No Brasil, o Dia do Padre é celebrado em 04 de agosto, data que homenageia aqueles que dedicam a vida à missão de evangelizar, servir e acompanhar as comunidades de fé. Em alusão à comemoração, o Pe. Rodolfo Benevenuto da Silva Santos, da Paróquia Nossa Senhora da Salete, localizada no bairro Três Vendas, em Erechim, concedeu entrevista ao Jornal e TV Bom Dia. Durante a conversa, compartilhou sua trajetória vocacional, falou sobre o chamado ao sacerdócio e relembrou experiências que marcaram sua jornada de um ano e seis meses.
A celebração faz memória de São João Maria Vianney, conhecido como Cura d'Ars e padroeiro dos sacerdotes. Instituída em 1929 pelo Papa Pio XI, a data busca incentivar a oração pelos padres e valorizar a missão desempenhada por eles junto às comunidades.
Ao recordar a história do santo, o Rodolfo destacou um episódio que, segundo ele, traduz o verdadeiro sentido do sacerdócio. "Ele foi um sacerdote francês que viveu na França, na cidade de Ars-sur-Formans, onde desenvolveu a sua atividade pastoral. Existe uma bonita frase atribuída a ele, quando o bispo o nomeou para uma aldeia. E quando está a caminho, encontra uma criança e pergunta: 'Onde fica Ars?'. E a jovem diz: 'Olha, seu padre, fica mais à frente'. Ele olha para ela e diz: 'Muito obrigado, tu me mostraste o caminho de Ars, agora eu te mostrarei o caminho do céu'", contou.
Na sua avaliação, essa passagem resume o compromisso assumido por quem escolhe a vida sacerdotal. "Os padres são homens que, com as suas limitações, fragilidades e dons, colocam-se a serviço do Evangelho e de Cristo", afirmou.
Ao refletir sobre a sua missão nos dias atuais, padre Rodolfo afirmou que seu compromisso é ser, diariamente, um instrumento da misericórdia de Deus e levar esperança às pessoas. "Na sociedade se contempla o padre como um homem social, de Deus e que leva adiante a sua palavra. E, realmente, somos mensageiros ou, como dizem propriamente as Escrituras, devemos ser um arauto do Evangelho que leva a esperança, a paz e também a pessoa a fazer um encontro pessoal com Jesus Cristo. E nesse contato, transforma a sua vida e também o coração para que ela seja um cristão autêntico, que verdadeiramente tem uma essência divina para fazer o bem, praticar o amor que é vivo como uma chama que crepita no coração", destacou.
O Padre Rodolfo ponderou que sua vocação nasceu da oração e foi fortalecida pela vivência da fé em família. Segundo ele, desde a infância sentiu a convocação divina e, ao longo do tempo, o encontro pessoal com Cristo confirmou seu desejo de dedicar a vida ao sacerdócio. "Quando o coração faz a experiência de encontro com o Senhor, tudo se transforma. Desde criança senti esse chamado para viver o seu Reino. Tenho um grande amor pela Igreja e foi essa relação que me transformou e fez com que eu buscasse a vida sacerdotal", afirmou.
Com pouco mais de um ano de ofício, Rodolfo destaca que sua trajetória tem sido marcada pelo aprendizado junto às pessoas e pela busca de viver com felicidade e proximidade. Para ele, estar com a comunidade permite reconhecer a presença espiritual em cada pessoa e oferecer acolhimento diante dos desafios que são enfrentados. "Tenho aprendido a ser sacerdote no meio do povo, amando e colocando sempre em prática uma virtude que Deus me deu como um dom, que é a alegria. Quando saio de mim mesmo e vou em direção aos outros, me sinto realizado e plenificado no sacramento que vivo", salientou.
Na Paróquia Nossa Senhora da Salete, padre Rodolfo atua junto com outro sacerdote, seguindo as orientações do Bispo Diocesano e desenvolvendo um trabalho voltado às pessoas e às famílias. Segundo ele, a missão é fortalecer a participação e incentivar o percurso de fé dos paroquianos. "Não vamos deixar que ninguém roube os sonhos ou destrua o compromisso que cada um tem em si, de construir a unidade naquela igreja, vivendo a ação evangelizadora aqui da Diocese de Erechim. Nós não estamos trazendo algo novo, mas implementando aquilo que foi estabelecido como plano a ser seguido, revigorando os jovens, as crianças, as pastorais sociais e também os movimentos eclesiais", destacou ele.
Ao refletir sobre a mensagem que deseja deixar aos fiéis, o padre destacou a importância da simplicidade e da presença junto à comunidade como marcas do seu ministério. Para ele, é preciso conhecer a realidade das pessoas, seus espaços e suas histórias. "Deixo um ensinamento de que também vivemos a nossa pequenez e simplicidade. E uma grande humildade, que até mesmo, no final de tarde, sempre coloco o tênis e vou dar uma caminhada para conhecer a área da paróquia. Quando faço isso, algumas pessoas se encontram e começam a conversar, questionando o motivo. Eu preciso caminhar para conhecer e saber onde estou atuando e desempenhando", contou.
Segundo o sacerdote, essa aproximação faz parte da missão evangelizadora, que exige sair do comodismo e estar junto das famílias. "É como quando vamos aos bairros, conhecemos os lares, partilhamos um chimarrão, bons sorrisos e a alegria do encontro", completou.