Cerca de 30% dos brasileiros têm mau hálito, ou halitose. Em nove de cada dez casos, a origem está na própria boca. O problema pode afetar a autoestima e os relacionamentos e nem sempre está ligado apenas à higiene bucal.
Causas mais comuns
Saburra lingual, placa bacteriana, cáries, gengivite e periodontite estão entre as principais causas. Boca seca, períodos prolongados sem alimentação, tabagismo e alguns hábitos alimentares também podem favorecer o odor.
A possibilidade de eliminar a halitose depende da origem. Quando a halitose está relacionada a um problema pontual, como gengivite, acúmulo de placa ou saburra lingual, o tratamento da causa pode resolver o problema.
Em casos de boca seca recorrente, doenças periodontais ou determinadas condições sistêmicas, pode ser necessário manter cuidados contínuos e acompanhamento profissional.
Odor não define a causa
O cheiro pode fornecer pistas, mas não é suficiente para identificar a origem da halitose. A avaliação deve considerar dentes, gengivas, língua e saliva, além de hábitos e possíveis infecções. Em alguns casos, o dentista pode utilizar equipamentos para medir compostos relacionados ao mau hálito.
O tratamento depende do diagnóstico. Cáries e doenças gengivais devem ser tratadas, enquanto casos associados à boca seca exigem investigação específica. Escovação dos dentes, fio dental, limpeza da língua, hidratação e consultas regulares também fazem parte dos cuidados.
Uma revisão sistemática da Cochrane, publicada em 2019, analisou 44 estudos com 1.809 participantes e diferentes métodos para controlar a halitose. A conclusão foi de que não havia evidências suficientes para determinar qual intervenção funciona melhor.
Nem sempre o problema está na boca
Cerca de 10% dos casos estão relacionados a condições fora da cavidade oral, como problemas gastrointestinais, diabetes e doenças do nariz e da garganta. Amidalites, rinossinusites com secreção persistente e obstruções nasais podem contribuir para o mau hálito.
Nas amídalas, restos celulares, muco, alimentos e bactérias podem se acumular nas chamadas criptas, formando o caseum, conhecido como “pedrinhas” das amídalas quando endurecido. A ação das bactérias sobre esse material produz compostos sulfurados responsáveis pelo odor.
Já a secreção persistente das rinossinusites pode contribuir para o mau cheiro, embora a sinusite não seja a principal causa de halitose. A respiração constante pela boca também pode ressecar as mucosas e favorecer a proliferação de bactérias.
Tratamento depende da origem
Quando há doença nasal ou rinossinusal, é preciso identificar e tratar a causa da obstrução. Em casos de caseum, higiene oral, hidratação e gargarejos podem ajudar. Se o problema for frequente ou estiver associado a doença crônica das amídalas, o otorrinolaringologista pode avaliar outras opções. Cirurgias, como a retirada das amídalas, ficam restritas a situações específicas.
Se o mau hálito persistir mesmo após o tratamento das causas bucais, pode ser necessária uma investigação médica complementar.