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Expressão Plural

O que faltou dizer sobre as Copas (parte 2)

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Everton Ruchel
Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

Este é o segundo texto que escrevo com o que faltou dizer sobre as Copas do Mundo. Hoje é a vez de 1950, 1954, 1958, 1962 e 1966.

A maior zebra: o confronto entre Inglaterra e Estados Unidos na Copa do Mundo de 1950, no Brasil, ficou conhecido como a maior zebra da história do torneio. Em Belo Horizonte, os amadores norte-americanos venceram os profissionais ingleses por 1 a 0, gol marcado pelo imigrante haitiano Joe Gaetjens. O espanto foi tanto, que alguns jornais da Inglaterra acreditaram haver um erro na transmissão via telégrafo do resultado, divulgando o placar como 10 a 1 para os ingleses.

Troca de camisa: também em 1950, México e Suíça se enfrentaram no Estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre, com camisas vermelhas quase idênticas. Como os mexicanos perderam o cara ou coroa, tiveram de improvisar outro uniforme, mas o clube dono do estádio, o Internacional, também usava vermelho. A solução então foi emprestar camisas em azul e branco listrado do Esporte Clube Cruzeiro, o time mais próximo do local da partida. Os suíços venceram por 2 a 1.

A partida com mais gols: na Copa do Mundo de 1954, na Suíça, aconteceu o jogo com mais gols na história do torneio. Nas quartas de final, a Áustria venceu a Suíça por 7 a 5, em um total de 12 gols. Os suíços chegaram a abrir 3 a 0, mas sofreram uma virada para 5 a 3 ainda no primeiro tempo.

Chuteiras do milagre: na final da Copa de 1954, a vitória da Alemanha sobre a Hungria teve um detalhe técnico que fez a diferença. Os alemães utilizaram chuteiras da Adidas impermeáveis e com travas removíveis, que puderam ser ajustadas às condições do gramado molhado pela chuva, garantindo melhor aderência e contribuindo para o desempenho da equipe contra os húngaros, que calçaram chuteiras de couro pesadas e com travas de metal.

Numeração aleatória: ao embarcar para a Copa do Mundo de 1958, o Brasil esqueceu de levar a numeração das camisas dos jogadores para a FIFA. A solução da entidade foi improvisar números aleatórios, sem uma ordem fixa por posição, como o goleiro Gilmar vestindo a camisa 3, o lateral Nilton Santos vestindo a 12 e o meia Didi vestindo a 6. A aleatoriedade também deu a camisa 10 ao jovem Pelé, sem ninguém ainda saber que ele se tornaria o Rei ainda naquele torneio na Suécia.

Erguendo a taça: o gesto de erguer a taça acima da cabeça após a conquista de um campeonato começou na Copa de 1958. O zagueiro e capitão do Brasil, Bellini, ergueu o troféu Jules Rimet de forma improvisada para atender aos fotógrafos. Cercado por repórteres e com dificuldade para conseguir um bom ângulo, um fotógrafo pediu que ele levantasse a taça para que todos pudessem registrar o momento. A moda foi adotada universalmente no esporte.

Cachorro em campo: durante a partida entre Brasil e Inglaterra, pelas quartas de final da Copa do Mundo de 1962, no Chile, um cachorro invadiu o gramado e protagonizou uma cena inusitada ao driblar jogadores e interromper o jogo. Até mesmo o imparável Garrincha acabou parado pelo animal, que só foi retirado de campo apenas após muita correria.

A expulsão confusa: a criação dos cartões amarelo e vermelho teve origem em uma confusão ocorrida na Copa do Mundo de 1966, durante o jogo entre Inglaterra e Argentina. Na ocasião, o argentino Antonio Rattín foi expulso, mas, sem entender a ordem do árbitro alemão Rudolf Kreitlein, demorou a deixar o campo, gerando tumulto com os ingleses, donos da casa. O episódio levou o ex-árbitro inglês Ken Aston a idealizar o sistema de cartões, inspirado nas cores do semáforo, para tornar as decisões mais claras.

Primeiro mascote: a Copa de 1966 marcou a introdução do primeiro mascote oficial do torneio, Willie, um leão vestido com a bandeira do Reino Unido. A iniciativa foi um sucesso e abriu caminho para que todas as edições seguintes adotassem personagens simbólicos como parte da identidade visual.

Por enquanto é só. Semana que vem, a parte três.

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