“Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?”
Começo este desabafo em forma de análise citando Fernando Pessoa. O querer nos move e, se como disse Roger Machado, “o tamanho da nossa fome é o que vai determinar o tamanho da nossa conquista”, o atual elenco do Internacional, salvo algumas peças, está de barriga cheia. Enquanto isso, a torcida desnutrida, junta forças pra seguir, apoiar e, jamais, sob hipótese alguma, abandonar. O torcedor do Sport Club Internacional quer, e quer muito, tem fome.
Fome essa que, diante do cenário atual, persiste e, ainda que vez ou outra nos alimentem com migalhas, o pouco que gera esperança logo nos causa indigestão. Assim foi a decisão das oitavas da Copa do Brasil, entre Inter e Fluminense, no Maracanã. A teimosia do técnico ao insistir no já manjado esquema 4 – 2 – 3 – 1 reflete a covardia de uma equipe apática.
Mas antes fosse a adoção de tal modelo o único problema. Ainda que as dívidas sejam expressivas, o professor e toda a gestão decidiram pagar pra ver e, como há tempos já não contamos com a sorte, em substituição forçada do volante Richard, devido a um choque de cabeça logo aos 24 minutos do 1º tempo, Roger optou por Ronaldo, mesmo tendo Luís Otávio à disposição. Tal decisão nos custou caro, talvez até a própria classificação.
Não me entendam mal, chutar quem já está morto não faz meu estilo, até porque Ronaldo nunca prometeu nada, logo, nada se esperava dele, com todo o respeito. Acontece que, não é de hoje que Roger insiste em repetir falhas já previsíveis, principalmente se tratando do setor defensivo.
Também não acho justo que as críticas se limitem a Roger Machado, tenho, inclusive, grande admiração por ele e por muito tempo o defendi, mas é preciso reconhecer a parcela de culpa que carrega.
Porém, sabe-se que, historicamente, os gestores que passaram pelo clube pouco entenderam o peso da camisa, afinal, sequer a vestiram. Escândalos envolvendo corrupção, acúmulo de dívidas, contratações insuficientes, e por aí vai… O cenário perfeito para que se estruturem questões de solução nada simples.
E a gestão atual, tal qual o elenco, demonstra indiferença com relação ao destino do clube do povo. Nessa somatória de fatores o resultado é só um, a falta. Seja de identificação, comprometimento, gestão, dinheiro, plantel, vontade e, principalmente, de querer.
Falta que nada tem a ver com a torcida que, mesmo diante de tantas lacunas, está sempre presente, quer e segue acreditando, ainda que tudo pareça jogar contra.