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Saúde

Pré-eclâmpsia é uma das principais ameaças à saúde materna

Condição exige diagnóstico precoce, atenção contínua e condutas baseadas em evidências para evitar complicações graves

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Dra. Marianne Ongaratto Lumi salienta que a doença é uma das principais causas de óbito materno e qu
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Arquivo Pessoal/ Dra. Marianne Ongaratto Lumi

A pré-eclâmpsia é uma das principais complicações da gravidez e ainda representa um desafio para a saúde materna no Brasil e no mundo. Considerada uma das principais causas de mortalidade materna, a condição exige atenção, diagnóstico precoce e condutas baseadas em evidências.

Diagnóstico além da pressão alta e da proteína na urina

Tradicionalmente, a pré-eclâmpsia era associada à presença de hipertensão e perda de proteína na urina. No entanto, os critérios diagnósticos atuais vão além. “Hoje sabemos que a pré-eclâmpsia não é apenas pressão alta com perda de proteína na urina, como se dizia antes”, esclarece a ginecologista, obstetra e especialista em Medicina Fetal da Saúde da Mulher do Hospital Unimed Erechim, Dra. Marianne Ongaratto Lumi. A condição é caracterizada pelo surgimento de hipertensão após a 20ª semana de gestação, acompanhada de sinais de que outros órgãos da mãe podem estar comprometidos, como rins, fígado, cérebro ou placenta.

Segundo a especialista, a ausência de proteína na urina não descarta o diagnóstico. “Essa mudança foi importante porque permite reconhecer casos mais precocemente e evitando assim ainda mais as possíveis complicações”.

Rastreio precoce já no primeiro trimestre

A triagem de risco para pré-eclâmpsia começa cedo. Entre a 11ª e a 14ª semana de gestação, junto com o ultrassom morfológico, é possível identificar gestantes com maior probabilidade de desenvolver a condição. “Esse protocolo consegue identificar grande parte das mulheres que têm risco aumentado de desenvolver a doença e, assim, começar a prevenção antecipadamente”, afirma a médica.

O exame inclui a dopplervelocimetria das artérias uterinas, aferição da pressão arterial nos dois braços, avaliação do peso, altura e análise do histórico clínico da gestante.

Fatores de risco que exigem mais atenção

Entre os principais fatores de risco para a pré-eclâmpsia estão o histórico da doença em gestação anterior, gravidez gemelar, hipertensão ou doenças renais prévias, diabetes, doenças autoimunes como lúpus, além de obesidade, idade materna extrema (muito jovem ou acima de 35 anos) e histórico familiar. Diante desses fatores, a conduta médica é adaptada. “O acompanhamento é mais rigoroso, com consultas e exames mais frequentes, além de uso de medicações como medidas preventivas”, explica a Dra. Marianne.

Prevenção eficaz com medicação simples

Atualmente, sabe-se que há formas eficazes de prevenção, especialmente em gestantes com risco elevado. A aspirina (ácido acetilsalicílico – AAS), por exemplo, tem se mostrado uma importante aliada quando iniciada ainda no primeiro trimestre. “É um tratamento simples, seguro e eficaz, mas só deve ser indicado pelo médico, após avaliação individual”, ressalta a médica.

Sintomas de alerta que não podem ser ignorados

A identificação precoce dos sintomas é essencial para evitar agravamentos. Segundo a Dra. Marianne, alguns sinais devem chamar atenção imediata: “Dor de cabeça forte que não passa, visão turva ou com pontos luminosos, dor intensa no abdome (principalmente na parte superior), inchaço repentino no rosto e nas mãos, náuseas e vômitos que não cessam no final da gestação, sangramento vaginal, além de diminuição dos movimentos do bebê”. A presença de qualquer um desses sintomas exige avaliação médica imediata.

Conduta após o diagnóstico

O tratamento da pré-eclâmpsia varia conforme a gravidade da doença e o tempo de gestação. “O tratamento depende da gravidade e da idade gestacional”, afirma a especialista. Se a doença é leve e o bebê está em boas condições, o objetivo é prolongar a gestação com segurança, mantendo controle rigoroso da pressão, monitoramento frequente e exames de imagem.

Nos casos graves, a internação é muitas vezes necessária, assim como o uso de medicamentos para evitar complicações como convulsões. “Muitas vezes é preciso antecipar o parto mesmo que o bebê ainda seja prematuro. Isso porque a única forma de “curar” a pré-eclâmpsia é o parto”, explica a Dra. Marianne.

Riscos graves para mãe e bebê

A pré-eclâmpsia pode evoluir rapidamente e trazer consequências severas. “A pré-eclâmpsia pode evoluir rapidamente e causar convulsões, insuficiência de órgãos, síndrome de HELLP e até óbito materno”, alerta a médica. Para o bebê, há risco aumentado de crescimento intrauterino restrito, prematuridade e até morte fetal. “É por isso que, apesar de toda a evolução da medicina, a pré-eclâmpsia ainda é uma das principais causas de mortalidade materna no mundo, especialmente onde o acesso a cuidados de saúde é limitado”, completa.

Cuidados após o parto e prevenção para o futuro

O nascimento do bebê não encerra os cuidados com a saúde da mulher. “Os cuidados não acabam na maternidade”, lembra a Dra. Marianne. A pressão arterial pode piorar nos primeiros dias pós-parto, sendo essencial manter o acompanhamento e monitoramento mesmo após a alta hospitalar.

Além disso, há riscos de longo prazo. “Mulheres que tiveram pré-eclâmpsia têm maior risco de pressão alta crônica e doenças do coração no futuro, e precisam manter acompanhamento regular mesmo após a gestação”. Para futuras gestações, o risco de recorrência existe, mas pode ser minimizado. “Com planejamento adequado e medidas preventivas, esse risco pode ser bastante reduzido. Portanto, é sempre muito importante que, antes de engravidar, qualquer mulher procure atendimento de um obstetra, para deixar seus exames em dia e programar a gestação com muito mais segurança”, conclui a especialista.

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