Se quisermos medir o nível de civilidade de uma população, não precisamos de estatísticas sofisticadas nem de discursos em gabinetes: basta observar como ela trata o próprio lixo. E nesse ponto, infelizmente, parte da população de Erechim ainda deixa muito a desejar.
O diretor de Educação Ambiental, da secretaria municipal de Meio Ambiente de Erechim, Leandro Basso, se depara diariamente com situações que escancaram essa prática nefasta por parte dos moradores de Erechim, do descarte irregular: “trabalhamos para conscientizar de várias formas. Todos os dias passo por várias ruas para avaliar o trabalho da equipe que realiza a coleta. E nos deparamos com várias situações. Descarte de lâmpadas e vidros dentro das cestas de lixo coletivo, o que é irregular. As lâmpadas obedecem a política reversa e devem ser descartadas onde foram compradas. Essa é uma das realidades que tentamos melhorar”, relatou.
Sociedade se acostumou a terceirizar responsabilidades
A coleta de resíduos, apesar de ser um serviço público (e com seus problemas, e já tema de várias matérias do Jornal Bom Dia), não dá conta de compensar a falta de cultura da população. Sacos deixados fora do horário, lixo misturado com recicláveis, entulhos abandonados em esquinas, móveis largados em terrenos baldios são sinais visíveis de uma sociedade que se acostumou a terceirizar responsabilidades. O problema não está apenas no poder público, mas em cada morador que prefere a comodidade da negligência ao esforço mínimo de separar, organizar e respeitar regras básicas.
Ainda jogamos lixo pela janela do carro
É impossível falar em desenvolvimento sustentável ou em cidade moderna quando ainda jogamos lixo pela janela do carro ou tratamos a coleta seletiva como uma opção de quem tem tempo. A prefeitura colocou contêineres para coleta de vidros em locais estratégicos: “a população coloca o descarte fora dele e não dentro. Essa é mais uma questão que preocupa na educação ambiental”, relata Leandro Basso.
Cultura não se cria apenas em teatros e bibliotecas
Cultura não se cria apenas em teatros e bibliotecas; ela também se constrói no cotidiano, na maneira como lidamos com aquilo que descartamos. A mudança não virá apenas de caminhões de coleta mais eficientes, mas de cidadãos mais conscientes. O lixo que jogamos fora não desaparece, e retorna como reflexo direto da sociedade que estamos construindo.
O comportamento do contribuinte deixa a desejar
Os canteiros centrais que são para arborização, mesmo com as placas educativas a população descarta o lixo: “em vários locais no centro, nas ruas Nelson Elhers, Alemanha, Uruguai e outras, colocam o lixo nos canteiros. O comportamento do contribuinte deixa a desejar no descarte correto e no horário correto. No centro é após às 17 horas, em cima do passeio, rente ao meio fio e na frente do próprio estabelecimento comercial. Da maneira que descartam criam um aspecto negativo para o município em várias vias”, sublinha o diretor de Educação Ambiental, Leandro Basso.
Espaço público não é depósito particular
A verdade é dura: enquanto tratarmos o espaço público como depósito particular, continuaremos sendo cúmplices do próprio descaso. A cidade é o reflexo de seus moradores. Separar o lixo não exige diploma, respeitar o horário da coleta não exige curso técnico. Exige apenas respeito ao próximo, empatia. Essa cultura do ‘não é problema meu’ é o lixo mais difícil de recolher.
O cidadão tem que ser um agente participativo
“Depois de 20 anos de coletiva seletiva, de orientação, campanha nas escolas, mídias, palestras, Semana do Meio Ambiente, muitos não entenderam que são agentes dentro do processo da destinação correta do lixo. O cidadão tem que ser um agente participativo e cuidar da cidade. Quando ele faz sua parte se empodera do direito de cobrar do poder público”, finaliza Leandro Basso.