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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Natalismo

Por Marcos Vinicius Simon Leite

O sufixo “ismo” é talvez um dos mais enfáticos da nossa língua portuguesa. É usado, por exemplo, para definir doutrinas, ideologias ou sistemas. Convive igualitariamente com o capitalismo e o comunismo. Também pode expressar práticas e comportamentos, como vemos no machismo e no seu contraponto feminista – o feminismo. Está presente no otimismo e no pessimismo e, em condições médicas como o alcoolismo. Por evolução, o homessexualismo deixou de existir. O comportamento descolou-se para um local mais elevado. Passou a ser homossexualidade, assim como os amigos e a amizade, o bem e a bondade.

Por óbvio que, tecnicamente, o termo “natalismo” não existe no contexto das festividades de fim de ano. Nos dicionários, quer dizer sobre as políticas de natalidade. No entanto, o natalismo a que me refiro, é um sentimento desdobrado a partir do termo “natalino”. A razão para tal, para que eu creia que estamos deixando de viver a “era do natalismo” é simples. O Natal, tal como era, nos costumes, parece ter perdido uma de suas forças: o consumismo. Analogamente ao termo homossexualismo, o Natal tende a ganhar novos sufixos. É o que veremos para os próximos anos.

Por muitos anos a preparação do Natal despertava dois sentimentos distintos. Por um lado, a alegria de dar e receber presentes, a parte material. Por outro, a certeza de que teríamos uma reunião familiar com liturgia. Formalidades que tornavam o momento solene. Quiçá, a mais solene das datas familiares. Assim era a tradição. Uma mistura - até então saudável - entre o material e o espiritual. De igual forma, para não perdermos a oportunidade de lembrar com bom humor, tanto as compras quanto a preparação da ceia eram sempre motivo de agitação e estresse. Difícil era convencer as crianças de que tudo aquilo era para celebrar o nascimento de Jesus. Coitadinho, ficava lá, acanhado na manjedoura do presépio a tomar pó.

O tempo passou. Os costumes também. Com o enorme acesso que temos aos bens de consumo, a sensação que temos é que não há mais nada de interessante nos presentes de Natal. Com a enxurrada de opções, compras pela internet e livre acesso a tudo, just-in-time, a um clique das redes sociais, o sentido consumista da data parece ter perdido o efeito. Aqueles que ainda o mantém, reparam que quem recebe um presente já não o faz com a mesma empolgação de outrora, exceto se a prenda for inesperada, recebida de quem menos imaginamos.

Por essas e outras, saúdo este glorioso momento da vida. O fim do consumismo natalino, esse tal de natalismo, que parece estar chegando ao fim. É óbvio que muitos ainda hão de insistir nestas práticas antiquadas, para alegria dos grandes comércios. Logo verão, do verbo ver, que o Natal comercial já não é mais o mesmo. Se não for já neste, será nos anos que virão. Basta prestar atenção. Para terminar, saudando os leitores do jornal, reitero que minhas esperanças com este fenômeno social que envolve a data suprema dos cristãos resida justamente lá, na pobre manjedora. Que possamos todos reparar que a simplicidade do Cristo vem de berço. Eis uma boa oportunidade para refletirmos que a noite de Natal não requer pompa e circunstância. Requer respiração, inspiração, amor, gratidão e nada mais. Assim é. O resto é pó.

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