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Economia

Corrida por data centers abre janela de investimentos para o RS

Seminário no Tecnopuc apresenta estudo sobre impacto econômico e destaca desafio de posicionar o estado na economia da IA

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FIERGS fachada.jfif
Por Assessoria
Foto ASCOM

  O avanço da inteligência artificial coloca a infraestrutura digital no centro da disputa por investimentos e abre uma janela de oportunidade para o Rio Grande do Sul. O tema foi discutido nesta quarta-feira (9), durante seminário realizado no campus da PUCRS que reuniu representantes da indústria, do governo e do ecossistema de inovação para debater o posicionamento do estado nesse cenário.

Durante o encontro, promovido por Sistema FIERGS, Invest RS e Tecnopuc, foi apresentado um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), encomendado pela Scala Data Centers e Norgás, sobre os impactos da expansão da infraestrutura digital, com foco em projetos de grande porte, como data centers. A análise aborda os efeitos desse tipo de empreendimento ao longo das etapas de implantação e operação, especialmente na dinâmica econômica e na articulação de cadeias produtivas associadas. A iniciativa também conta com o apoio da Aliança para Inovação (UFRGS, PUCRS, Unisinos e UFSCPA) e Pacto Alegre.

Para o diretor do Sistema FIERGS e coordenador do Conselho de Inovação e Tecnologia (Citec), Marcus Coester, o avanço da inteligência artificial está inserido em um movimento global de expansão da infraestrutura digital. “Estamos participando de um movimento global”, afirmou, ao destacar o crescimento da demanda por processamento de dados e o fato de que grande parte dessas operações ainda ocorre fora do Brasil. “A questão é como a gente se conecta a esse movimento e agrega valor a ele”, disse. Nesse contexto, Coester afirmou que projetos como o Scala AI City podem representar uma virada para o estado. “É um projeto que muda o jogo, um grande trampolim”, afirmou. Segundo ele, o desafio passa pela capacidade de articulação local para ampliar a participação de empresas gaúchas nesses investimentos.

Na sequência, o presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, afirmou que a discussão sobre infraestrutura digital precisa ser tratada como uma agenda estratégica de longo prazo. Segundo ele, o tema “não é de uma instituição, mas de estado, exigindo articulação entre setor público, academia, empresas e entidades", avaliou. Prikladnicki destacou que o Rio Grande do Sul já reúne condições favoráveis, com projetos em andamento, novos investimentos em data centers e a ampliação da conectividade internacional. Para o dirigente, o desafio agora é coordenar ativos e transformar o potencial em resultados concretos. “Temos as condições para nos posicionar de forma competitiva nesse mercado”, disse.

Já a diretora do Tecnopuc, Flávia Fiorin, ressaltou que o momento atual remete a uma decisão semelhante tomada há três décadas, quando o parque tecnológico da PUCRS começou a ser estruturado. Flávia lembrou que a aposta em transformar a região em um polo de tecnologia não era óbvia à época, mas se mostrou acertada ao consolidar um ecossistema com centenas de empresas e startups. “Precisamos definir qual papel queremos ocupar nesse próximo ciclo”, afirmou, reforçando que o tema exige atuação conjunta entre diferentes atores e que espaços como o seminário contribuem para orientar e unificar a agenda.

Representando a visão do setor privado, o vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade da Scala Data Centers, Luciano Fialho, destacou que a oportunidade aberta pela inteligência artificial exige uma visão que vá além de projetos individuais. “A IA e a infraestrutura digital são um vetor importante de crescimento e desenvolvimento para o Rio Grande do Sul. Mas, para aproveitar essa oportunidade, precisamos de uma visão que vá além de um projeto ou de uma empresa, um plano estratégico do próprio estado”, afirmou.


INFRAESTRUTURA DIGITAL COMO VETOR DE NOVOS NEGÓCIOS

Segundo a pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), apresentada durante o seminário por Charles Correa, o avanço da inteligência artificial vem deslocando o principal gargalo do setor. "Mais do que desenvolver modelos, o desafio passa a ser garantir capacidade suficiente para processar grandes volumes de dados", explicou. Nesse cenário, a infraestrutura digital deixa de atuar apenas como suporte e passa a ser um dos fatores centrais para viabilizar novos negócios e investimentos.

A análise também indica que o desafio não está na disponibilidade de recursos naturais, mas na capacidade de coordenação entre diferentes fatores, como energia, regulação e conectividade. Além disso, o levantamento alerta para o caráter limitado da janela de oportunidade. Para Correa, regiões que se posicionam mais rapidamente tendem a capturar uma parcela maior dos investimentos e dos benefícios associados a essa cadeia.

Na sequência da programação, os demais painéis aprofundaram os principais fatores que influenciam a inserção do Rio Grande do Sul na economia da infraestrutura digital. As discussões passaram pelo posicionamento do estado, seus ativos – como universidades, ecossistema de inovação e base industrial – e os desafios em áreas como energia, conectividade e regulação. Também foram apresentados os critérios que orientam novos investimentos, além da necessidade de fortalecer a cadeia produtiva e a formação de profissionais capazes de atuar nesse cenário, em um contexto em que a capacidade de articulação tende a definir quais regiões irão concentrar os investimentos desse novo ramo industrial.

A íntegra do seminário pode ser encontrada no YouTube, por meio do link https://www.youtube.com/live/jGHdtkesb5E?is=VE6NxmUhcEZS4pjO.

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