Rememorando os Desfiles
Após muitos Sete de Setembro voltei a participar do desfile em homenagem à Pátria. Desta vez, junto aos demais membros da AEL e Café com Leitura, descemos a avenida lembrando os bons tempos de docência, quando acompanhávamos os nossos alunos ansiosos por representarem as suas escolas, sob os aplausos de uma plateia curiosa.
Antes da parada, propriamente dita, bem antes, começam os preparativos para o desfile. Sei muito bem como funciona, como se fossem escolas de samba se preparando para o dia ou noite propícios. Tudo precisa ser pensado, organizado e preparado. E, desta vez, a AEL e o Café com Leitura anuíam ao convite e se fizeram presentes ao evento.
Dizem que na descida todo santo ajuda; basta controlar os freios, e no meu caso de carona de um Jeep 1957, em ótimo estado de conservação, ou seja: sete anos mais jovem do que eu.
Saudades das aulas de Educação Moral e Cívica como matéria obrigatória, no Currículo Escolar, na qual eram tratados assuntos, como o próprio título diz lembrando os três pilares que sustentam o caráter de todo e qualquer cidadão que se preze. Educação, entendida inicialmente como uma série de bons princípios que deve iniciar nos lares formados por pais responsáveis e filhos diligentes. E não a Educação, sinônimo de Ensino, que é administrado na Escola.
Um país ou um estado que se prezam precisam mostrar a sua moral e o seu civismo, não apenas nos desfiles comemorativos, mas em todas as situações do cotidiano. Recordo-me com saudades dos tempos da infância e adolescência quando desfilávamos representando a Escola Nossa Senhora de Lourdes, em Três Arroios. E o tempo foi passando, mas nem por isso deixei de fazer parte dos desfiles. Continuando pelo antigo Ginásio e seguindo pelo Científico, da Escola Professor Mantovani.
Não diferente foi, a partir de quando resolvi abraçar o Magistério, repetindo as ações lá na cidade antes referida, como docente, após em Viadutos e sempre nas demais escolas quando concomitante trabalhei arduamente. Lembro-me ainda de uma grande concentração realizada no Estádio Olímpico do Ypiranga que praticamente lotou, tanto na pista olímpica quanto nas cadeiras e arquibancadas.
Do desfile, deste domingo (07/09) não há como deixar de mencionar o piloto de aviação, um Pracinha, que, no auge dos seus 93 anos firme, forte e lúcido, esperava, com o Ademir e pares, a sua vez de entrar em cena, ou seja: descer a avenida juntamente com dezenas de Escola, Instituições civis, militares, enfim todos quantos deram visibilidade ao desfile.
Infelizmente, com o passar dos anos houve muitas mudanças sendo que uma delas foi o arrefecimento do espírito cívico de modo geral. Algumas escolas estaduais, por razões diversas não participam mais. Nesse sentido, foi gratificante ver as Escolas Municipais, (algumas com suas belas bandas), desfilarem garbosamente, motivo de júbilo para a plateia formada de pais e público em geral.
É uma pena constatar esse status quo pelo qual passa o nosso país, em praticamente todas as instâncias, nas quais estão envolvidos autoridades, parlamentares e magistrados que deveria zelar pela lei; governos das três esferas com suspeição de administração e toda a sorte de irregularidades escancaradas a céu aberto. O desfile, literalmente às moscas, em Brasília, outra vez, apenas cumpriu um protocolo e ratificou o baixo índice de aprovação e de confiança do governo atual.
Por sua vez, fica muito difícil, embora o Sete de Setembro seja uma das datas mais importantes, acreditar em mudanças e fomentar a esperança de dias melhores. Desnecessário salientar que, se não houvesse tanta corrupção e desvio do dinheiro público, o Brasil seria realmente um país “deitado em berço esplêndido” e onde “e sol da liberdade em raios fulgidos” brilharia para todos.