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Momentos compartilhados com os filhos: a base da existência

A médica e mamãe ressalta que “em uma sociedade com uma conformação como a nossa, onde somos submetidos diariamente a trocar coisas materiais por nosso tempo de vida, o tempo que passamos com nossos filhos são, talvez, o aspecto redentor da existência

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Taís Stedile Busin Giora com os filhos Pedro e Felipe
Por Izabel Seehaber jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Izabel Seehaber

A erechinense Taís Stedile Busin Giora tem 40 anos, é médica, casada com Gustavo Giora e tem dois filhos: Pedro (quatro anos) e Felipe (seis meses). Assim como muitas mulheres que têm construída a ideia da maternidade desde muito jovens, com ela não foi diferente. Contudo, Taís se considera “privilegiada” em razão de que pode priorizar seus estudos antes de iniciar essa nova etapa que é a maternidade.

“Mas o longo tempo de formação acabou “me empurrando” para os 30 anos e percebi que se esperasse a “hora certa”, ela poderia não chegar. Embora tenha conseguido engravidar de forma bastante rápida (tinha receio depois de anos de uso de anticoncepcionais), o Pedro veio apenas depois uma perda espontânea da primeira gravidez nas 10 semanas”, relata.

A gravidez do Pedro, que se desenhava tranquila até as 24 semanas, passou a ser de risco com a possibilidade de parto prematuro. “Lá se foram quase 10 semanas em repouso absoluto – e uma angústia interminável. Mas esse tempo em casa, só com o bebê no ventre, foi mágico em termos dos laços físicos e psicológicos que desenvolvi com ele. Esses são flagrantes ainda hoje, pela proximidade maior que temos. Apesar de prematuro, após 10 dias no hospital, com breve passagem pela UTI neonatal, tudo deu certo”, recorda.

A segunda gravidez

Taís comenta que, quando Pedro já tinha dois anos surgiu a decisão de engravidar novamente. “Mais uma perda, agora com oito semanas, indicava um caminho difícil. Depois de frustrações mensais e a pressão do relógio biológico, decidimos buscar ajuda com especialista em reprodução assistida. Uma baixa qualidade ovariana era a grande barreira. Mas sempre acreditamos que deveria de haver um “óvulo bom”. O tempo ia passando e, sem resultados objetivos, decidimos recorrer à fertilização in vitro”, cita.

Contudo, segundo a médica os resultados foram desanimadores. Depois de duas tentativas o casal trocou de especialista e também não obteve outro resultado. Foi quando, após mais de dois anos tentando, decidiram dar um tempo nessa ideia. “Marcamos uma viagem e retornamos com a convicção de ficar só com o Pedro. Para nossa alegre surpresa, dois meses depois estávamos novamente grávidos”, destaca. Apesar de mais uma gestação de risco, e mais um prematuro, no ano passado chegou o Felipe.

A força

De acordo com Taís, essa travessia só foi possível com o auxílio, carinho e amor das pessoas mais próximas, familiares e amigos, além do companheiro, é claro, que é fundamental. “Mas muitas de nós acabam tendo filhos em situações extremamente adversas e por vezes sem redes de apoio. Por isso, você precisa estar, antes de tudo, muito bem consigo mesma, caso contrário, fica muito mais difícil”, alerta.

Filhos em primeiro lugar

A médica e mamãe ressalta que “em uma sociedade com uma conformação como a nossa, onde somos submetidos diariamente a trocar coisas materiais por nosso tempo de vida, o tempo que passamos com nossos filhos são, talvez, o aspecto redentor da existência. É sempre uma troca, não podemos estar com eles e trabalhar ao mesmo tempo. Sendo assim, dosar o trabalho pode ser o segredo. Mas eles sempre estarão em primeiro lugar”.

“Uma mensagem? Para aquelas que desejam ter filhos, não esperem muito tempo, o relógio biológico não bate a nosso favor. Para aquelas que estão tentando, acreditem, não se cobrem demasiadamente, o tempo é o senhor das coisas. Para todas: não permitam que outros pressionem ou decidam sobre as questões do seu corpo, ele é seu e só seu”.

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