A campanha eleitoral está nas ruas e Erechim já está sendo tomada pelos wind banners. Em alguns pontos da cidade, parece que a eleição não será decidida pelo voto, mas pela quantidade de bandeiras que cada candidato conseguir fincar nos canteiros. A estratégia é simples, quanto mais bandeiras, mais visibilidade. Ou, pelo menos, essa deveria ser a lógica.
Efeito contrário
O problema é que, em alguns cruzamentos das principais avenidas, o excesso começa a produzir justamente o efeito contrário. Os wind banners formam verdadeiras barreiras visuais, restringindo a visão dos motoristas e criando obstáculos também para os pedestres.
Floresta de números eleitorais
A legislação permite? Permite. Mas existe uma diferença enorme entre poder fazer e ser conveniente fazer.
Quem está dirigindo precisa enxergar a rua, o cruzamento, o pedestre, a bicicleta, o outro veículo. Não precisa enxergar, a cada esquina, uma floresta de números eleitorais.
Irritação do eleitor
E existe ainda um ingrediente que os estrategistas de campanha talvez estejam esquecendo que é a irritação do eleitor.
Aquela bandeira que deveria lembrar o número do candidato pode acabar lembrando o eleitor de outra coisa, o susto que levou ao sair de um cruzamento sem conseguir enxergar direito o trânsito. A política tem dessas ironias. O candidato quer aparecer. O eleitor quer enxergar.
Situação curiosa
E, pelo que se observa em alguns pontos da cidade, a campanha está chegando a uma situação curiosa. Um candidato coloca uma bandeira; o adversário coloca duas. O primeiro responde com quatro e o segundo aumenta para oito. Tipo debate eleitoral com pergunta, resposta, réplica e tréplica.
Disputa por centímetros quadrados
Em vez de uma disputa de propostas, começa uma disputa de centímetros quadrados. No ritmo em que a coisa vai, daqui a pouco será preciso um wind banner para identificar onde termina um candidato e começa o outro.
Em nome da velha e conhecida guerra eleitoral pela visibilidade
Também os pedestres entram nessa conta. Os canteiros centrais, já disputados por diferentes usos, passam a receber estruturas que ocupam espaço e dificultam a circulação. Tudo em nome da velha e conhecida guerra eleitoral pela visibilidade.
Voto não se conquista escondendo o concorrente
Estamos diante de uma eleição ou de um campeonato de quem consegue esconder mais o adversário? Porque voto não se conquista escondendo o concorrente. Conquista-se convencendo o eleitor.