A viagem Transiberiana é realizada por trem turístico privativo iniciando em S. Petersburgo- Rússia. Foi uma viagem dos sonhos e que será lembrada para sempre. Não é uma jornada para quem tem pressa. Durante o trajeto, que é uma grande aventura, vão mudando as paisagens, as vilas, as cidades e a diversidade de população. Ela é a ferrovia mais longa do mundo de 9289 quilômetros ligando a Rússia, Sibéria, Mongólia e chegando à China. É a maior rota de trem até Pequim, via Lago Baikal. Foi construída nos áureos tempos da Rússia. Para os czares russos, foi uma das maiores experiências. Divide dois continentes: Europa e Ásia. Atravessa três países: Rússia, Mongólia e China e sete fusos horários. Realmente, é a grande aventura, em viagens, pelo mundo.
Iniciando a Transiberiana- ou Transmongoliana
Era o final do mês de agosto. Naquelas regiões já iniciava o outono, que é mais para frio. Meu marido e eu, sozinhos, embarcamos em São Paulo, Guarulhos, rumo a Moscou viajando pela confortável Companhia Briths. Na chegada, um guia nos esperava e nos acompanhou na retirada das malas. Embora, seja aeroporto, não falam muito o inglês e a fisionomia dos militares, sempre fechada e com estranhos uniformes, nos assustam. Fizemos a opção da viagem Transiberiana por primeira classe, para ter um aproveitamento melhor. No trem são três classes; primeira, segunda e terceira com grande diferença de preço entre elas. Bem, em Moscou já iniciou a diferença. Fomos levamos ao elegante Hotel Radisson- Moscou.
Transiberiana
É a partir da Transiberiana que se originam outras duas grandes ferrovias que cortam a Ásia: a Transmongoliana e a Transmanchuriana. O nosso roteiro, como Transiberiana, iniciava em São Petersburgo, algumas horas de trem de Moscou. Para percorrer toda a distância de 9289 km – maior que cruzar o Brasil de norte a sul – foram quase trinta dias sacolejando e subindo e descendo do trem. Nesses tempos, estão incluídos os dias que passamos revendo São Petersburgo, Moscou e Pequim, pois estivemos já várias vezes, na Rússia, e duas vezes na China.
A Rússia atual mudou
Antes de mais nada, devemos esquecer tudo o que sempre se ouviu dizer da Rússia. O comunismo, os barbudos mal-encarados, a foice e o martelo. Lá, nem tudo é secreto e sigiloso. Alguns restos do passado são as velhas senhoras de andar encurvado, lenço na cabeça, olhar triste e sofrido, sempre enfiadas em pesados casacões – pois, lá o frio é intenso. Invariavelmente, as pessoas estão nas ruas sempre com sacolas, porque as embalagens são cobradas à parte. Estas senhoras, nas ruas, hoje elas caminham ao lado de jovens de jeans, homens de negócios e mulheres bem vestidas – as executivas, lindas, bem penteadas e maquiadas com sua valiosa bolsa de couro. Essa é a nova Moscou.
Moscou
Moscou foi fundada em 1147, pelo príncipe Yury Dolgoruki. A cidade sempre teve uma vida bastante atribulada. Recuperou sua condição de capital da Rússia, pois há mais de trezentos anos, o Imperador Pedro levou a capital para São Petersburgo – a Cidade de Pedro. Isso só foi reparado no início do século passado, quando a Revolução Bolchevique depôs o último czar e pôs um fim na família imperial russa. Hoje, os restos desse tempo de fausto e luxo sem limites estão espalhados pelos museus russos, principalmente no Grande Palácio de Kremlin. Nestes são encontradas algumas carruagens douradas, pesada roupas de pedras preciosas – uma delas pesa 35 quilos, sendo 24 quilos de puras pérolas. Esses fatos levaram à Revolução Russa – o povo, cansado de pagar, foi contra a monarquia. Perto da grande ostentação dos antigos czares, a nobreza francesa de Luís XIV parecia uma típica família de classe média. A corte francesa era chamada pelos czares de “primos pobres”.
A Rússia e as guerras
Moscou sofreu nas duas Guerras Mundiais, viu o comunismo ascender ao poder, viveu décadas de isolamento – hoje, parece ser o mesmo – assistiu ao desmantelamento da União Soviética e, nos últimos anos da atualidade, entrou na ocidentalização. Mesmo com o fim da antiga União Soviética, a Rússia é ainda um país gigantesco – em área, a maior do mundo. Durante muito tempo não era permitida a entrada de turistas, hoje, são muito bem recebidos. Havia a crença de que um pacato turista poderia acabar preso nos porões da KGB. Mas, alguns resquícios de temor permanecem: as ruas estão coalhadas de militares realmente sisudos, que usam pesadas fardas, empunham intimidadores cacetetes e só falam russo. Outro fato estranho é quando da visita ao corpo embalsamado do ex-líder Lênin no Mausoléu da Praça Vermelha – que só abre para visitação pela madrugada, para evitar aglomerações. Este está cercado de militares e quem não respeitar a ordem deles de não parar defronte ao corpo embalsamado, imediatamente levará um belo empurrão – é uma mostra que ainda não estão acostumados aos novos tempos. Pois, a antiga cidade proibida virou uma metrópole.
Conclusão
Na Rússia, todos trabalham e estudam, homens e mulheres. O país foi intensamente religioso e que, de coração, os mais velhos continuam com sua fé. Em Moscou, existem cerca de 50 igrejas funcionando, mas já foram em torno de 200. Muitas delas foram transformadas em clubes, outras derrubadas ou viraram museus antirreligiosos. Foram muitos anos de propaganda antirreligiosa para cima dos mais jovens. Os russos afastaram da Igreja boa parte deles. Mas não os idosos. À parte, criaram uma religião própria: a igreja de Lênin, ou o Leninismo. Este foi transformado, no que talvez seja, o Deus deles. Aonde quer que se vá, existe uma estátua de Lênin e fotos. Na Rússia, tentam manter o patriotismo sempre em alta. O cidadão, o tempo todo, está ouvindo palavras de estímulo e, para os jovens, Lênin é o único grande homem de que já se ouviu falar. Por isso, ele foi transformado numa religião no sistema deles. O nosso jeito prático e lógico de ver as coisas observa os fatores que levam a Rússia a ser um país diferente e entende o que acontece.
Marlei Carmen Reginatto Klein
Memórias de Viagem