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Saúde

Cuidar da visão começa na infância e dura a vida inteira

O Dia Mundial da Visão mostra a importância dos cuidados com os olhos desde os primeiros meses de vida

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“A visão é tudo para termos bem-estar. E para chegar bem à velhice, precisamos começar a cuidar desd
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Amanda Gatti

O Dia Mundial da Visão, que acontece sempre na segunda quinta-feira de outubro, vem justamente para que a população se volte para os cuidados com os olhos desde os primeiros meses de vida.

Desenvolvimento da visão

O desenvolvimento da visão não acontece de forma imediata após o nascimento. Conforme explica a oftalmopediatra do Instituto de Olhos Santa Luzia, Dra. Daniele Bica Madalozzo, o processo é gradual e depende de estímulos externos.

“As crianças não nascem enxergando bem como os adultos. A visão vai se aperfeiçoando nos primeiros anos de vida. Qualquer coisa que atrapalha esse desenvolvimento pode acarretar consequências para o resto da vida”, alerta a médica.

Nos primeiros meses, o bebê enxerga vultos e distingue apenas algumas formas de perto, como o rosto dos pais. Com o tempo, as conexões cerebrais responsáveis pela visão se fortalecem, e a criança passa a ver com mais nitidez. Por volta dos 2 anos, sua visão se aproxima da de um adulto.

Daltonismo e outros problemas visuais

Um equívoco é associar o daltonismo ao mau desenvolvimento visual. Este distúrbio é genético e não pode ser prevenido nos primeiros anos.

“O daltonismo não é uma anomalia do desenvolvimento da visão. É uma questão genética”, esclarece a oftalmologista.

Já outros problemas, como a catarata congênita, o estrabismo, a diferença de grau entre os olhos ou a ptose (pálpebra caída), podem afetar diretamente o desenvolvimento visual se não forem detectados e tratados a tempo. Esses quadros impedem a entrada adequada de luz nos olhos, prejudicando a formação plena da visão.

O período crítico é até os 7 anos de idade

A chamada neuroplasticidade visual ocorre até cerca dos 7 anos. É nesse período que os tratamentos são mais eficazes.

“Quanto antes a gente agir, melhor o resultado. Uma catarata congênita, por exemplo, deve ser operada o quanto antes. O estrabismo também deve ser tratado precocemente, com uso de tampão se necessário”, explica a Dra. Daniele.

O tampão ocular, aliás, é uma ferramenta essencial para tratar a ambliopia, conhecida popularmente como "olho preguiçoso".

“Algumas pessoas acham que o tampão é para corrigir o estrabismo, mas ele serve para estimular o desenvolvimento da visão no olho mais fraco”, pontua.

A importância do diagnóstico precoce

Se problemas visuais não forem identificados até os 7 anos, as chances de reversão diminuem consideravelmente. Muitas vezes, os pais não percebem que a criança tem dificuldade de enxergar, especialmente quando apenas um dos olhos é afetado.

“A criança enxerga com um dos olhos, brinca, corre, parece tudo normal. Só que se não fecharmos um olho de cada vez, não percebemos o problema. Por isso as consultas de rotina são tão importantes”, destaca a médica.

Primeira consulta

Mesmo que o teste do reflexo vermelho, feito na maternidade, tenha sido normal, é recomendada uma primeira consulta com oftalmologista entre 6 meses e 1 ano de idade. A segunda consulta importante deve ocorrer entre os 2 anos e meio e 3 anos.

“Com 2 anos e meio, a visão da criança já é semelhante à do adulto. Nessa fase, conseguimos avaliar melhor a acuidade visual com desenhos e outros testes”, informa a Dra. Daniele.

Sinais de alerta para os pais

Alguns comportamentos podem indicar que a criança não está enxergando bem, como a presença de estrabismo após os 6 meses de idade, aproximação excessiva da TV, falta de contato visual com os pais, dificuldade para pegar brinquedos, dores de cabeça em crianças maiores e queda no rendimento escolar.

“Muitas vezes, a criança não sabe que não enxerga bem. Ela se adapta à baixa visão, o que dificulta a percepção do problema pelos adultos”, reforça.

Óculos na infância

O diagnóstico da necessidade de óculos em crianças pequenas costuma gerar insegurança entre os pais. “Muitos perguntam se o uso será para a vida toda. Digo que, nos primeiros anos, com certeza será necessário. Mas com o tempo, pode-se pensar até em cirurgia refrativa, lá pelos 21 anos. O mais importante é que os óculos vão melhorar a interação da criança com o mundo”, afirma a médica.

A recomendação é que os pais envolvam as crianças na escolha das armações, tornando o uso mais leve e natural. “Óculos para criança não é para descanso. Quando indicamos, é porque realmente precisa. E a criança, ao perceber a melhora, quer usar”, completa.

Lentes de contato para crianças

Embora não seja comum, há casos específicos em que o uso de lentes de contato é indicado em crianças, como em graus muito altos ou após cirurgia de catarata congênita unilateral. Em alguns casos, o uso pode ser liberado durante a prática de esportes, com supervisão dos pais. “A gente não pode privar a criança de atividades físicas por causa do óculos. Se for necessário, a lente pode ser usada por períodos específicos, sempre com higiene e cuidado”, orienta.

Traumas oculares

As crianças, por sua natureza curiosa e enérgica, não têm noção clara de perigo. Isso aumenta o risco de acidentes oculares. “O adulto precisa supervisionar as brincadeiras. Muitos acidentes acontecem com objetos pontiagudos, como garfos, lápis e brinquedos”, alerta Dra. Daniele.

É fundamental também manter as crianças longe de atividades perigosas realizadas por adultos, como cortar grama, lenha ou manusear ferramentas.

Saúde ocular na vida adulta

Os cuidados com os olhos não terminam na infância. Na fase adulta, a frequência das consultas oftalmológicas depende do histórico pessoal e familiar. “Pacientes com doenças como diabetes, hipertensão ou que fazem uso contínuo de medicamentos devem consultar anualmente”, explica.

Quem tem histórico familiar de doenças como glaucoma ou degenerações da retina deve começar o acompanhamento a partir dos 40 anos. Já os adultos sem sintomas devem consultar o oftalmologista a cada 2 ou 3 anos.

Manutenção da saúde ocular no dia a dia

Além das consultas regulares, algumas práticas ajudam a manter a saúde dos olhos, como uma alimentação equilibrada, controle de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, evitar coçar os olhos (principalmente em casos de alergia), fazer pausas durante o uso prolongado de telas e cuidar da lubrificação ocular.

“Essas consultas de rotina são importantíssimas. Às vezes, você sai tranquilo, com retorno só daqui a anos. Outras vezes, detectamos algo que exige um cuidado mais frequente”, ressalta a oftalmologista.

Um cuidado para a vida toda

A saúde ocular exige atenção desde os primeiros meses até a terceira idade. Problemas não identificados na infância podem ter impacto para toda a vida, e os cuidados preventivos são essenciais para manter a autonomia e qualidade de vida na velhice.

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