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Saúde

O papel fundamental do psiquiatra na saúde mental

A importância da escuta qualificada, da reintegração social e do enfrentamento ao estigma para o cuidado integral

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O psiquiatra tem papel fundamental no cuidado integral da saúde mental
Por Assessoria de Comunicação
Foto Inteligência artificial

O psiquiatra é um profissional fundamental na promoção da saúde mental da população. Para o médico psiquiatra Dr. Anderson Madalozzo, a atuação ultrapassa os limites do consultório e alcança diversos contextos sociais. “Na minha trajetória profissional como psiquiatra, em muitas ocasiões participei de conversas e debates sobre a saúde mental em diferentes contextos, como escolas, universidades, empresas, municípios, abrangendo diversas faixas etárias”.

Importância do psiquiatra na comunidade

Esse contato direto com a comunidade é fundamental para desmistificar a psiquiatria e ampliar o acesso à informação de qualidade. “Conversar, quebrar mitos e tabus sobre temas tão relevantes na vida de todos nós é a maneira de instigar reflexões sobre os nossos comportamentos, a construção de hábitos mentais saudáveis e o impacto que possuem sobre nossa qualidade de vida psíquica”, pontua.

Escuta como ferramenta terapêutica

A atuação do psiquiatra vai muito além da prescrição de medicamentos. A escuta qualificada e o entendimento profundo da vida psíquica do paciente são centrais na prática clínica. O médico explica que “a especialização nos treina no desenvolvimento de uma escuta diferenciada. Neste processo compreendemos como se estrutura a vida psíquica do paciente, a sua personalidade, os seus pontos fortes, as suas fragilidades, os seus padrões de comportamentos disfuncionais”.

Esse processo permite ao psiquiatra oferecer não apenas tratamento medicamentoso, mas também estratégias como psicoeducação, encaminhamento à psicoterapia e fortalecimento da rede de apoio, envolvendo família, escola e ambiente de trabalho.

Reintegração social

A psiquiatria tem papel ativo na reinserção social de pacientes em tratamento. “O tratamento dos Transtornos Mentais geralmente proporciona a remissão dos sintomas, a estabilização clínica, o fortalecimento das funções psíquicas necessárias para a retomada do convívio social, do trabalho e da escola”, afirma o Dr. Anderson.

Ele ressalta a importância do trabalho em rede: “Em alguns casos há a necessidade de realizar um trabalho em contato com escolas, psicólogas, pedagogas ou com a área de recursos humanos das empresas, que ajudarão os pacientes na sua reintegração, realizando adaptações, temporárias ou permanentes”.

A confiança como base do cuidado

A escuta ativa, empática e respeitosa é um dos pilares da psiquiatria. “Estamos interessados na pessoa à nossa frente, nos aspectos subjetivos, quem ela é, o que pensa a respeito de si e da vida, nos seus sentimentos, e não apenas nos seus sintomas.”

Segundo Dr. Anderson, o vínculo se constrói aos poucos: “Acredito que a escuta ativa, somada à empatia e respeito ao sofrimento do paciente, além das compreensões que vamos elaborando dos conflitos e angústias internas dos pacientes, aos poucos vão gerando o elo de confiança que necessitamos para o sucesso na relação médico-paciente”.

Enfrentando o estigma

Apesar dos avanços, ainda há muito preconceito em torno dos transtornos mentais. “Com frequência ouço dos pacientes que estão em tratamento que eles mesmos julgavam outras pessoas com depressão, ansiedade. O próprio sofrimento as fez mudar a visão sobre a existência dos Transtornos Mentais”, observa o psiquiatra.

Ele aponta o papel essencial da educação emocional desde a infância, “considero a promoção da saúde mental nas escolas, registrando desde a infância a importância dos sentimentos, dos comportamentos e da saúde mental no nosso bem estar, um dos pontos chaves”.

A informação acessível e de qualidade também é um aliado importante: “Atualmente temos muito mais acesso à informação, e as pessoas buscam esclarecimentos nas mídias digitais. Buscar fontes de confiança se faz necessário”.

Psiquiatra e psicólogo têm funções distintas, porém, atuação integrada

Ainda há confusão sobre as atribuições de cada profissional da saúde mental. Dr. Anderson explica que “o psiquiatra cursou a faculdade de Medicina durante seis anos, fez uma especialização em Psiquiatria e pode prescrever psicofármacos”. Já o psicólogo, é graduado em Psicologia e pode atuar com diferentes abordagens psicoterapêuticas. “Alguns psiquiatras trabalham com psicoterapia, outros não”.

O trabalho em equipe é essencial, pois “muitas pessoas chegam ao psiquiatra pelo encaminhamento do psicólogo, e os psiquiatras também encaminham os pacientes para um acompanhamento psicológico”.

Quando procurar um psiquiatra?

Alterações persistentes de humor, ansiedade intensa e sofrimento emocional duradouro são sinais de alerta. “As pessoas devem buscar avaliação com um psiquiatra ou um psicólogo”, orienta Dr. Anderson. “Vejo muitos pacientes que buscam terapias alternativas para aliviar o sofrimento emocional. Devem ser compreendidas como complementares a um tratamento em curso com um profissional da saúde mental”.

Desafios em Erechim

Erechim avançou recentemente com a implantação do CAPSi, voltado ao cuidado psicossocial de crianças e adolescentes. Para o psiquiatra, essa “foi uma aquisição muito importante, pois na saúde mental as intervenções precoces também são definitivas e melhoram muito os prognósticos”.

No entanto, os desafios persistem, pois “há um gap entre o número de profissionais existentes e o número que seria necessário para acolher com qualidade todas as pessoas com agravos na saúde mental”.

A ausência de estrutura hospitalar adequada também preocupa. “Não dispomos mais de uma estrutura hospitalar organizada e preparada para receber as situações de crise, como riscos de suicídio iminente, transtornos gravemente descompensados, ou desintoxicações”, conclui Dr. Anderson.

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