Hoje irei iniciar uma série de matérias sobre pessoas ilustres e importantes para Erechim e região do Alto Uruguai. E para começar, retrato a figura do Engenheiro Civil que projetou a nossa cidade, Carlos Torres Gonçalves. Como homenagem, leva o nome de uma das principais ruas de Erechim. Esta matéria tem como fonte de informações: CASSOL, Ernesto. Carlos Torres Gonçalves – Vida, Obra e Significado. Erechim, Editora São Cristóvão, 336 pp.; e Wikipedia.
Nascido em 30 de junho de 1875 em Rio Grande. Filho de um médio comerciante nascido em Portugal. Em 1886, com o suicídio do pai, sua mãe mudou-se com os cinco filhos para São Leopoldo, onde Carlos passou a estudar em uma escola jesuítas, o Colégio Nossa Senhora da Conceição. Iniciou seus estudos de Engenharia de Minas em Ouro Preto. Em 1895 mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar engenharia civil na Escola Politécnica, ali se aproximou ao Positivismo. Formado em 3 anos, retorna ao Rio Grande do Sul.
Em julho de 1898 entra para o serviço público conseguindo colocação na Comissão de Estudos do Rio Jacuí, chefiada por José Joaquim Felizardo Júnior. Em 1899, adere a Igreja Positivista do Brasil, movimento integrado essencialmente por engenheiros e funcionários públicos estaduais.
Em 1901, era segundo Condutor da Diretoria da Viação, sendo nomeado Ajudante da de Obras Públicas, Terras e Colonização. Em 1903, foi incumbido de dirigir a construção da estrada “Júlio de Castilhos”, ligando São Sebastião do Caí aos campos de Vacaria. Como funcionário da Secretaria Estadual das Obras Públicas foi o responsável pela implementação da política fundiária do Rio Grande do Sul por duas décadas.
Torres Gonçalves procurou direcionar sua ação de acordo com os preceitos que Auguste Comte estabeleceu sob a “angélica inspiração” de Clotilde de Vaux. Mas não foi apenas na esfera pública de sua vida que Torres Gonçalves procurou aplicar os preceitos positivistas.
Neste mesmo ano casou-se com Dagmar Flores Pereira da Cunha, filha de Edmundo Palmeiro Pereira da Cunha e Mariana Barreto Flores e neta de Luís da Silva Flores. Com sua esposa teve seis filhos, cuja educação era supervisionada pelo casal, ministrada por professores particulares. O estrito cumprimento dos preceitos positivistas fez com que somente uma das três filhas do casal se casassem, sendo os demais filhos desencorajados a cursar uma universidade. A filha que se casou foi Clotilde Teresa Torres Gonçalves, com o médico Caio Escobar, simpático ao positivismo. Outro filho, Jorge Torres Gonçalves chegou a cursar uma universidade, por conta própria, quando trabalhava no Ministério do Trabalho, no Rio de Janeiro.
Em julho de 1906 foi nomeado diretor de Terras e Colonização do governo do Rio Grande do Sul, permanecendo neste cargo até 1928.
Foi em 1908, planejou e fundou a Colônia Erechim, atendendo aos princípios positivistas para tornar-se modelo de colonização. O significado de Erechim, termo de origem caingangue, é "campo pequeno", nome esse dado provavelmente por a cidade ser rodeada de florestas na época.
O empreendimento teve rápido progresso econômico, facilitado não só pela presença de uma ferrovia, mas também pelas estradas planejadas durante a concepção da colônia e que foram construídas de acordo com os traçados previstos.
Erechim é uma das poucas cidades brasileiras planejadas. O traçado urbano segue o modelo das capitais, como Belo Horizonte (1897), Washington (1791). Buenos Aires (1580) e Paris (1850). Foi projetada para ser o centro urbano da Colônia de Erechim, embalada pelos ideais positivistas do francês Augusto Comte. O centro urbano na forma de um círculo, cortado por duas diagonais, evidencia o conceito urbanístico “xadrez com diagonais”, que lhe confere a mística de urbe diferenciada, pensada por urbanista seguidor da doutrina positivista, que vê o homem no centro de tudo, notadamente do meio onde ele vive. Da rótula central nascem dez grandes avenidas que se estendem aos bairros mais distantes.
Em 1928 a diretoria de Terras e Colonização é extinta pelo governador Getúlio Vargas, sendo transferido para a Diretoria de Viação Fluvial.
Em 1934 é aposentado por Flores da Cunha e muda-se para o Rio de Janeiro, com a esposa e a filha, onde manteve suas atividades positivistas na Igreja Positivista do Brasil. O engenheiro civil Carlos Torres Gonçalves foi um dos mais importantes positivistas religiosos do Rio Grande do Sul e do Brasil ao longo do século XX, sendo o principal responsável pela construção da Capela Positivista de Porto Alegre. Na sua trajetória como propagandista da IBP.
O “projetista de Erechim” faleceu em 19 de junho de 1974 no Rio de Janeiro.