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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Jejum e apagão

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Na minha coluna da semana passada comentei que faria um jejum durante a quaresma. Desta vez, nada envolvendo carnes e álcool, como fiz no ano passado. Escolhi outro objeto de estudo, um jejum de notícias, principalmente as que envolvem a política brasileira. É como ligar o “botão” da alienação e dar um tempo para esses assuntos que, de certa forma, nos deixam sempre chateados.

Uma semana depois

Confesso que não está sendo nada complicado fazer esse jejum. Ficar alheio às notícias da cena política brasileira tem me feito bem. Pelo menos o que está passando com o país não serviu de gatilho para algum mal-estar. Tampouco registrei alguma crise de abstinência. Não me vi correndo para acessar as notícias e acompanhar o andamento das investigações. Mas, é claro, alguma coisa acaba passando pelo filtro. Foi assim que soube, por exemplo, do caso de racismo que envolveu o jogador brasileiro em um jogo contra o Benfica.

Efeitos colaterais

Costumo escrever minhas colunas sempre na véspera do final de semana. Esta, que hoje é publicada, eu deveria ter escrito lá pela quinta-feira. Quiçá, seja uma daquelas coincidências em que o alho nada tem a ver com o bugalho, mas cabe registrar. Pois tive, sim, uma crise de abstinência, que poderia chamar de efeito colateral. A falta de notícias pode ter me causado um bloqueio criativo. Sem leitura, sem ideias. Fiquei à espera do assunto e ele não veio. Faltou inspiração. Não tinha e não tive, tanto é que estou escrevendo sobre o jejum, na véspera da publicação do jornal. Quem me lê há mais tempo já deve ter percebido.

Inspiração

Seja como for, deve haver alguma sublime energia querendo me apontar algo com esse bloqueio criativo. Até tive vontade de escrever sobre o feijão. Não esse, que faz parte do dia a dia da família brasileira. Tive vontade de falar do Feijão com letra maiúscula. Um grande amigo que há tempos não vejo e de quem não tenho notícias (como se fosse um eterno jejum). Mas tive medo. Medo porque o Feijão era negro. Era não, é. Duvido que tenha mudado de cor, como também espero que jamais perca o timbre de sua voz. Foi quando me dei conta de que essa alcunha, mesmo tendo sido dada há mais de trinta anos, arrasta lá no fundo a gênese do mais perfeito, insensível e triste preconceito. Saudades. Do Feijão e daquele tempo em que não víamos maldade no seu apelido, mas sequer nos dávamos conta de que, na origem, ele carregava um dos maiores problemas da humanidade: o racismo.

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