A melatonina é um hormônio produzido pela glândula pineal, localizada no cérebro, cuja principal função é regular o ciclo circadiano, ou seja, o ritmo biológico de sono e vigília. Além de induzir o sono no final do dia, a melatonina também atua como antioxidante e contribui para o bom funcionamento do organismo.
Produção natural e influência da luz
A produção da melatonina ocorre principalmente no final do dia, quando a luminosidade diminui e o metabolismo desacelera. Por isso, para garantir uma boa noite de sono, é importante evitar luzes artificiais, ruídos ou aromas intensos na hora de dormir, pois esses estímulos podem interferir na liberação do hormônio.
Com o passar dos anos, a produção de melatonina tende a diminuir, o que explica a maior incidência de distúrbios do sono em adultos e idosos. Além da produção natural, a melatonina também pode ser obtida por meio de suplementos e medicamentos, que devem ser utilizados com orientação médica ou de um nutricionista.
Para que serve a melatonina
A melatonina oferece diversos benefícios para a saúde, indo além da regulação do sono.
- Melhorar a qualidade do sono: estudos demonstram que a melatonina ajuda a aumentar o tempo total de sono e reduz o tempo necessário para adormecer, tanto em adultos quanto em crianças, sendo eficaz no tratamento da insônia;
- Fortalecer o sistema imunológico: graças à sua ação antioxidante, a melatonina ajuda a fortalecer o sistema imune, atuando na prevenção de doenças, especialmente infecções virais;
- Proteger o sistema nervoso: como um dos antioxidantes mais potentes conhecidos, a melatonina protege os neurônios da degeneração. Ela pode ser utilizada como coadjuvante no tratamento de doenças como Alzheimer, fibromialgia, enxaqueca, glaucoma, retinopatia, degeneração macular e isquemia;
- Combater a depressão sazonal: a melatonina também é indicada em casos de transtorno afetivo sazonal, um tipo de depressão que ocorre durante o inverno, devido à menor exposição à luz natural. A suplementação ajuda a regular o ritmo circadiano e a melhorar os sintomas como tristeza, excesso de sono e dificuldade de concentração;
- Reduzir a acidez estomacal: o hormônio contribui para diminuir a produção de ácido no estômago e de óxido nítrico, substância que relaxa o esfíncter esofágico. Assim, pode auxiliar no tratamento do refluxo gastroesofágico, especialmente nos casos leves;
- Ajudar no tratamento do câncer: pesquisas com células de câncer de mama, próstata, ovário e endométrio indicam que a melatonina pode potencializar os efeitos da quimioterapia e radioterapia, além de reduzir seus efeitos colaterais. Contudo, ainda são necessários mais estudos em humanos para confirmar esses benefícios.
Funções adicionais da melatonina
Além de regular o sono, a melatonina também desempenha papel importante nos ciclos neuroendócrinos e na regulação da temperatura corporal. Sua atuação é cíclica, acompanhando um ritmo de 24 horas.
Estudos também apontam que ela pode estar envolvida no desenvolvimento fetal precoce, com efeitos diretos na placenta e na sincronização do relógio biológico do feto. Alterações no ciclo circadiano causadas por baixa produção do hormônio estão ligadas a problemas cognitivos, de humor e de comportamento.
Como tomar a melatonina
A melatonina pode ser administrada por meio de suplementos ou medicamentos, sempre com prescrição médica. No Brasil, a ANVISA recomenda uma dose de 0,21 mg por dia para adultos com mais de 19 anos, em comprimidos ou gotas, 1 a 2 horas antes de dormir.
Já os medicamentos podem conter doses maiores: 1 mg, 2 mg, 3 mg, 5 mg ou até 10 mg. É recomendado iniciar com 1 mg, 30 minutos antes de dormir, podendo aumentar conforme orientação médica, com limite de até 10 mg por dia. Doses elevadas aumentam o risco de efeitos colaterais.
Possíveis efeitos colaterais
A melatonina é considerada segura quando usada em baixas doses e por curtos períodos. No entanto, em algumas pessoas, podem ocorrer efeitos adversos como sonolência excessiva durante o dia, fadiga, dor de cabeça, enxaqueca, irritabilidade, dificuldade de concentração, ansiedade ou piora de quadros depressivos.
A probabilidade de efeitos colaterais aumenta conforme a dose ingerida. Em crianças, o uso pode causar crises convulsivas, sendo necessário acompanhamento pediátrico rigoroso.