O Brasil, que por décadas foi referência mundial em vacinação, enfrenta uma redução preocupante na cobertura vacinal. Segundo dados do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), três em cada dez crianças não receberam vacinas contra doenças potencialmente fatais. Nos últimos três anos, a cobertura regrediu a níveis equivalentes aos registrados três décadas atrás.
Entre os fatores estão a disseminação de informações falsas, o crescimento do movimento antivacina e dificuldades de acesso à informação e às campanhas públicas. A queda na imunização aumenta o risco de retorno de doenças que estavam sob controle.
Doenças controladas ainda oferecem risco
A ideia de que não é mais necessário vacinar contra uma doença considerada erradicada ou controlada pode favorecer seu retorno. O sarampo é um exemplo. O Brasil havia eliminado a circulação da doença em 2016, mas voltou a registrar casos dois anos depois, em um cenário de redução da cobertura vacinal.
Mesmo quando uma doença deixa de circular de forma ampla, o agente causador pode permanecer em pequenas populações ou ser introduzido por pessoas vindas de outros países. Com menos pessoas imunizadas, a proteção coletiva diminui e aumenta a possibilidade de transmissão.
Segurança é acompanhada
As vacinas passam por diferentes etapas de testes antes de serem autorizadas e continuam sendo monitoradas após sua utilização. Como outros medicamentos, podem provocar reações, mas as ocorrências mais comuns são leves, como dor ou vermelhidão no local da aplicação, e costumam desaparecer em poucos dias.
No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) mantém, desde 1991, um sistema de vigilância para notificação, investigação e acompanhamento de eventos adversos relacionados à vacinação. Diante de dúvidas, a orientação é buscar informações em fontes oficiais e profissionais de saúde.
Quantidade de doses não sobrecarrega a criança
O número de vacinas previstas no calendário infantil também gera questionamentos entre famílias. No entanto, o sistema imunológico das crianças é capaz de responder aos componentes presentes nos imunizantes sem que isso represente sobrecarga ou prejuízo à saúde.
A vacinação infantil é ainda um direito assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Cabe ao poder público, aos responsáveis e à comunidade garantir o acesso às vacinas recomendadas. A recusa injustificada pode ser considerada violação do direito à saúde da criança e do adolescente e resultar em medidas previstas na legislação.
Organização ajuda a manter a caderneta em dia
A rotina familiar também pode contribuir para atrasos nas doses. Para evitar esquecimentos, os responsáveis devem conhecer o calendário indicado para a idade da criança, acompanhar campanhas de vacinação e manter a caderneta atualizada. Consultas regulares com o pediatra ajudam a identificar doses pendentes.
Ter uma cópia digital da caderneta e guardar os documentos de saúde em um único local também facilita o acompanhamento. Em caso de viagens internacionais, é necessário verificar previamente as exigências de vacinação do destino. Alarmes no celular e lembretes em locais visíveis podem ajudar a lembrar as datas das próximas doses.