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Opinião

Memórias de viagem

Viagem Transiberiana de Trem: Rússia – Sibéria – Mongólia – China - (29)

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein – Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

Sensacional, quase indescritível, a viagem à China. Situado no continente asiático, o país mais povoado do mundo possui uma história marcada pela presença de culturas que deixaram maravilhas. Visitar esse país significa ir ao encontro da civilização mais antiga do mundo: é vivenciar suas tradições e, ao mesmo tempo, deslumbrar-se com o avanço da modernidade e da tecnologia. Maravilhar-se é subir algumas dezenas de degraus na Cidade Proibida e contemplar o horizonte nesta construção iniciada em 221 a.C.

Vivenciando a cidade de Pequim: muito interessante é a feira de Wangfujing, onde se oferecem espetinhos de escorpião. Não tive coragem de experimentar, mas quem provou disse que o sabor é delicioso. Em Pequim, os turistas gostam de andar pela cidade no “riquixá” – uma bicicleta com uma carrocinha para levar passageiros. Seus condutores estão sempre sorridentes e prestativos, fazendo malabarismos no trânsito – haja coragem! Interessante também é, durante a visita ao Palácio na Cidade Proibida, vestir trajes de imperatriz, com todos os adereços, para tirar uma foto. Creiam, é imperdível!

Na velha Pequim: meio milhão de pessoas foram despejadas de suas tradicionais casas para dar espaço a edifícios, shoppings e também ao McDonald’s e ao Starbucks. Por trás das paredes cinza das antigas vielas de Pequim, a vida se arrasta no mesmo ritmo de tempos atrás. Os pequenos estudantes, com lenço vermelho ao pescoço, saem da escola brincando com ioiôs. As ruelas lembram os canais de Veneza: estreitas, quase encostando nas paredes, com pouco espaço para um carro passar. Elas são alinhadas por casas de tijolos cinza, com quintais. No início do comunismo, em 1949, essas casas foram apropriadas e redistribuídas pelo governo. Hoje, incorporadores pagam a quem quiser vender o equivalente a mil dólares por metro quadrado de terra. Ela vale muito mais, mas não é o bastante para comprar um apartamento perto do velho bairro. Enquanto isso, surgem novos condomínios fechados, no estilo americano, batizados como Park Avenue, Califórnia Town e outros.

No bairro de Qianmen estão os restaurantes mais tradicionais e conhecidos da cidade. Neste local, as alamedas Liulichang e Dazhalan são os lugares comerciais mais concorridos e antigos para pedestres na cidade, ficando repletos de turistas em busca da Velha Pequim. Nelas também funcionam casas de chá e bares – nestes, a tradição é servir, junto à bebida, bolinhos fritos e leite de soja quente. Artistas e antiquários enchem os locais.

Visita a uma fábrica de joias com pérolas: as pérolas usadas são cultivadas, não naturais. As naturais são raras e caríssimas. Conhecemos um criatório de “ostras”, de onde retiram as pérolas. Nas ostras, injetam uma pequena lasquinha de casca da mesma. Dentro, o ser existente, em reação, envolve o objeto injetado com uma substância, dando muitas voltas. Esta é uma secreção leitosa que vai endurecendo. Depois de determinado tempo, a ostra é aberta e a pérola retirada. Muitas joias em ouro branco e amarelo são lindamente elaboradas, ou simplesmente um colar com um fio de pérolas. O preço é bem acessível, e vale a pena adquirir algo para lembrança.

A China e as obras de arte: em outro local, conhecemos trabalhos realizados em “jade” – pedra semipreciosa em belos tons verdes. Os antigos chineses acreditavam que o jade possuía poderes mágicos e sempre enterravam seus mortos com discos de jade, para que estivessem sempre acompanhados. O jade também servia como forração de ricos ambientes – como no Palácio de Inverno em São Petersburgo, na Rússia. Atualmente, é usado em objetos de decoração e em joias. Lindas lembranças podem ser adquiridas. A técnica de pintura em objetos de cobre, bronze e porcelana os chineses dominaram como nenhum outro povo, sem jamais divulgar sua verdadeira técnica.

Indústria da seda: a China sempre esteve à frente nas obras de arte. A indústria da seda é uma das mais antigas do país. No século I a.C., já existia um comércio transcontinental de seda pela Rota da Seda. Ela é produzida por lagartas em casulos, cultivadas em amoreiras. O tecido verdadeiro é muito macio e leve, e sua importação é bastante cara. Sempre foi desejo de nobres e das classes abastadas. Existem muitas imitações, mas o original é muito caro. Conhecemos uma indústria e as etapas de fabricação do tecido: retirada dos fios – a baba das lagartas – o processo de enrolar, tingimento e tecido final. Havia oferta de lindas peças de seda pura, como camisas e lenços, mas o que mais resultou em compras foram travesseiros e edredons com enchimento de fios de seda. Os fios irregulares ou curtos servem como recheio dessas peças. Eu mesma trouxe travesseiros, que ainda estão em uso, almofadados com fios de seda. Alguns compraram os edredons, que são embalados a vácuo, fáceis de transportar e cabem tranquilamente em malas. Até hoje considero que foi uma compra excelente, pois podem ser lavados sem prejuízo do formato.

Conclusão: uma visita à China causa grande impacto. Nunca poderemos imaginar tudo o que podemos conhecer nesse país de tradição milenar e, ao mesmo tempo, de desenvolvimento tecnológico e pujança. Além da suntuosidade da Cidade Proibida, hoje considerada patrimônio da Humanidade pela UNESCO, há uma sucessão de pavilhões ricamente ornamentados, com esculturas em mármore e obras de arte. O imenso largo da Praça da Paz Celestial, palco das paradas militares da China comunista, reverte em imaginação. O local é sítio do mausoléu de Mao, considerado o Grande. Próximo dali, pode-se visitar bairros que mostram as reais condições de vida dos habitantes. Também são locais de grande turismo com vias de pedestres, comércio, bares, casas de chá e restaurantes. Além disso tudo, há a Disneylândia chinesa. A China não se esgota em uma visita. Zài Jiàn! Até breve!

 

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