Os javalis são uma espécie exótica invasora no Brasil, hoje uma verdadeira praga e, das mais temidas.
Além dos danos provocados na agricultura e pecuária, afetam os ecossistemas, especialmente nascentes, pequenos riachos, charcos, banhados e florestas nativas, em busca de alimentos e para se refrescarem.
O jornal Correio do Estado, do Mato Grosso do Sul, noticiou no último dia 14/09 que “os javalis são um risco para o ecoturismo do município de Bonito-MS”.
O secretário de Meio Ambiente do município, Thyago Sabino, “destacou a presença dos animais em nascentes e banhados, fundamentais para a limpeza e a transparência da água. Javalis colocam em risco as águas cristalinas de Bonito. O município, paraíso das águas cristalinas e referência em turismo, tem realizado reuniões de um grupo de trabalho interdisciplinar para tratar do impacto dos javalis no ecoturismo, devido à presença do animal exótico, que tem provocado, entre outras coisas, a destruição de nascentes e banhados”. Ainda, “há relatos de avistamentos e danos em todas as regiões (norte, sul, leste e oeste). A capacidade de adaptação ambiental dessa espécie é gigantesca, o que favorece sua ocupação em todo o território”, explicou o secretário.
Muito além do prejuízo à lavoura, a preocupação está em torno do turismo da região, conhecida internacionalmente pela beleza das águas cristalinas. Esse tem sido um dos temas debatidos pelo grupo de trabalho, pelo Conselho de Meio Ambiente (COMDEMA) e pelo Conselho de Turismo (COMTUR). Com isso, segundo explicou, será possível traçar estratégias de enfrentamento ao problema, classificado por ele como de alta relevância para a preservação dos ambientes úmidos.
Risco para o ecoturismo
O município, conhecido pelas águas cristalinas, depende diretamente da preservação dos banhados, que funcionam como filtros naturais, regulam o fluxo de água e são responsáveis diretos pela transparência, um dos cartões-postais de Bonito. Destaca-se como de alta relevância a perturbação e destruição de ambientes úmidos.
Conforme adiantado pelo Correio do Estado, em levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em maio de 2025, verificou-se aumento de propriedades cadastradas no município de Bonito, onde a presença do javali pode colocar em risco o turismo local. Foram cadastradas 883 propriedades no período entre 2024 e 2025. Por meio desse cadastro, esses locais entram no sistema e podem receber controladores para realizar o manejo do javali, cujo abate é permitido no país desde 2013.
Morte das nascentes
O professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), do Instituto de Biociências, Marcelo Bordignon, explicou que o javali procura preferencialmente regiões onde pode encontrar lama, como nascentes de rios e banhados. Nesses locais, o animal exótico utiliza a lama para se livrar de parasitas que ficam no pelo.
Segundo o especialista, “os banhados e as nascentes possuem vegetação arbórea adaptada a áreas úmidas. Nesses locais de nascentes, que são essas áreas um pouco mais baixas, um solo encharcado onde você afunda o pé, como se a água estivesse aflorando do solo, os javalis adoram, porque é onde eles vão ficar rolando e pisando nesse solo.”
Com o tempo, apontou o professor, “pode ocorrer a morte da nascente e, eventualmente, a sujeira desce, acarretando o turvamento da água. Eles estragam a nascente e isso provoca o assoreamento do rio. Então, eles podem provocar a degradação total de uma nascente.” Matéria de Laura Brasil, do dia 14/09/2025, veiculada pelo jornal Correio do Estado.
Audiência pública na Câmara dos Deputados
O tema é tão grave que foi objeto de audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, no mês de agosto, na qual especialistas de diversos órgãos debateram o impacto ambiental. O deputado federal do RS, Alceu Moreira (MDB-RS), coordenador institucional da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), participou da audiência e propôs mudanças urgentes na legislação.
O bicho está pegando!