Houve um tempo em que acreditei que o sentimento chamado amor era, exclusivamentedisfrutado entre um homem e uma mulher.
No entanto, a vida me ensinou, o que hoje sei claramente: mil formas de amor existem.
Temos a capacidade de amar com muita intensidade, dezenas, centenas de coisas. Aos poucos, fui descobrindo meus amores.Quando jovenzinha eram os livros. Depois meus atores e cantores favoritos.
Em certo momento comecei a observar meu pai guardando com extremo zelo, fotos, jornais, revistas, discos e, nasceu então meu sentir respeito pelo “já feito”, pelo “já vivido” e sobretudo pelos antepassados. O Patrimônio e seu valor entrou em minha vida e está bem presente no meu dia a dia. Muito do tempo em que existo, foi dedicado e o é hoje, em garimpar, recolher, salvaguardar e defender bens patrimoniais.
Prédios e arquitetura antiga me fascinam, por isso quando viajo, dedico o maior espaço a eles. Igrejas e Museus têm primazia. Inúmeras igrejas despertaram meu amor sincero, como a pequenina igreja de Nossa Senhora do Ó, que visitei há muitos anos na cidade de Sabará, Minas Gerais. É do século XVIII, em estilo Barroco.
Outras majestosas, encheram meus olhos de lágrimas ao imaginar o trabalho estafante e injusto dos construtores. Isso foi sentido na gigantesca igreja de São Pedro, onde mal pude ver a Pietá pelo bulício de centenas de pessoas. A colorida Santa Maria del Fiore em Florença com seu inacreditável Batistério, aliviou meu sentir por sua beleza leve e bucólica.
Na vetusta Catedral de Santiago de Compostela realizei o sonho de bater a cabeça no “COQUE”
como já o fizeram milhares de fiéis através dos séculos. Ali, e durante a missa do Peregrino e sentindo o perfume espargido pelo Botafumeiro percebi o amor e a admiração que aquela construção me inundou. Na mística Catedral de Toledo, e na Igreja de São Marcos em Veneza percebi, além do inestimável patrimônio, a força das homenagens humanas ao SER único e necessário.
A Basílica de São Francisco em Assis, tocou o meu amor docemente ao observar também o Oratório de São Francisco Picolino, considerado o local de nascimento do santo. Um local Patrimônio primoroso é a Porciúncula, onde está o túmulo de Francisco.
Como não amar e reverenciar a suntuosa Santa Sofia? Como não tremer diante da indescritível Igreja construída dentro da Mesquita de Córdoba? Como não prender a respiração e quase gritar, caminhando em Goreme, Capadócia na Turquia, olhando os restos das pinturas dos primeiros cristãos, nas igrejas construídas em rochas e lugares de difícil acesso.
A igreja antiga em Fátima é apaixonante por todo o seu significado onde se observa os pedidos e o pagamento dos que foram atendidos, no semblante das multidões. A nova catedral não recebeu meu amor ao visitá-la, somente orações.
A Catedral do México, com sua milagrosa imagem da Virgem de Guadalupe nos extasiam e preocupa, pois, mesmo com todos os esforços ali aplicados, até com ajuda da NASA, o inigualável Patrimônio se perderá com o progressivo afundar do Prédio Histórico construído em local onde eram as “chinampas” pré-colombianas.
Patrimônio que nos envolve com reverência, são igualmente inúmeras igrejas de Krakovia, na Polônia, onde a fé de um povo forte e audaz, enfrentou a fúria destrutiva do nazismo.
Meu amor ao Patrimônio se manifesta, e com gratidão, em todas as capelas e capitéis construídos pelos nossos imigrantes e descendentes que não esqueceram de orar, pedir e agradecer pela vida, pela paz e pelas oportunidades de conquistar um lugar melhor para viver.
Preservar Patrimônios e admirá-los é mostrar nossa humanidade e cultura.
- Historiógrafa – Pesquisadora da URI
- Mestre em História Ibero Americana
- Membro da Academia Erechinense de Letras