Transformar peças de jeans sem uso em jogos, estojos, roupas de boneca e até uma cortina foi a proposta que mobilizou os estudantes do 2º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Sete de Setembro, em Erechim. O projeto “Do guarda-roupa para o meio ambiente: educação ambiental e sustentabilidade na prática escolar” foi coordenado pela professora Paula Menegatti e envolveu diretamente os alunos Ana Luísa Calegari Lorezentti, Beatriz Kubiak Grazioli e Fellipe José Nevinski, entre outros colegas da turma.
A iniciativa partiu da reflexão sobre o impacto ambiental da produção e descarte do jeans, tecido que consome grandes quantidades de água e, quando jogado no lixo, pode poluir o meio ambiente.
Aprendizado interdisciplinar
Segundo a professora Paula, trabalhar esse tema com crianças dos anos iniciais ampliou o aprendizado para além do conteúdo escolar. “Conseguimos integrar artes, leitura, matemática e consciência ambiental. Foi um processo de descoberta, em que os alunos criaram, pesquisaram e ajudaram uns aos outros. O envolvimento das famílias foi fundamental para enriquecer a experiência.”
A supervisora escolar Cleci Rodrigues Polinski reforça o papel pedagógico da proposta. “O projeto mostrou que é possível desenvolver consciência ambiental desde cedo, de forma prática e criativa. O comprometimento das famílias surpreendeu e fortaleceu a parceria com a escola.”
Protagonismo dos estudantes
As crianças se mobilizaram em todas as etapas da atividade, desde a coleta de jeans em casa até a produção dos materiais. A estudante Beatriz Kubiak Grazioli contou sobre a peça que produziu. “Eu fiz um jogo da memória, desenhei com canetinha acrílica e depois minha mãe ajudou a decorar com glitter. Foi muito legal, porque se jogássemos o jeans fora ele poderia contaminar. Assim, virou um jogo educativo que outras turmas também podem usar.”
Fellipe José Nevinski falou sobre o reaproveitamento das peças. “Gostei porque a gente pesquisou bastante e cada família ajudou. Os jeans que usamos eram de casa, que não tinham mais utilidade. Agora ganharam outro destino.”
Ana Luísa Calegari Lorezentti comemorou a oportunidade de mostrar o trabalho fora da escola. “Foi muito legal apresentar na universidade, mostrar para tanta gente. Estou feliz com o resultado que alcançamos.”
Impacto dentro e fora da escola
Os jogos confeccionados passaram a ser utilizados também na sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), despertando interesse de estudantes com necessidades específicas. “Um dos alunos se encantou com os materiais e passou a explorá-los com entusiasmo, o que demonstra a relevância do trabalho”, comentou a supervisora.
Além do impacto pedagógico, o projeto também obteve reconhecimento: no dia 4 de setembro, conquistou o 2º lugar na etapa de Projeto Científico nos anos iniciais do Ensino Fundamental na Mostra Regional realizada no campus da UFFS Erechim. Agora, a experiência ultrapassa os limites da região: em novembro, será apresentada na Mostra Estadual 2025, em Porto Alegre.
A supervisora Cleci Polinski destacou a emoção de viver essa conquista ao lado da comunidade escolar. “A animação dos alunos é contagiante, eles estão orgulhosos de mostrar o que produziram. Para nós, enquanto escola, é motivo de alegria participar dessa etapa estadual e ver o trabalho das crianças ganhando visibilidade.”