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Opinião

Memórias de viagem

Viagem Transiberiana de Trem: Rússia-Sibéria-Mongólia-China (9)

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

Iniciando a viagem de trem

Domingo, às 18 horas iniciou a nossa grande aventura. Em nossa cabine, cercados pelos companheiros brasileiros, 32 no nosso esquema de viagem. O nosso vagão era dos primeiros do comboio. No início e em quase todo o trajeto, o trem usava o sistema elétrico- postes e fios nos acompanhavam. Isso permitia muita estabilidade e não muitos trancos. Iniciamos a nossa acomodação colocando a nossa bagagem nos devidos lugares. Não demorou muito para chegar o momento do jantar. Nos dirigimos ao restaurante Yenisey, abrindo e fechando portas. Fomos recebidos com aplausos e a nossa guia, falando um perfeito português, se apresentou – a Sonja - que acompanharia, durante toda a viagem, o nosso grupo de 32 brasileiros.  Brindamos com um cálice de vodca. Assim, iniciou a nossa grande aventura.

Passando pelos Montes Urais

A primeira atração são os Montes Urais, mencionados diversas vezes. É uma cadeia montanhosa que divide a parte europeia e asiática da Rússia. Possui 2 500 km de extensão e cortam a Rússia no sentido norte-sul. Lugares de eventos históricos e de grandes batalhas. Lugares onde aconteceram as filmagens do épico filme Doctor Jhivago. Relembrando um pouco o filme. a nossa memória passa por lugares cobertos pela neve, difíceis de serem transpostos, como acontece na realidade. Noite fechada, o trem passava pelas montanhas. Foram muitas horas até chegar à parte mais plana do país. Mas, não é necessário dizer, que quase não foi possível dormir. Embora, a cama fosse confortável, várias vezes o trem diminuía a marcha e freava enquanto passava pelos Urais. A máquina ia segurando, segurando e ficávamos atentos. Aconteceram algumas bruscas paradas. Acordados, sem grandes sustos, ficávamos imaginando onde estávamos. Pela janela, passavam pequenas vilas com amarelados pontos de luz e depois... a escuridão. Como o sono não era possível, fomos para o corredor e ficamos olhando pelas grandes janelas fechadas, pois fazia frio. Não demorou e os companheiros das outras cabines, todos de pijamas, também apareceram e foram conversas e risadas até quase amanhecer. Os Montes Urais também entraram para a nossa história. 

Kazan

Foi a primeira cidade russa a ser visitada, após uma noite de viagem. O trem parou. O nosso ônibus nos esperava para um dia inteiro de visitas. Kazan está localizada a 800km de Moscou. É um país dentro da Rússia- seu lado muçulmano – é a capital e a maior cidade do Tartaristão. Situada à margem esquerda do belo e importante Rio Volga com a confluência do Rio Kama, que desce dos Urais. Foi fundada no século XIII, depois que os mongóis dominaram a região. Em 1552, após uma revolta, Ivan, o Terrível a tornou o principal centro da Rússia na região do Rio Volga. Sua importante atividade comercial chegava aos Montes Urais e até à Sibéria. Em 1920, tornou-se a capital da Tartária, na época, pertencente à Rússia.

Sua economia

Muito importante por sua horticultura que abastece Moscou e pelo seu gado leiteiro. Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas indústrias foram transferidas para Kazan: metalurgia, indústrias de maquinarias, elétricas, mecânicas e químicas. Possui importante ligação ferroviária com Moscou e com a Transiberiana, atravessando os Montes Urais, um ativo porto e importante aeroporto.

Ensino e cultura

A antiga Universidade de Kazan, fundada em 1804, hoje é chamada de Universidade Vladimir Ilitch Lênin, por este ter sido seu aluno. Ela serviu de base para a organização de muitas escolas superiores. Com isso, a cidade tornou-se notável centro cultural. Possui um museu com afamada coleção sobre os povos que habitaram a região do Rio Volga. Muito importante são suas mostras em arqueologia e arte. Uma bela casa de Ópera com a tradição em balé russo e arte dramática. O belo prédio do Museu está localizado numa esquina. As janelas estão escondidas por sequência de altas e majestosas colunas. Uma cúpula sobressai no alto.

Arquitetura de Kazan

O centro da cidade apresenta belos prédios de poucos andares, muito bem cuidados. Uma   ponte com diversos acessos passa sobre o Rio Volga. No outro lado da margem, encontra-se a moderna Kazan. Dominam altos prédios e inclusive um gigantesco Estádio, que serviu aos Jogos Olímpicos.

O Kremlin de Kazan

É uma bela fortaleza localizada nos altos de uma colina contornada pelo Rio Volga - próxima ao centro. Cercada por belos muros brancos junto a maravilhosos jardins. Já era outono e as flores permaneciam em belos coloridos, prevalecendo o branco com o vermelho. No portão de entrada, uma bela jovem com trajes da cultura Tártara oferecia, sorridente, doces tradicionais de mel. Ela fazia questão de ser fotografada. Os tártaros possuem a fisionomia semelhante aos mongóis, mas com olhos azuis. A entrada acontece num baixo prédio branco encimado por uma torre com bandeira hasteada.

No Kremlin de Kazan

Mesquita Qolsharif: com bela cúpula arredonda em azul e cercada por quatro minaretes pontiagudos, também em azul. Os minaretes são as torres de onde saem os sons que chamam para os diversos horários de oração. Uma bela construção de 1552, onde, dentro da mesma, há uma réplica, de bom tamanho, da linda mesquita com trabalhos em ouro. Outro destaque é a bela Catedral Ortodoxa da Anunciação. Seu espaço interno é amplo, sem paredes ou divisórias. Como destaque, em arquitetura, há ainda o belo palácio presidencial. Outros prédios públicos chamam a atenção pela beleza: a Escola de Cadetes e a Artilharia, onde jovens são treinados como acontece, no Brasil, quando os jovens são chamados a servir o Exército. Pode-se andar livremente pelo Kremlin e como está situado numa região alta, o interessante é sentar nos bancos, dos agradáveis jardins, e perder o olhar para o além e divisar o Rio Volga. Ao longe, as montanhas dos Montes Urais.      

Conclusão

No nosso primeiro dia de visitas, conhecemos a bela cidade de Kazan, que é Patrimônio Mundial da Humanidade desde o ano 2 000. O ônibus especial para o nosso grupo de 32 brasileiros e a guia Sonja, passamos o dia em visitas. Estava escurecendo, quando voltamos ao trem. Reajustamos o relógio para duas horas a mais para a parada do dia seguinte. Antes de chegar às nossas cabines, fomos convidados a ir para a sala didática onde seria apresentada a história e o roteiro da próxima parada. Todos os dias, nos apresentavam como seria o dia seguinte. O trem já se encontrava em movimento. A noite foi mais tranquila, habituamos ao trem.

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