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Fórum Norte Gaúcho da Soja: Ipiranga do Sul aprofunda debate sobre clima, tecnologia e geopolítica para o futuro do agro

Realizado na Comunidade São João Vianei, o evento reuniu produtores, estudantes, técnicos e lideranças

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Autoridades na solenidade de abertura do XII Fórum Norte Gaúcho da Soja.JPG
Comissão Organizadora com os palestrantes.JPG
Por Assessoria
Foto Maria Lúcia Carraro Smaniotto

Em um cenário de incertezas climáticas e complexidades geopolíticas, o XII Fórum Norte Gaúcho da Soja se consolidou, nesta sexta-feira, 15 de agosto de 2025, como um farol de conhecimento e estratégia para o setor agropecuário. Realizado na Comunidade São João Vianei, o evento reuniu produtores, estudantes, técnicos e lideranças em Ipiranga do Sul, reforçando seu compromisso com o tema “A Informação que Fortalece o Agro”.

A organização, liderada pelo Sindicato Rural de Getúlio Vargas, em parceria com a Prefeitura Municipal de Ipiranga do Sul, Emater/RS-Ascar, Associação dos Engenheiros Agrônomos dos Municípios do Alto Uruguai (Aeamau), Centro Universitário Ideau (Unideau) e Associação Comercial, Cultural, Industrial e de Agropecuária de Getúlio Vargas (Accias), proporcionou um dia de intensos debates e aprendizados.

União e reconhecimento em tempos desafiadores

A solenidade de abertura contou com a presença do prefeito de Ipiranga do Sul, Marco Antonio Sana; presidente do Sindicato Rural de Getúlio Vargas, Luiz Carlos Silva; Diretor Técnico da Emater/RS-Ascar, Claudinei Baldissera; presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Alto Uruguai (Aeamau), Marlon Casanova; professor Dr. César Tiago Forte, da Unideau; e o presidente da Associação Comercial, Cultural, Industrial e de Agropecuária de Getúlio Vargas (Accias), Roberto Paulo Galina.

O presidente da Aeamau, Marlon Casanova, abriu o evento destacando o esforço de toda a Comissão Organizadora do Fórum Norte Gaúcho para trazer ao público conhecimentos atualizados, afirmando: "Estamos em um ano um pouco mais difícil, vindo de problemas climáticos e produtivos. Isso nos faz buscar união para minimizar os efeitos que escapam ao nosso controle, como preço e comércio."

Já o Diretor Técnico da Emater/RS-Ascar, Claudinei Baldissera, alertou para os desafios climáticos enfrentados na região nos últimos seis anos: quatro estiagens marcadas por severidade. Ele reforçou a necessidade de “buscar melhor tecnologia e posicionar práticas de cultivo de forma responsável e planejada para enfrentar os desafios futuros.”

Encerrando as falas da abertura, o prefeito de Ipiranga do Sul, Marco Antonio Sana, demonstrou sua satisfação em sediar o Fórum e destacou: “Conhecimento é o que a gente precisa para superar desafios juntos.”

Sicredi: compromisso com o agro e desenvolvimento regional

O Sicredi, patrocinador diamante do evento, foi representado pelo gerente regional de desenvolvimento do agronegócio, Ademir Iorkoski. Ele destacou como a instituição impacta positivamente as comunidades agropecuárias, financiando mais de 30 mil hectares na região e sendo responsável por cerca de 60% do PIB dos municípios em que atua.

"O cenário apresenta desafios, mas o Sicredi caminha ao lado do produtor, oferecendo segurança nos investimentos. Vamos juntos superar esses momentos com planejamento e gestão responsável", afirmou Ademir Iorkoski.

Projeções climáticas: alerta sobre extremos e irregularidades

A meteorologista Estael Sias, Mestre em Ciências Atmosféricas, trouxe à tona as projeções climáticas para o segundo semestre de 2025 e o início de 2026. Segundo ela, o risco de extremos climáticos tende a continuar devido ao aquecimento dos oceanos e ao aumento de eventos sistêmicos de chuva intensa e mal distribuída. Ela também destacou a ocorrência de novos períodos de estiagens severas para o verão de 2026, advertindo os produtores para o planejamento técnico das safras.

Além disso, mencionou que as temperaturas médias no Rio Grande do Sul estão em ascensão, resultando em maior demanda hídrica das plantas e maior exposição a eventos como granizo, ondas de calor e variações climáticas extremas.

Segundo Sela, os modelos de previsão (Europeu, NCEP, Britânico, Alemão) apontam para chuva abaixo da média para o Sul do Brasil entre setembro e fevereiro de 2026, com a ressalva de que fevereiro é um período sensível para a soja. Setembro, em particular, é um mês complexo para os meteorologistas devido às transições. A principal preocupação da especialista é a "possibilidade de estiagem no verão de 2026", alertando que a chuva, mesmo que venha, será irregular. Apesar dos desafios, indicou boas perspectivas para o plantio de milho no final de agosto e início de setembro, e para a soja, o plantio é sugerido após 15 de setembro.

Herbicidas auxínicos: cuidados no controle de daninhas

O Dr. Anderson Nunes Gabardo, engenheiro agrônomo, trouxe uma análise detalhada sobre o uso de herbicidas auxínicos no manejo de plantas daninhas. Ele destacou que, apesar de serem essenciais no controle de plantas desenvolvidas, o uso inadequado pode gerar resistência e rebrote, aumentando os custos e os riscos para o cultivo. Gabardo reforçou a necessidade de manejar bem o período de aplicação e priorizar o planejamento integrado.

Bases legais para herbicidas hormonais

Complementando o tema dos herbicidas, o Dr. Hélder Da Pra explicou as bases legais e técnicas exigidas no Rio Grande do Sul para o uso de produtos hormonais. Ele enfatizou o impacto da deriva de aplicação e como a legislação pode se tornar mais rígida caso boas práticas não sejam implementadas efetivamente.

Bioinsumos para a soja – da semente à colheita

A palestra do Dr. André Luiz Radunz, doutor em Agronomia, abordou o “Uso de bioinsumos na cultura da soja: da semente à colheita”. Radunz destacou como os bioinsumos vêm ganhando espaço no manejo agrícola, apresentando soluções sustentáveis e eficientes para a cultura da soja.

Ele ressaltou que os bioinsumos não são apenas substitutos dos fertilizantes químicos, mas ferramentas fundamentais para o aumento da produtividade e da saúde do solo. O Dr. Radunz expôs dados que comprovam a eficiência do uso de microrganismos na fixação biológica de nitrogênio, no controle de patógenos do solo e na promoção do crescimento vegetal. "O bioinsumo começa na preparação do solo e vai até a colheita, ajudando na resistência ao estresse hídrico, melhorando o aproveitamento de nutrientes e reduzindo os impactos ambientais da produção", afirmou o especialista. Ele ainda reforçou que o manejo combinado entre bioinsumos e técnicas consagradas da ciência agronômica é o caminho para otimizar margens e garantir a viabilidade econômica da safra.

Mercado e geopolítica: análise do cenário global

Encerrando o dia com sua análise contundente, o economista Dr. Antônio da Luz discorreu sobre os fatores de risco no mercado internacional de soja, com foco em geopolítica. Ele destacou que o Brasil precisa se atentar às dinâmicas globais, evitando envolver-se em conflitos internacionais desnecessários e prejudiciais às suas exportações. De acordo com o economista, com o aumento do consumo global e a valorização da soja brasileira pelo seu diferencial competitivo, os fundamentos para o mercado em 2026 são muito promissores. No entanto, a instabilidade geopolítica e possíveis sanções globais representam um alerta vermelho para o Brasil.

Antônio da Luz trouxe uma "ótima notícia": o mundo está aumentando a produção de soja, embora em ritmo moderado. A produção global projetada para 2026 é de 426,4 milhões de toneladas, um aumento de 2,4 milhões em relação a 2025. O grande destaque é o Brasil, que, dos 169 milhões de toneladas de 2025, deve produzir 175 milhões em 2026, um acréscimo de 6 milhões de toneladas. Em contrapartida, os Estados Unidos, segundo maior produtor, têm uma redução esperada de 2 milhões de toneladas, totalizando 116,8 milhões de toneladas em 2026. A Argentina, que produziu 25 milhões de toneladas no ano passado, deve saltar para 48 milhões em 2026, mas com incertezas sobre o impacto de políticas econômicas internas.

O consumo global, por sua vez, deve crescer "quase 15 milhões de toneladas", um ritmo "bem maior" que o da produção. A China é o motor desse crescimento, aumentando seu consumo em 6 milhões de toneladas, podendo igualar o Brasil em consumo total. Outros países também contribuem, como os Estados Unidos (consumindo mais, mesmo produzindo menos) e o Brasil (aumento do consumo interno devido a biocombustíveis). O cenário de consumo é "muito mais interessante".

Fortalecer o agro com conhecimento e ação estratégica

O XII Fórum Norte Gaúcho da Soja cumpriu seu papel de oferecer conhecimento técnico, informações estratégicas e reflexões profundas sobre as variáveis do agronegócio. De bioinsumos aos riscos geopolíticos, foi um dia marcado pela busca de soluções para consolidar a sustentabilidade e a produtividade da soja no Brasil, colocando a região Norte do Rio Grande do Sul como protagonista no fortalecimento do agro nacional.

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