A desgraça é uma coisa doida mesmo, pois ela nunca vem sozinha quando acontece e os seus efeitos, normalmente são muito grandes, principalmente quando prédios que abrigam parte de nossa história acabam sendo atingidos.
A primeira grande perda na história da humanidade de documentos históricos ocorreu na biblioteca de Alexandria que foi acometida pelo fogo e consumiu centenas de milhares de papiros. Grande parte da cultura e acontecimentos daquela época estavam guardadas e se perderam.
Assim também ocorrem quando existem bombas que devastam cidades em tempos de guerra, já que elas não escolhem lugar para cair, além das inundações, terremotos e outros efeitos climáticos que deixam rastro de destruição e perdas irreparáveis.
Quando ocorrem se perde livros, publicações, obras de arte e outros artefatos que representam uma era, culturas e costumes de um povo. Como igrejas e templos milenares, a perda com prejuízo para a história são muito doloridos, pois não pode se recuperar o que já passou.
Erechim também viveu um cenário de guerra que se abateu após a chuva de granizo no último domingo, a cidade chora com as perdas que ocorreram. Entre um dos locais que sofreram grandes avarias está o prédio do Arquivo Histórico Municipal, da Secretaria De Cultura, Esporte e Economia Criativa e a Biblioteca Pública Municipal que tiveram parte de seu telhado destruído com as pedras que caíram em Erechim. Afinal, todas as três estão no mesmo local.
Em uma passada no nosso Arquivo Histórico e na Biblioteca Pública Municipal, é visível constatar o que as pedras e a água deixaram de rastro, de estragos e de perdas irrecuperáveis, principalmente de arquivos de jornais que nem existem mais, que são passado, mas que fazem parte de nossa história.
O cenário é desolador: arquivos secando ao sol, outros sendo secados com secadores de cabelo, outros irrecuperáveis. De um local que recebia diariamente um grande número de visitantes e alunos, agora uma grande frente de recuperação, de união de esforços e de tentar salvar o máximo que se pode, de garantir que grande parte da história de Erechim não se perca para sempre.
Nesta união de esforços, desde a última segunda, estão alunos e professores do curso de História da Universidade Federal da Fronteira Sul que fizeram um mutirão nos trabalhos de recuperação.
Como diz o Coordenador do Arquivo Histórico, Henrique Trizotto, a união fez a diferença neste momento e continuará fazendo até que o cenário interno mude, que as telhas sejam trocadas, (já está ocorrendo), que os documentos sequem e que as perdas, no final, não sejam tão significativas para a vida seguir em frente. Igual situação da Biblioteca Pública Municipal.
No total das ações foram substituídas cerca 260 caixas de arquivo, que estavam úmidas ou molhadas (principalmente processos crime, processos cíveis, monografias). Metade do Diário de Notícias, 1/3 do A Voz da Serra, 80% do diário da Manhã, 1/3 do Jornal Bom Dia e 3 das 12 gavetas da mapoteca com todos os mapas molhados
“Essa chuva de granizo trouxe prejuízos incalculáveis ao Arquivo Histórico. Mesas, armários e prateleiras podem ser substituídos, mas cada documento que se perder é um pedaço da nossa história e da nossa memória que será muito difícil, para não dizer impossível de se recuperar”, garante Trizotto, afirmando ainda que, é um duro golpe a um espaço que há 45 anos (completos no último dia 18) luta para salvaguardar o patrimônio documental do município e salvaguardar a memória e a história Erechim.