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Erechim

Agricultor será homenageado com nome de rua

Projeto que denomina “Rua Dorival Kuskoski “ foi aprovado pela Câmara de Vereadores de Erechim

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Vereadores e familiares presentes na sessão ordinária
Por Assessoria de imprensa
Foto Carlos Silveira

Por unanimidade, os vereadores de Erechim aprovaram na noite desta segunda-feira (5) o projeto de lei legislativo que denomina "Rua Dorival Kuskoski – Agricultor", artéria localizada no Loteamento Paradiso.A proposta foi apresentada em conjunto pelos vereadores Alderi Oldra (PT) e Edgar Paulo Marmentini (PMDB). Na justificativa do projeto de lei Edgar Marmentini lembrou a trajetória de vida do homenageado, seu legado, feitos e o que deixou de exemplo para a sua família, amigos e comunidade.

Sobre o homenageado

Dorival Kuskoski nasceu no dia 14 de fevereiro de 1934, no então Distrito de Paulo Bento. A família era composta por seis irmãos. Filho de Pedro Kuskoski e Amélia Busnelo Kuskoski, Dorival era irmão gêmeo de Ricieri. Nasceram com problemas nos pés. Logo após seu nascimento e devido à gravidade, seus pais foram encaminhados ao hospital de Caxias do Sul, onde ficaram internados por  90 dias. Moravam em uma casa cedida devido à dificuldade de ir e vir. Nesse período foi realizada a cirurgia nos irmãos que tiveram que usar sapatos especiais.

 Devido às dificuldades financeiras de seus pais, os avós maternos assumiram as despesas hospitalares e assim Dorival e Ricieri foram criados pelos avós (Pedro e Amélia Busnelo), em Chapadão, distrito de Erechim, na época.

 Dorival estudou até o 5° ano do ensino fundamental e teve uma infância feliz com seus avós e tios, chamando-os de pais e irmãos, com os quais aprendeu a falar italiano, ao invés do polonês.

 “A família Busnelo era uma família de pequenos agricultores e era dali que vinha o sustento para toda a família. Na época a família Busnelo possuía uma trilhadeira. Para ajudar nas despesas da casa, seu Pedro prestava serviços para os vizinhos como, como trilhar o milho, soja, entre outros, obtendo uma renda a mais para a família em épocas de colheita”.

 Foi prestando serviço na propriedade do senhor Atílio Bambi que Dorival conheceu sua futura esposa, dona Rosalina Bambi. Foi amor à primeira vista. Em apenas três semanas após se conhecerem, começaram a namorar sério. “No início de seu relacionamento Atilio pai de Rosalina tinha preconceito referente a Dorival por ter problema na perna, mas com o tempo tudo foi dando certo. Após um ano e meio, casaram-se em 18/05/1955, vindo a morar juntos com os avós de Dorival”.

 Logo após, por incentivo de seu irmão gêmeo, que já era dentista prático, Dorival juntamente com sua família mudou-se para cidade de Caseiros, próximo a Lagoa Vermelha, com a finalidade de trabalhar junto com um dentista e aprender a profissão de protético e posteriormente a de “dentista prático”.

 Com a mudança de seu professor de profissão, Dorival comprou seu próprio consultório e permaneceu em Caseiros por quatro anos, atuando na profissão a qual aprendera.

 Mercante, tio de Dorival, era dentista formado e trabalhava na cidade de Carlos Gomes. Querendo mudar de cidade, Mercante ofereceu a seu sobrinho sua cadeira, placa e ponto em troca de uma porcentagem dos lucros. Dorival aceitou e assim mudou-se para a cidade de Carlos Gomes.

 Na época havia uma lei a qual permitia a profissão de “dentista prático”, onde apenas era preciso pagar o alvará anual. Após um ano de trabalho em Carlos Gomes, foram suspensos os alvarás para “dentistas práticos”, e então a profissão passou a ser considerada ilegal.

“Mesmo assim, sem alvará, mas com muito trabalho na época, devido a falta de profissionais no ramo, Dorival continuou a exercer sua profissão. Com o tempo, levou seus serviços próximo a seus pacientes, alugando peças em diferentes cidades e colocando seus serviços à disposição das comunidades, conforme a necessidade da região”, lembrou.

O modo de deslocamento utilizado por Dorival era um burro no qual transportava o seu material de trabalho e alguns remédios necessários.    As cadeiras de atendimento permaneciam nos locais de trabalho, pois eram confeccionadas por carpinteiros locais.

 Após alguns anos de trabalho, Dorival comprou seu primeiro carro, um jipe que passou a ser seu meio de transporte. Sua vida começou a melhorar. E foi esse o início de sua era de comércio (mascate), pois falava com muitas famílias da região, o que facilitava seus negócios. Algo que lhe ajudava era sua honestidade e seu bom caráter.

 Na cidade de Carlos Gomes, terra de imigrantes poloneses, todos viam Dorival como uma pessoa íntegra e de boa reputação. Era amigo de todos os moradores da pequena cidade. “Até hoje as pessoas mais idosas de Carlos Gomes lembram-se do dentista Kutikowski como era chamado”.

 Dorival gostava muito de negociar. Comprava e vendia tudo que lhe aparecia, terneiros, vacas de leite, juntas de bois, carroças, cavalos, e foi incrementando suas vendas, posteriormente com quadros de Santos e mais adiante veículos onde lhe rendia mais lucros.

Com o passar do tempo, a lei contra os “dentistas práticos” ficou mais rígida, momento em que parou com a sua profissão e fechou seu consultório. “Veio então uma nova fase em sua vida, a de criação de porcos. Com o preço do mesmo em alta, acabou tornando-se um ótimo negócio. Dorival comprou seu primeiro caminhão, um Mercedes, com carroceria específica para transportar porcos de Carlos Gomes e também de Erechim a São Paulo. Na volta trazia, outras mercadorias”.

Após alguns anos parou de transportar porcos, mudando a carroceria realizava viagens mais longas. Levou muitas mudanças para o Paraná, transportava produtos agrícolas, areia entre outras mercadorias. Por cerca de dez anos exerceu a profissão de caminhoneiro, e assim conhecendo o Brasil.

Em Rio Toldo conheceu as corridas de cavalos onde gostava de apostar, onde ganhava nas apostas. A partir disso comprou um terreno em Erechim onde a família vive até os dias de hoje.

“Dorival, juntamente com sua esposa Rosalina, tinha o sonho de formar seus filhos em uma faculdade, pelo fato de ter vivido a experiência sofrida de trabalhar na ilegalidade. E com muito esforço e determinação seu sonho foi realizado.Vilmar, formou-se em odontologia pela UFPel no ano de 1979, Valdir entrou para a faculdade de odontologia também na UFPel no ano de 1980”

Dorival faleceu em1981. Deixou a esposa e quatro filhos, ficaram muitas saudades e boas lembranças. Ricieri, irmão gêmeo, morreu com 26 anos. “Tem a admiração, o respeito, o carinho e a saudade de sua esposa Dona Rosa, seus filhos Vilmar, Valdir, Vanderlei e Volnei, suas noras e seus 10 netos e quatro bisnetos”.

 

 

 

 

 

                

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