Números estarrecedores
Neste país, já alcunhado, pejorativamente, por um estadista “que não pode ser levado a sério” e de enormes contrastes, quando nós pensamos que já vimos tudo ou, ao menos, boa parte de tudo, nos deparamos com surpresas muito desagradáveis como são alguns números estarrecedores abordados por este texto.
Para começo de assunto confesso que, (os números), a matemática nunca esteve dentro das minhas disciplinas favoritas, embora eu tenha em tempos passados, (na escola primária, ginasial e média), emplacado algumas notas máximas. Por sua vez, sempre tive um relacionamento mais amistoso com as palavras.
Números estarrecedores 1: Nesses dias ouvi em uma emissora de rádio local, que o Governo Federal gastou nos últimos dez anos a “módica” quantia de três bilhões e quinhentos milhões em viagens incluindo as despesas demandadas pelas mesmas. Ou seja, boa parte destas consideráveis cifras foi consumida pelo atual governo, contando dois mandatos, quase sete anos, sempre de malas prontas para rodar pelo mundo e geralmente levando consigo um verdadeiro séquito, a exemplo do que ocorreu nas exéquias do Papa Francisco. Enquanto isso, chefes de Estado de outros países mais abastados foram para lá com dois ou três representantes.
Números estarrecedores 2: E, para manter o script a triste coerência recentemente o chefe-mor, (com a sua distinta esbanja), visitou a França e, como sói acontecer acompanhado de uma comitiva de algumas dezenas de convidados, alguns dos quais velhos e obesos mostraram certa dificuldade para descer as escadas do avião, imagina então, subir! Questiona-se até que ponto, nestes tempos, quando as distâncias são encurtadas pela facilidade dos meios de comunicação, os quais oferecem em tempo real reuniões e encontros virtuais, estas viagens são realmente necessárias e produzem o efeito esperado? Na maioria dos casos os pretensos acordos firmados acabam ficando no âmbito das boas intenções, de promessas vazias e de relatórios escritos, sem efeitos práticos. E o que fica como lembrança são as fotos reunindo o grupo de convidados do rei e as estrondosas despesas, para os cofres União.
Números estarrecedores 3: Não bastasse a gastança governamental como acima, dentre tantas que poderiam ser citadas, as cifras estarrecedoras perpassam outras áreas de domínio e entram pelos verdes campos do futebol como joio a comprometer a qualidade dos gramados. O caso mais recente teve como desfecho a contratação milionária do técnico italiano Ancelotti como a última cartada e esperança para tentar recuperar a credibilidade e a qualidade da Seleção Brasileira, havida nos tempos idos quando, na verdade existiam mais jogadores talentosos e menos mercenários que atuam no exterior e recebem salários milionários em dólares, ou euros.
Apenas para recordar o técnico tido como um dos mais renomados apresentou algumas exigências pouco compatíveis para a realidade brasileira. Sua “gratificação mensal” ultrapassa aos cinco milhões de reais. Esta, acrescida de outros penduricalhos valiosos. Enfim uma seleta minoria de privilegiados que parece não conhecerem a realidade de muitos brasileiros, os quais não têm o mínimo de condições para morarem e viverem dignamente. Do pacote das benesses o treinador tem a sua disposição um carro blindado (também pudera em um país onde a bandidagem grassa livre, leve e solta; o crime organizado civil e governamental se escancara ao bel-prazer), é até compreensível o treinador querer defender a sua integridade física. Ainda viagens gratuitas quando treinador achar conveniente ir à Itália. E, pasmem. Caso a seleção brasileira vier emplacar o título mundial, de lambuja, o italiano receberá mais de trinta milhões de “gratificação”. Pelo menos, parece que, do contrato, não faz parte os vários chicletes que ele masca durante as partidas. Oxalá, tivéssemos em todas as áreas prioritárias sociais, (educação, saúde, segurança, moradia...) números tão generosos como estes, à disposição para que verdadeiramente fossem destinados a minimizar os problemas existentes, de tantas pessoas sofridas que não dispõe do mínimo para viverem com dignidade. Infelizmente a realidade é outra: Infelizmente vivemos neste país, rodeados por números estarrecedores e pelas gritantes diferenças existentes.