Como é intrigante a transmissão de características de um ser a outro! É como uma caminhada mágica de um tempo até outro adiante. É como um elo não querer perder-se, mas, sim perpetuar-se, em pelo menos, uma cor de olhos, um sinal na pele ou no caráter.
Essa maravilhosa trajetória dos “gens” me levou a pensar no meu nono João Cidade Garcez, descendente de mouros da Andaluzia, músico em uma banda em (atual) Bento Gonçalves. Elegante, altivo e, às vezes duro nas atitudes.
Deu ao seu primogênito o nome de Anacleto. Eu, na minha ignorância juvenil, não entendia tal nome. Muitos grafavam o nome como Anaclécio, Amaclécio, causando várias confusões.
Bem mais tarde, entendi que Nono Garcez era culto. Ao visitar a grande igreja de São Paulo Extra muros em Roma, li bem no alto, o nome do sexto Papa: Anacletus. Na segunda viagem à Itália, guiei, eu mesma, minha irmã Cleusa para ler o nome do nosso pai lá na bela igreja, túmulo de Paulo. Meu Nono deveria saber a origem do nome. Ali, entendi.
O Anacleto, meu pai, herdou os olhos coloridos de Nona Garcez. Ganhou o olhar austero, o sorriso contido, o caráter incorruptível e justo do pai João. Herdou suas habilidades manuais e sua luta esperançosa no porvir. Eu amava a letra bonita do pai Anacleto.
Meu irmão James Umberto, herdou o azul dos olhos do nosso pai. O cabelo negro, a vontade inquebrantável de construir um futuro luminoso, mesmo deparando-se com inenarráveis obstáculos. Inteligente, caráter de invejável valor, ético e confiável cidadão.
A dignidade do DNA familiar está presente e muito presente em Lucas, meu sobrinho. O lindo azul (as vezes verde) do olhar do vovô e do pai, prescrutam observadores a vida que ele está construindo. Seu invejável Q.I. (medido e avaliado) o transforma em leitor voraz, estudioso incansável, vencedor de concursos e com dons notáveis para desenhos e conhecimentos de todos os tempos. Traz na alma a serenidade e retidão da conduta, o respeito, valores elogiáveis, ética inconfundível da família, defensor da natureza e do Patrimônio material e imaterial das civilizações.
Intrigante e admirável esse caminhar de 4 gerações e outras mais, lá no tempo pretérito!
Esse cordãozinho mágico que a ciência chama de DNA, nos faz ver a humanidade como se fossemos “Um”. Quantas vidas, quantos encontros, quantas histórias das quais nem chegamos a conhecer, estão nele contidas. Fascinantes encontros teríamos se pudéssemos puxar o cordão até nossos olhares. Veríamos que somos irmãos de outros milhares e que, realmente, as fronteiras e bandeiras são invenções para nos separar e impedir nosso abraço universal!