A não privatização dos Correios foi debatida em Erechim durante audiência pública realizada na Câmara de Vereadores. No encontro na noite de sexta-feira (21) foi abordada a necessidade de contratação de mais profissionais para atender as grandes demandas regionais, como a manutenção das atuais frotas que, pelo uso constante e o sucateamento acaba dificultando o trabalho e colocando a vida dos carteiros em risco diariamente.
O debate foi proposto pelo vereador Leandro Basso (PRB) e contou com a presença de representantes do sindicato da categoria da capital do Estado e de Passo Fundo, além do vice-prefeito eleito para a gestão 2017/2020, vereador Marcos Lando (PDT).
“A não contratação de novos carteiros desde 2011 e a demissão voluntária de mais de 1.500 funcionários mostra a necessidade urgente para uma reposição através de um novo concurso público. Hoje, para os que estão trabalhando é cobrada, com muita pressão, uma meta estabelecida diariamente. Temos que deixar claro, nesta oportunidade, que quando a correspondência acaba não chegando na casa do cidadão, a culpa não é do carteiro, mas de uma grande situação hoje vivida pela categoria”, defendeu o presidente Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do RS, Yuri Monteiro Aguiar
Para Leandro Basso a presença do Estado, no caso através dos Correios, é referência da população em todos os lugares do Brasil. “Hoje vivemos uma realidade local onde 23 bairros que estão dentro do novo mapa urbano do município não recebem correspondências. Regiões estão recebendo com atraso, o que gera prejuízo para a população”.
Ainda com relação à Erechim, categoria destaca que procurou o vereador Leandro Basso pelo fato de que se buscou, através do Ministério Público, a exigência, através da Direção Nacional, para a contratação imediata de mais profissionais. Hoje Erechim está dividida em 31 regiões e a partir desta semana serão mais 22. “Não tem como fazer a entrega com duas cargas de correspondências. Há um excesso de peso, o que acarreta na formação de muitas doenças devido ao desgaste físico e o assédio moral no cumprimento de metas. Hoje se carrega cerca de 15 quilos em correspondência, muito mais do estabelecido por lei, além de um trajeto diário que pode chegar entre 30 a 35 km/dia. Não suportamos mais”.
No final dos trabalhos, após um relato de servidores que colocaram a sua realidade diária, ou seja, dos problemas físico e mental que sofrem devido a atual pressão que recebem, como o aumento das regiões que deverão ser cumpridas, seja no município de Erechim, como dos demais que fazem parte da AMAU, ficou estabelecido que o Poder Legislativo será o canal com a sociedade local e a categoria. Para tanto, será elaborada uma Moção de Apoio, através da Casa Legislativa, que será enviada para as mais diferentes lideranças na Capital Federal através das da Bancada Gaúcha, como Senado e a própria direção nacional da estatal.
Também se estabelecerá um caminho com o Ministério Público para debater o tema. O MP exige a entrega das correspondências e o Sindicato quer a contratação de mais funcionários para amenizar os atuais desgastes.