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Saúde

Erechim forte no combate à Esclerose Múltipla

Do diagnóstico ao tratamento, neurologista ressalta avanços, estigmas e importância da informação sobre a doença

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O neurologista Dr. Bernardo Portal lembra que Erechim está pronta para atender pacientes com EM sem
Os últimos 15 anos foram muito importantes no diagnóstico e no tratamento, que não eram nem um pouco
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Arquivo Pessoal/Dr. Bernardo Portal

A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune que atinge o sistema nervoso central. O próprio organismo ataca estruturas essenciais como a bainha de mielina, que envolve os neurônios do cérebro e da medula espinhal. Isso causa uma degeneração progressiva, levando a diferentes sintomas físicos e cognitivos.

Segundo o neurologista Dr. Bernardo Portal, "os nossos neurônios acabam sendo atacados por uma reação imune do próprio corpo e começam a sofrer uma degeneração progressiva". Essa alteração pode afetar diversas funções, como sensibilidade, força, equilíbrio, coordenação motora, visão e audição.

Nem sempre é esclerose múltipla

Embora os sintomas possam ser diversos, é importante entender que muitos deles também estão presentes em outras doenças neurológicas. “Esses são os principais sinais, porém, que fique muito claro, que esses sintomas quando presentes podem significar em uma análise clínica várias outras doenças inclusive estatisticamente mais prevalentes do que a esclerose múltipla”, afirma Dr. Bernardo.

Um dos sinais mais associados ao início da EM é a perda visual causada por inflamação no nervo óptico, o que gera dor ocular e visão embaçada. "Esse não é específico de esclerose múltipla, mas é bastante prevalente nessa doença", explica o médico.

Importância do diagnóstico precoce

A detecção precoce é fundamental para que se inicie rapidamente o tratamento e, assim, se evite o avanço da incapacidade. O médico enfatiza que “quanto mais consciente a população, quanto mais conscientes os médicos com relação a essa doença, mais precocemente fazemos diagnóstico e conseguimos tratar”.

Os critérios diagnósticos envolvem a análise clínica, exames de imagem, especialmente ressonância magnética, e exames laboratoriais como a análise do líquor (fluido que envolve cérebro e medula). “Todos os exames necessários para esse diagnóstico, sim, nós temos disponíveis aqui na nossa cidade”, afirma Dr. Bernardo, destacando a estrutura de Erechim.

Estrutura completa em Erechim

Erechim conta com todos os recursos para diagnóstico, tratamento e acompanhamento da esclerose múltipla. O neurologista reforça: “Hoje em dia, não há a necessidade de que esses pacientes se desloquem para outra cidade ou outro centro. Nós temos em Erechim toda a estrutura necessária”.

Inclusive, o município possui ressonância magnética de três tesla, tecnologia mais avançada, capaz de detectar com maior sensibilidade os sinais da doença.

Casos na região

A prevalência da esclerose múltipla no Rio Grande do Sul é de cerca de 20 casos para cada 100 mil habitantes. Considerando a população de Erechim, estima-se que pelo menos 20 pacientes diagnosticados vivem na cidade – número que pode ser ainda maior devido a casos não identificados.

“Em se tratando do Alto Uruguai, vamos por cima multiplicar por cinco o nosso cálculo. Então estamos falando de aproximadamente 100 pacientes só no Alto Uruguai que necessitam acompanhamento para essa doença”, aponta Dr. Bernardo.

Tratamento eficaz e acessível

A evolução no tratamento da esclerose múltipla nas últimas duas décadas foi significativa. “Eu diria que os últimos 15 anos foram essenciais, hoje temos medicações de alta eficácia que não existiam ou eram inacessíveis”, comenta.

Todos os medicamentos, de eficácia moderada a alta, são fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “A esclerose múltipla está muito bem amparada na parte do tratamento e isso nesta área funciona de forma muito adequada”, garante o neurologista.

Avanços nos estudos e diagnóstico

O número de pesquisas científicas sobre a esclerose múltipla e doenças autoimunes tem crescido exponencialmente. Hoje, os critérios diagnósticos estão mais sensíveis, permitindo identificar casos mais cedo.

“Casos que no passado acabavam ficando ainda sem um critério real para o diagnóstico, hoje já estão ficando um pouco mais fáceis. Os critérios de imagem estão mais específicos”, destaca Dr. Bernardo.

Fatores de risco

Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver a doença. Entre eles:

- Sexo feminino;

- Idade entre 20 e 40 anos;

- Origem genética europeia;

- Deficiência de vitamina D;

- Infecção pelo vírus Epstein-Barr;

- Obesidade;

- Tabagismo.

A localização geográfica também influencia. “No Sul do Brasil, temos uma origem europeia, principalmente do leste europeu, onde a prevalência dessa doença é muito alta”, explica o médico.

Impacto psicológico e social

Dr. Bernardo alerta para os estigmas que ainda cercam a doença. “Acho que é uma doença ainda hoje bastante estigmatizada, talvez até pelo seu nome, que fala nesse sentido pejorativo de uma doença neurodegenerativa chamada esclerose”.

Diferente de outras escleroses, como a esclerose lateral amiotrófica, a EM tem tratamento eficaz e possibilidade de controle. A conscientização e o apoio psicológico são fundamentais tanto para os pacientes quanto para suas famílias.

A importância do acompanhamento contínuo

Mesmo após o diagnóstico, o acompanhamento médico regular é essencial. Isso inclui exames de imagem periódicos, avaliação neurológica e monitoramento dos efeitos colaterais dos medicamentos.

“As medicações que usamos têm efeitos colaterais, precisamos ajustar conforme a necessidade para evitar ao máximo que o paciente venha a ter sintomas e diminuir o risco de incapacidade no futuro”.

Qualidade de vida é possível

Com o tratamento adequado, é possível manter uma vida próxima do normal. “Esse paciente pode manter sua vida laboral, familiar e a paciente, no caso de mulher, vai poder, sim, gestar, ter filhos, ter a sua vida mais próxima da normalidade”, garante Dr. Bernardo.

O neurologista também enfatiza que existem protocolos internacionais seguidos à risca em Erechim, o que garante segurança e eficácia no acompanhamento.

Informação e esperança

Dr. Bernardo Portal explica que “a esclerose múltipla, apesar de ser uma das doenças crônicas do sistema nervoso central, é uma das mais estudadas no mundo. Temos que diminuir os estigmas e encarar as doenças crônicas como um desafio. No caso da EM, tem sido muito promissor, tanto para o paciente quanto para o neurologista. Hoje conseguimos dar uma vida infinitamente melhor para esses pacientes”.

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