A menopausa marca o fim do ciclo reprodutivo feminino e é caracterizada pela interrupção da menstruação por 12 meses consecutivos. Esse período natural da vida da mulher pode vir acompanhado de sintomas físicos e emocionais intensos, como ondas de calor, alterações de humor, secura vaginal e perda de massa óssea. Para aliviar esses desconfortos e prevenir complicações, a terapia de reposição hormonal (TRH), também conhecida como terapia de substituição hormonal, pode ser indicada sob orientação médica.
O que é a terapia de reposição hormonal?
A TRH consiste no uso de medicamentos que contêm estrogênio, progesterona ou ambos, com o objetivo de equilibrar os níveis hormonais da mulher após a menopausa. Os hormônios podem ser administrados por meio de comprimidos, adesivos, cremes, géis, anéis vaginais ou injeções. O tratamento é indicado pelo ginecologista com base na idade da paciente, intensidade dos sintomas e exames que avaliem os níveis hormonais, a saúde óssea, mamária e reprodutiva. A duração do tratamento varia de acordo com cada caso, mas geralmente vai de dois a cinco anos.
Para que serve a TRH?
A reposição hormonal é indicada para aliviar sintomas vasomotores, como ondas de calor, suor noturno e palpitações, prevenir a perda óssea e o desenvolvimento da osteoporose, tratar sintomas genitourinários, como secura vaginal, dor durante o sexo e infecções vaginais recorrentes.
A reposição atua diretamente nos efeitos da queda hormonal, especialmente dos estrogênios e da progesterona, proporcionando melhora na qualidade de vida da mulher no climatério. A recomendação é que a TRH seja iniciada até 10 anos após a última menstruação, com melhores resultados e menor risco quando iniciada precocemente.
Como saber se estou na menopausa?
O diagnóstico da menopausa é feito quando a mulher permanece 12 meses seguidos sem menstruar. Para confirmar, é necessário consultar um ginecologista, que avaliará os sintomas apresentados, fará exame ginecológico e solicitará exames laboratoriais para dosar os hormônios circulantes e verificar a saúde do organismo.
Tipos de terapia de reposição hormonal
A escolha do tipo de TRH depende do histórico médico da mulher e da presença ou não do útero:
- Terapia com estrogênio e progesterona: indicada para mulheres com útero, essa combinação reduz o risco de câncer endometrial. Pode ser feita com pílulas combinadas como estradiol com didrogesterona (Femoston Conti) ou valerato de estradiol com acetato de ciproterona (Climene);
- Terapia com estrogênios: recomendada para mulheres que já retiraram o útero. Pode ser feita com estrogênios conjugados (Premarin) ou estradiol em adesivo (Estradot). Para sintomas genitourinários localizados, podem ser usados gel, creme, comprimido ou anel vaginal contendo pequenas doses de estradiol;
- Terapia com progesterona: utiliza-se a progesterona sintética, como o acetato de medroxiprogesterona (Provera), geralmente em conjunto com estrogênios em mulheres com útero.
Quando a TRH não é recomendada?
A reposição hormonal é contraindicada em casos onde os riscos superam os benefícios. Mulheres com as seguintes condições devem evitar a TRH:
- Histórico pessoal ou familiar de câncer de mama ou de útero;
- Doença hepática ou biliar;
- Porfiria;
- Sangramento genital de causa desconhecida;
- Trombose venosa, AVC, infarto ou alterações na coagulação;
- Lúpus eritematoso sistêmico;
- Doença coronariana.
Para essas mulheres, pode-se considerar o uso de terapias alternativas naturais, desde que com orientação médica.
A reposição hormonal engorda?
A reposição hormonal, por si só, não provoca ganho de peso. Os hormônios usados são semelhantes aos que o corpo já produziu. No entanto, com o avanço da idade, há uma tendência natural ao aumento de peso e redistribuição de gordura, especialmente na região abdominal, o que pode coincidir com o início do tratamento.