em meio às inseguranças e expectativas que envolvem a pandemia causada pelo Coronavírus, uma epidemia de dengue, torna esse cenário ainda mais preocupante.
Trata-se de uma doença febril, aguda, de etiologia viral e com evolução benigna na forma clássica e grave na forma hemorrágica. A dengue é, atualmente, a mais importante doença transmitida por artrópodes (mosquitos que afetam o homem e constitui-se um sério problema de saúde pública no mundo, especialmente em países tropicais, onde as condições de meio ambiente favorecem o desenvolvimento e a proliferação do Aedes aegypti, principal mosquito vetor).
A mais recente atualização do departamento de Vigilância em Saúde de Erechim, na segunda-feira (26), informou que o município já registrou 2.190 notificações relacionadas à dengue, sendo que, destas, 797 resultaram em testes positivos; 470 negativos e também já houve um óbito por complicações da doença.
O número de notificações se espalha, ainda, por vários outros municípios da região Alto Uruguai. Uma fase delicada e que exige atenção redobrada de todos para evitar complicações à saúde e bem-estar da coletividade.
Um aspecto que chama a atenção da maioria das pessoas, é referente aos sintomas e o momento ideal para procurar o serviço de saúde para realizar o exame. A razão é que a covid-19 e a dengue são duas doenças virais e por isso, alguns sinais são semelhantes. Porém, vale o alerta sobre a importância da orientação profissional, que irá esclarecer sobre as condutas que precisam ser adotadas.
Para auxiliar nesse processo, a reportagem do Bom Dia buscou mais informações com dois especialistas. Confira a seguir!

Sobre os exames
O médico infectologista de Erechim, cooperado da Unimed, Vanderlei Madalozzo, explica que, no caso do exame para detecção da covid-19, pode resultar positivo entre o primeiro e o sétimo dia do início dos sintomas. Já no que se refere à dengue, o processo é inverso. “Só é possível ter a sorologia após o sétimo dia. Por isso, qualquer quadro clínico em que o exame for feito antes desse período, irá acusar negativo”, comenta, citando que atualmente, na rede privada, está disponível um exame denominado antígeno para a dengue (NS1), que pode sinalizar se a pessoa está com dengue entre o primeiro e o quinto dia. “Auxilia bastante no diagnóstico para o paciente que apresenta sintomas”, acrescenta.
Os sintomas
Madalozzo frisa que a maioria das infecções virais inicia com sintomas parecidos, tais como: febre, dor no corpo e podem surgir pequenas manchas vermelhas (muitas vezes parece uma alergia). “Isso também acontece na covid-19, porém, a diferença principal é que as complicações provocadas pelo Coronavírus, podem evoluir para sintomas de caráter respiratório: tosse, falta de ar, dor de garganta, as vezes vômito, náusea e diarreia. No entanto, nos pacientes com dengue, os sinais mais frequentes são: febre, cansaço, falta de apetite, dores musculares, entre outros”, pontua.
Tratamento
Conforme o médico, o tratamento contra a dengue é voltado especificamente aos sintomas e não há medicamento que possa eliminar o vírus do organismo. “Como todas as doenças virais, terá um ciclo no organismo do paciente que pode ir de quatro a 10 dias, varia conforme a reação da pessoa à infecção viral. A dengue possui uma característica de gerar muita dor muscular e nas articulações. O importante nos casos da doença é não tomar o Ácido Acetilsalicílico. É proibido, pois, na dengue temos duas fases, que é dengue clássica (maioria dos casos), mas também a hemorrágica, no caso desse segundo tipo, ao tomar o conhecido ‘AAS’, aumenta-se o risco de hemorragias”, alerta.
Geralmente, para o tratamento, não é necessário internação hospitalar, somente em casos de complicações, como algum episódio de sangramento.
Cuidados essenciais
O infectologista ressalta que a hidratação é fundamental na recuperação, por isso, a dica é ingerir líquidos, seja água, suco ou chimarrão, de dois a quatro litros por dia.
Sobre o mosquito
De acordo com o Madalozzo, o Aedes, sem o vírus da dengue, é um mosquito comum. Caso contrário, pode ser o vetor de transmissão da doença. “Vale reforçar que a dengue não se passa de uma pessoa para outra, o responsável pela contaminação é o mosquito.
No caso de Erechim, em que há centenas de casos de dengue, vale o alerta para que, ao apresentar sintomas que podem sugerir a doença, deve ser procurado o serviço de saúde, seja o público ou particular”, salienta.
Do mesmo modo, é fundamental que as pessoas redobrem os cuidados em suas casas e evitem acúmulo de água parada, pois esse é o fator decisivo para o desenvolvimento da larva do mosquito, sua reprodução e possivelmente a contaminação. Em paralelo, outra dica é manter o uso do repelente.
Avaliação médica é fundamental

Nos últimos dias, o Laboratório de Análises Clínicas da Unimed tem registrado o aumento expressivo da procura por exames, tanto para detecção da covid-19, como também da dengue.
Contudo o diretor técnico da Unimed Erechim, Gilberto Luis Federle, reforça que sempre é bom fazer uma avaliação médica para que os exames sejam direcionados corretamente. “Existem protocolos de conduta que foram lançados pelo Ministério da Saúde para unificar as medidas. Desse modo, a consulta é o melhor caminho”, afirma.
Para o diagnóstico
Federle pondera que a comprovação ocorre por meio do isolamento do agente da dengue ou por método sorológico. “Usamos muito essa segunda opção que acontece com o suporte de teste rápido (pesquisa do antígeno), o qual costuma estar presente em até 72 horas, pois a partir do quarto dia costuma ter uma sensibilidade muito baixa e, ainda, a sorologia para a dengue – IGM (fase aguda) – que costuma positivar a partir do sexto dia”, explica.
O médico acrescenta que também são realizados outros exames de sangue, denominados inespecíficos, como hemograma, plaqueta e a função hepática. “Isso será interpretado pelo médico que fará a conduta mais apropriada a partir dos resultados obtidos”, conclui.
Fique atento aos sinais
O diretor técnico da Unimed salienta que, na epidemia de dengue, são considerados os fatores epidemiológicos (sendo que a doença está presente em determinadas localidades de forma mais intensa) além do quadro clínico, com a manifestação de febre acima de 38 graus por até sete dias, dor de cabeça (sensação de dor “atrás dos olhos”), cansaço, dor no corpo, nas articulares (artralgia) e manchas na pele. “Geralmente há quatro formas relacionadas ao quadro de dengue: desde a fase assintomática; a clássica – com sintomas gerais de virose; a dengue hemorrágica que é a mais complicada e pode levar para uma quarta fase, ainda mais grave”, comenta, frisando que os pacientes devem ficar atentos a sinais como manifestações hemorrágicas espontâneas, tais como sangramento pelo nariz, pela boca, menstruação com fluxo muito aumentado, além de sangramento pelas fezes e pela urina.
Vigilância e saneamento domiciliar
Para Federle, algumas mudanças de comportamento podem minimizar a propagação do vetor, que é o mosquito. Sendo assim, é preciso destruir os criadouros, evitando o acúmulo de água parada nos terrenos.