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Banco do Brasil promove conversa sobre o futuro do agro em Erechim

Evento reuniu produtores, cooperativas, instituições de ensino e poder público para discutir desafios e estratégias diante de um cenário de incertezas no campo

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Por Vivian Mattos
Foto Rodrigo Finardi

Os rumos do agronegócio regional diante de um cenário econômico e climático desafiador pautaram um encontro promovido pelo Banco do Brasil, ontem (15), na agência Centro da instituição, em Erechim. A iniciativa reuniu representantes de cooperativas, produtores rurais, instituições de ensino, entidades de assistência técnica, sociedade civil e poder público para um amplo debate sobre o presente e o futuro da atividade.

A proposta do evento foi criar um espaço de escuta e construção coletiva, aproximando diferentes elos da cadeia produtiva para discutir alternativas e soluções para o setor. O momento ocorre em meio a um contexto de boas produtividades no campo, mas com rentabilidade comprometida pelos altos custos de produção e pela queda nos preços das commodities.

Durante a abertura, o gerente da agência do Banco do Brasil de Erechim, Volmir Ribeiro falou da importância de manter o diálogo com os atores do agro, especialmente em um período de incertezas. Também disse que ainda há recursos disponíveis do atual Plano Safra, com linhas de crédito para custeio, investimento e armazenagem, além de condições diferenciadas em algumas modalidades.

Cenário preocupa cadeia produtiva

Ao longo do encontro, produtores e técnicos ligados à Emater/RS-Ascar, à Universidade Federal da Fronteira Sul e à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul relataram diversos pontos de atenção para o setor.

Entre eles, o destaque foi para o descompasso entre produtividade e rentabilidade. Apesar de uma safra considerada positiva em termos de produção, os resultados financeiros não têm acompanhado o desempenho das lavouras. O aumento nos custos com insumos, como fertilizantes e combustíveis, aliado à instabilidade do dólar, tem pressionado as margens.

Outro ponto levantado foi o aumento da inadimplência no setor, algo que historicamente não era comum no agronegócio. A mudança tem impactado o acesso ao crédito, com exigências maiores por parte das instituições financeiras.

Também entrou na pauta a recente atualização nas regras ambientais, que pode dificultar o acesso a financiamentos em casos de inconsistências no Cadastro Ambiental Rural (CAR), gerando preocupação entre produtores e técnicos.

Diversificação e inovação ganham força

A necessidade de diversificar a produção foi um dos principais consensos entre os participantes. O modelo tradicional, baseado principalmente em soja, milho e trigo, vem sendo questionado diante da baixa rentabilidade.

Nesse contexto, culturas alternativas como a canola foram citadas como oportunidades, especialmente no período de inverno. A ampliação da agroindústria, da fruticultura e de sistemas produtivos mais sustentáveis também apareceu como caminho para agregar valor e reduzir a dependência de commodities.

Instituições de ensino e assistência técnica frisaram o papel da orientação qualificada para apoiar essa transição, evidenciando que investimentos precisam estar atrelados a planejamento e acompanhamento técnico.

 

Clima e custo de produção desafiam o campo

As mudanças climáticas foram apontadas como um dos principais fatores de risco para o setor. Eventos extremos, como estiagens prolongadas e chuvas intensas, têm afetado diretamente a produção e aumentado a insegurança no campo.

Somado a isso, o alto custo de produção tem reduzido a margem de lucro dos agricultores. A dificuldade de equilíbrio entre custo e preço final foi citada como um dos principais entraves à sustentabilidade econômica da atividade.

Juventude e permanência no campo

A dificuldade de sucessão familiar também foi tema do debate. A baixa rentabilidade e a instabilidade da atividade têm afastado os jovens do campo, aumentando a preocupação com o futuro da produção rural na região.

Construção coletiva como caminho

Ao final, os participantes falaram da importância de fortalecer a articulação entre os diferentes setores para enfrentar os desafios do agro. A criação de espaços permanentes de diálogo e planejamento regional foi apontada como essencial para construir soluções de longo prazo.

O Banco do Brasil salientou o compromisso de seguir próximo do setor e aberto ao diálogo com os parceiros, destacando que o desenvolvimento do agronegócio é estratégico para a economia local e regional.

O encontro encerrou com a sinalização de que novas reuniões devem ocorrer, consolidando o debate como um ponto de partida para ações conjuntas voltadas à sustentabilidade e competitividade do agro.

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