Embora atualmente o Carnaval não figure entre os maiores eventos do calendário cultural local, a festa já teve papel de destaque na vida social de Erechim. Informações repassadas pelo coordenador do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font, Henrique Trizotto, ajudam a reconstruir a trajetória das primeiras manifestações carnavalescas no município.
Primeiros registros da história
Segundo os registros históricos, há poucas produções documentais sobre o Carnaval erechinense, especialmente até a década de 1950. O documento mais antigo encontrado no Arquivo Histórico data de 1931, quando o Clube Germania promoveu festejos carnavalescos na Sociedade Progressista de José Bonifácio. Já nos anos 1940, ganha destaque o Bloco dos Solteiros, ligado ao Ypiranga Futebol Clube.
Blocos carnavalescos
Os primeiros blocos carnavalescos surgiram, em sua maioria, a partir de clubes sociais e esportivos. Entre os pioneiros estão o Ítalo Brasileiro, o Ypiranga FC, além dos blocos independentes Pyrilampos e Piratas, que contribuíram para a consolidação do Carnaval como um evento comunitário.
Carnaval de rua
Um dos períodos mais marcantes da festa ocorreu entre 1951 e 1968, quando a Rádio Erechim assumiu a organização do Carnaval de Rua. Durante 17 anos, os desfiles aconteceram na Avenida Maurício Cardoso e incluíam a escolha da Rainha do Carnaval, além da figura do Rei Momo, papel exercido por Milton Doninelli. A iniciativa ampliou a participação popular e deu maior visibilidade aos festejos.
Laços sociais
Apesar de o Carnaval brasileiro ter raízes nas tradições de matriz africana, em Erechim a festa também se desenvolveu como um importante espaço de sociabilidade entre as comunidades de imigrantes. Clubes como Atlântico, Ypiranga, 14 de Julho, 13 de Maio, Clube do Comércio, Aimoré e Caixeral promoviam bailes e eventos carnavalescos voltados a sócios e simpatizantes, fortalecendo os laços sociais.
Entre os diferenciais do Carnaval de Erechim em relação a outras cidades da região, Henrique Trizotto destaca a atuação da Rádio Erechim na organização dos desfiles, o envolvimento de figuras comunitárias como Edmundo Palhano Sobrinho, conhecido como “Panela”, e a presença do Clube 13 de Maio, um clube negro no município. Esse aspecto reforça o caráter popular da festa e sua conexão com a população de matriz africana.