Natural de Porto Alegre, Luís Fernando Santos Corrêa da Silva é filho de trabalhadores urbanos e pai de um filho de 26 anos. Casado com uma professora universitária da área de Enfermagem, mora em Erechim desde 2010, quando ingressou como docente na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Atualmente, leciona Sociologia em cursos de graduação, especialização e no Mestrado Interdisciplinar em Ciências Humanas, e exerce a função de Diretor do Campus Erechim. Sua formação acadêmica foi concluída na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde realizou graduação, mestrado e doutorado, além de um estágio pós-doutoral no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, em Portugal.
A escolha pela docência surgiu a partir de duas inspirações. “Cresci ouvindo minha avó paterna, professora alfabetizadora em uma escola rural, contar sobre as aulas em barracões de chão batido e a alegria de conduzir crianças e adultos nos primeiros passos pelo mundo das palavras e dos números”, lembra. A segunda inspiração veio na universidade. “Encantei-me com a possibilidade de atuar no ensino superior, um espaço que une docência, pesquisa científica e extensão universitária. Desde então, nunca mais tive dúvidas: ser professor universitário é o que quero fazer por toda a vida.”
Ao analisar as mudanças na educação, ele observa que o contexto social transformou o ensino superior. “Quando comecei, a busca por uma vaga na universidade era intensa — cursar uma graduação era um sonho para poucos. Hoje, novas instituições foram criadas, o número de jovens diminuiu, o que ampliou o acesso e reduziu a concorrência. Ao mesmo tempo, vivemos um contexto de mudanças aceleradas, marcadas pela tecnologia e pela necessidade de adaptação constante. Isso impacta diretamente a forma como a sociedade e os jovens veem o ensino superior.”
Sobre os estudantes contemporâneos, Luís Fernando diz: “Cada geração tem seus próprios modos de compreender o mundo. As aspirações e os interesses dos jovens mudaram, e é natural que mudem. O papel da educação continua sendo o mesmo: formar cidadãos críticos, conscientes e preparados para o mundo do trabalho. Reconhecer que o estudante atual vive em um mundo acelerado, hiperconectado e desafiador é o primeiro passo para uma educação que dialogue verdadeiramente com o seu tempo.”
Para ele, a educação permanece essencial: “Há quem diga que a escola e a universidade vêm perdendo importância diante da inteligência artificial e da difusão instantânea de informações. Não compartilho dessa visão. A sociedade continuará precisando de bons profissionais e cidadãos capazes de conviver, pensar criticamente e participar da vida coletiva. Ser professor é fazer uma aposta permanente na capacidade humanizadora da educação, que nos transforma e nos permite colaborar para a transformação do mundo.”