A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) tem se tornado cada vez mais comum entre bebês, especialmente no primeiro ano de vida. Embora estudos apontem que 3 a cada 100 crianças possam desenvolver o problema, a alergista e imunologista Dra. Daniele de Sena Brisotto acredita que os números são ainda maiores. “Às vezes, até me assusto com o grande número de crianças que tem desenvolvido APLV”, revela.
A APLV é frequentemente confundida com intolerância à lactose, mas se trata de uma reação imunológica à proteína do leite, e não à lactose. Mesmo produtos sem lactose podem provocar reações alérgicas graves. Já a intolerância é digestiva e costuma surgir após os cinco anos.
Os sintomas mais comuns da APLV variam de sangue nas fezes, cólicas intensas, vômitos, irritabilidade, até reações mais graves como urticária e choque anafilático. O diagnóstico envolve uma boa anamnese pediátrica e, nos casos imediatos, exames e testes alérgicos. Já os quadros tardios nem sempre aparecem nos exames de sangue.
O tratamento exige restrição rigorosa de leite e derivados, tanto na dieta do bebê quanto da mãe que amamenta, além de atenção com contaminações cruzadas. A maioria dos casos tende a se resolver com o tempo, geralmente até os 3 ou 4 anos de idade.
Para Brisotto, a observação dos pais é fundamental durante o acompanhamento. “Você precisa observar seu filho, pois tudo que você relata na consulta é muito válido”. Ela também destaca a importância da amamentação, quando possível, como aliada da saúde intestinal do bebê.