A Síndrome do Olho Seco é uma condição oftalmológica que acomete cerca de 10% da população brasileira, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Embora qualquer pessoa possa desenvolver o problema, ele é mais comum entre mulheres acima dos 50 anos, especialmente após a menopausa.
Por que as mulheres são as mais afetadas?
A prevalência maior da Síndrome do Olho Seco em mulheres se deve, principalmente, a alterações hormonais. Segundo o oftalmologista Dr. Vinícius Vielmo, especialista em Olho Seco no Instituto de Olhos Santa Luzia, “depois da menopausa, por alterações hormonais, geralmente há uma piora dos sintomas de olho seco”. Além disso, com o avanço da idade, ocorre uma atrofia natural das glândulas responsáveis pela produção da lágrima.
Como é formada a lágrima e por que ela é tão importante?
A lágrima é composta por três camadas: uma camada basal de muco, uma camada intermediária de água (que representa 90% da composição) e uma camada superior de gordura (lipídica). Esta última é fundamental para evitar que a lágrima evapore rapidamente. “A gente poderia pensar na lágrima como se fosse um copo d’água com uma camada de óleo em cima”, explica o médico.
Quando essa camada lipídica não está adequada, por exemplo, quando a secreção das glândulas está obstruída ou alterada, a lágrima evapora com mais facilidade, levando ao tipo mais comum da doença, o olho seco evaporativo.
Fatores de risco: idade, doenças e medicamentos
Além do sexo e da idade, vários outros fatores podem contribuir para o surgimento do olho seco. Entre eles estão doenças crônicas como Parkinson, diabetes, e doenças reumatológicas como artrite reumatoide e Lúpus Eritematoso Sistêmico. Medicamentos como antidepressivos, antialérgicos e até o famoso Roacutan (isotretinoína) também estão na lista.
A deficiência de vitaminas, especialmente vitamina A e ômega 3, é outro fator importante. “A lágrima é formada em 90% de água, então a hidratação é super importante”, reforça o Dr. Vielmo.
Os sintomas
Os sintomas mais comuns incluem secura ocular, vermelhidão, fotofobia (sensibilidade à luz), sensação de areia nos olhos e, em casos mais graves, presença de muco ou secreções. “A córnea começa a sofrer e, quando exposta à luz, há um desconforto maior”, explica o especialista.
Usuários de lentes de contato também devem estar atentos, já que esse é um fator de risco adicional, embora as tecnologias mais recentes tenham melhorado bastante o conforto desses dispositivos.
Tratamentos: do colírio à tecnologia de ponta
Apesar de ser uma condição crônica, a Síndrome do Olho Seco tem diversas formas de controle. O tratamento mais comum ainda é o uso de colírios lubrificantes, que hoje estão disponíveis em versões mais modernas e sem conservantes, permitindo o uso frequente sem irritações.
Entretanto, novas tecnologias têm trazido alternativas eficazes para reduzir a dependência dos colírios. Entre elas, destacam-se a Luz Pulsada e o iLux.
Luz Pulsada
Inicialmente usada em tratamentos dermatológicos, a Luz Pulsada começou a ser aplicada para tratar o olho seco após observações de melhora da síndrome em pacientes que tratavam rosácea. O tratamento é rápido, indolor e atua reduzindo a inflamação e desobstruindo as glândulas que produzem a camada lipídica da lágrima.
“O tratamento não é definitivo, mas diminui muito a dependência dos colírios”, explica Dr. Vielmo. Em geral, são feitas três sessões, com intervalos de algumas semanas entre elas.
iLux
O iLux é um dispositivo portátil que aquece a pálpebra até cerca de 42°C, derretendo a secreção gordurosa acumulada nas glândulas. Após o aquecimento, o médico realiza uma compressão para esvaziar e limpar essas glândulas.
“Logo após a primeira aplicação já sente os efeitos, que vão melhorando nas semanas seguintes”, afirma o oftalmologista. A melhora costuma durar de seis meses a um ano.
Além do olho seco, o iLux também ajuda no tratamento de calázios (ou tersóis), justamente por ajudar a desobstruir as glândulas da pálpebra.
A cura
O olho seco deve ser encarado como uma condição crônica, como hipertensão ou diabetes, que exige acompanhamento e controle ao longo da vida, por isso, segundo Dr. Vinícius, “não seria uma cura, seriam tratamentos adjuvantes para melhorar os sintomas e diminuir a dependência dos colírios”.
Atitudes no dia a dia
Mudanças simples no cotidiano fazem grande diferença:
- Ambiente: evitar ar-condicionado diretamente nos olhos e manter o ar mais úmido;
- Postura e telas: manter o computador abaixo da linha dos olhos e fazer pausas a cada 30 a 40 minutos;
- Piscar conscientemente: durante o uso de telas, tendemos a piscar menos, o que agrava o problema;
- Hidratação e alimentação: ingerir de 2 a 3 litros de água por dia e manter uma dieta rica em vitamina A e ômega 3.