Aos 73 anos, o aposentado erechinense, Paulo Ernesto Muller, possui muitas histórias de força e superação.
Após superar dois tipos de câncer, ele afirma que procura levar uma rotina tranquila, mantendo, sempre, o foco na saúde. S. Paulo conversou com a reportagem do Bom Dia e reforçou o alerta à todo público masculino para que se preocupe mais com a qualidade de vida.
A decisão que salvou sua vida
Os desafios iniciaram há cerca de 17 anos. S. Paulo relatou que nunca havia feito exames com o urologista, até que, um dia, estava passando pela avenida e observou alguns profissionais divulgando a campanha ‘Novembro Azul’. “Nesse momento pensei: ‘vou fazer uma consulta’. Cheguei em casa e de imediato liguei para o médico e agendei”, comentou o aposentado, citando que o especialista, então, solicitou inicialmente o exame de PSA, cujo resultado foi um pouco alterado: grau de Gleason estava em 4.8, sendo que o ideal é até 4.
Diante disso, o médico orientou que ele esperasse três meses e repetisse o exame. Passado o tempo, S. Paulo realizou o PSA que estava em 9.8. “Na sequência fiz o exame de toque, o qual acusou que havia uma parte mais dura da próstata. Com isso, fiz a biópsia, a qual confirmou o diagnóstico de câncer”, pontuou.
Conforme S. Paulo, a opção de tratamento foi a cirurgia, que durou em torno de seis horas. “Após, precisei fazer 38 sessões de radioterapia e até hoje continuo em acompanhamento. A cada seis meses vou ao médico, faço vários exames. É tudo muito tranquilo”, afirmou.
O aposentado acrescentou que, de modo geral, não mudou a rotina e não precisa tomar medicamentos para a próstata.
A segunda luta
No ano passado, S. Paulo foi surpreendido novamente pelo câncer, dessa vez na região cervical, próximo ao pescoço. “Retornei ao médico e ele me encaminhou para outra especialista. Novamente passei por exames, os quais constataram a doença. Com isso, procurei um cirurgião oncológico e precisei fazer quimioterapia”, explicou.
Como não havia o medicamento em Erechim, o erechinense foi encaminhado para Porto Alegre. A cada 15 dias ele viajava para fazer o tratamento. “Nessa fase perdi o cabelo. Já na segunda aplicação cheguei em casa e observei que tinha começado a cair. Com isso, resolvi cortar. Após esse período, enfrentei mais de 20 sessões de radioterapia. Agora está tudo bem”, declarou com entusiasmo.
Apoio essencial
S. Paulo tem dois filhos e afirmou que o apoio deles e da esposa foi muito importante durante a recuperação. “É nosso maior apoio, nosso suporte”.
Do mesmo modo, ressaltou que a própria força de vontade faz a diferença no tratamento. “Temos que enfrentar tudo o que surge em nossa vida”, salientou.
O alerta à todos os homens
Durante a entrevista, S. Paulo destacou que aconselha todas as pessoas a manter suas consultas em dia. “Incentivo meu filho, desde que passou dos 30 anos, a realizar os exames. Existem muitos mitos em torno do assunto e o melhor é procurar o médico e esclarecer as dúvidas. O que vale é a nossa vida, o restante, são detalhes”, reiterou.
Segundo ele, quem passa pela doença, muda muito, procura ter uma postura diferente, respeitar ainda mais as pessoas e valorizar, cada instante, de forma especial. “Quando resolvi consultar, não tinha sintomas. Mesmo assim, sem imaginar, fui na hora certa. Foi a minha sorte. Sendo assim, reforço: é essencial que as pessoas se cuidem”, enfatizou.