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Saúde

Irrigador oral pode ser um aliado da saúde bucal

Dispositivo só deve ser usado com orientação especializada para evitar danos

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Dispositivo não substitui o fio dental, mas pode ser um excelente aliado para a saúde bucal
A dentista Ana Carolina Tres alerta que os vídeos na internet não substituem a consulta presencial,
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Arquivo Pessoal / Ana Carolina Tres

Na área da saúde, confiar cegamente em conteúdo da internet, sem qualquer validação profissional, pode ser perigoso. Não se deve iniciar tratamentos, dietas ou usar dispositivos sem orientação de um profissional qualificado. E isso vale também para a saúde bucal.

Na última terça, dia 5, foi comemorado o Dia Nacional da Saúde e datas como essa devem servir também para revermos nossos hábitos, cuidados e, principalmente, a forma como consumimos informações relacionadas ao bem-estar. Em tempos de redes sociais, onde dicas e soluções milagrosas surgem a cada segundo, é preciso redobrar a atenção.

A nova moda nas redes sociais

Recentemente, viralizou no TikTok o uso do irrigador oral, um dispositivo que promete substituir o uso do fio dental por meio de um jato de água pressurizado. Mas será que isso é mesmo possível?

Para esclarecer, conversamos com a cirurgiã-dentista e mestranda em endodontia Ana Carolina Tres, que destacou a importância de entender os limites e benefícios reais do produto.

“Não é um substituto, mas é um grande aliado”

Segundo Ana Carolina, o irrigador oral não substitui o fio dental, mas pode sim ser uma alternativa interessante. “O fio dental chega em áreas que o irrigador não consegue, mas não deixa de ser uma alternativa bem legal para quem tem algum tipo de limitação, ou simplesmente não consegue incluir o uso de fio dental na rotina”, explica.

Benefícios e riscos

A dentista aponta que o aparelho funciona através da pressão da água, o que ajuda a remover restos alimentares e biofilme recente, que é aquela sujeira ainda não aderida aos dentes. Porém, ela faz um alerta: “A ação mecânica desse dispositivo não é tão eficiente quando comparada ao fio dental”.

Além disso, há riscos no uso incorreto. “Devemos nos preocupar com o trauma que esses aparelhos podem causar. A gengiva é muito sensível e, com o tempo, a pressão incorreta pode levar à recessão gengival”, explica Ana Carolina.

Indicações, contraindicações e cuidados

O irrigador oral pode ser uma ferramenta útil, especialmente para pessoas com necessidades específicas. “É um grande aliado para idosos, pessoas com deficiência, quem passou por reabilitações como implantes ou usa aparelho ortodôntico”, ressalta a dentista.

Entretanto, o uso incorreto pode sim causar retração gengival, principalmente se o jato for aplicado muito próximo à gengiva. A recomendação é manter uma distância de 2 a 3 centímetros dos dentes e não permanecer muito tempo em um único local.

Sozinho, o irrigador não previne cáries nem gengivite

Ana Carolina reforça que o irrigador não é suficiente por si só para garantir uma boca saudável. “Assim como o enxaguante bucal pode ser um bom coadjuvante quando bem indicado, o irrigador oral também. Mas ele não dispensa uma boa escovação e o uso de fio dental tradicional”.

É seguro seguir vídeos de influenciadores?

Dá para confiar em vídeos de influencers sobre saúde bucal? A dentista responde com cautela: “Depende. Muitos dentistas com boa formação usam as redes para disseminar informação de forma acessível, e estes devem sim ser levados em consideração”.

Ela cita que existem profissionais que produzem conteúdos educativos de forma clara e confiável. Porém, é importante lembrar que o que funciona para uma pessoa, pode não funcionar para outra, por isso procurar um profissional da sua confiança para uma consulta é indispensável antes de qualquer tratamento ou uso de qualquer aparelho ou medicamento, mesmo que você tenha visto um vídeo de um profissional na internet.

O perigo do autodiagnóstico e dos modismos da internet

Ana Carolina lembra de outros modismos perigosos que já circularam na internet, como os aparelhos ortodônticos caseiros, as facetas com resina comprada na Shopee, o carvão ativado para clareamento, entre outros. “Qualquer prática odontológica sem cuidado pode trazer prejuízos irreversíveis”, alerta.

E, embora no consultório ainda não veja tantos casos graves causados por essas tendências, ela observa pacientes chegando com pedidos inusitados e autodiagnósticos feitos via redes sociais.

Confiar no profissional é garantir segurança e saúde

Aproveitando o gancho do Dia Nacional da Saúde, Ana Carolina reforça que buscar informações com profissionais habilitados é essencial. “Mesmo o paciente mais informado terá dúvidas. Um médico vai ao médico, dentista vai ao dentista, e assim por diante. Autodiagnóstico raramente dá certo e pode ser perigoso”, destaca.

Ela ainda complementa: “O profissional da saúde é educado para olhar o paciente de forma integral. Por isso, confiar no seu dentista ou médico é garantir um cuidado baseado em evidências científicas e clínicas”.

Redes sociais não substituem a consulta com o dentista

Para aqueles que acreditam que vídeos e dicas online bastam, Ana Carolina é direta: “Quanto mais um problema for remediado, a tendência é que ele piore. O diagnóstico precoce é fundamental. Se basear em achismos é correr risco por ignorância”.

E finaliza com um conselho importante: “Existe muita coisa legal nas redes, dá sim para aproveitar conteúdo gratuito, mas com certeza o melhor a fazer é confiar no profissional que te acompanha”.

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