Mesmo com os avanços da medicina e tratamentos eficazes disponíveis, a asma segue sendo um dos maiores desafios respiratórios no Brasil. Estima-se que cerca de 20 milhões de brasileiros convivam com a doença, que está entre as três condições respiratórias mais atendidas pelo SUS. Entre dezembro de 2023 e abril de 2024, foram registradas quase 2 mil ocorrências de síndromes respiratórias graves associadas à asma. Nos últimos cinco anos, mais de 12 mil pessoas morreram em decorrência da condição.
Desinformação e diagnóstico tardio: principais barreiras no controle da asma
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores, com sintomas como tosse, falta de ar, chiado no peito e sensação de aperto torácico. A variação na intensidade e frequência desses sintomas torna o diagnóstico um verdadeiro desafio.
“O principal desafio ainda é o subdiagnóstico”, afirma o pneumologista Dr. Lucas De Brida Andrade, preceptor do internato em clínica médica na URI. “Muitas pessoas convivem com sintomas recorrentes, vão ao pronto-socorro várias vezes, mas só recebem o diagnóstico correto muito tempo depois”.
Essa demora, segundo o especialista, impede o início precoce do tratamento e contribui para o agravamento dos sintomas, internações e até mortes evitáveis.
Peak Flow: o “alarme respiratório” que pode salvar vidas
Uma das ferramentas que pode ajudar no controle da asma é o medidor de pico de fluxo expiratório (PFE), ou peak flow. Portátil e simples de usar, ele mede a força com que a pessoa consegue expelir o ar dos pulmões. A redução desse valor pode indicar o início de uma crise.
“Ele é especialmente útil para pacientes que têm dificuldade em perceber os sinais iniciais da crise. Funciona como uma espécie de alarme respiratório”, explica o pneumologista.
Apesar de ser uma ferramenta útil, o Dr. Lucas reforça que o principal é o paciente estar bem orientado sobre seus sintomas e saber como agir diante de uma exacerbação.
Mitos ainda atrapalham o tratamento
A desinformação sobre a asma ainda é comum e prejudica o tratamento. Um dos mitos mais perigosos, segundo o especialista, é o medo infundado das “bombinhas”.
“As medicações inalatórias não viciam. São fundamentais para manter a asma controlada ou durante as exacerbações”, destaca Dr. Lucas.
Outro mito recorrente é a ideia de que a asma seria contagiosa, o que não é verdade. A doença tem origem genética e ambiental, não sendo transmitida de pessoa para pessoa.
Vida ativa é possível com o tratamento adequado
Embora não tenha cura, a asma pode ser controlada de forma eficaz, permitindo que o paciente tenha uma vida ativa e sem limitações.
“Com o tratamento adequado, acompanhamento médico e controle dos gatilhos, é totalmente possível que a pessoa com asma tenha uma vida normal, incluindo a prática de exercícios físicos, trabalho e lazer”, afirma.
Além do uso correto das medicações, é fundamental evitar gatilhos como fumaça, poeira, mofo, mudanças bruscas de temperatura e pelos de animais, especialmente em pacientes alérgicos.
Frio e poluição agravam sintomas respiratórios
As estações mais frias do ano, como outono e inverno, costumam intensificar os sintomas da asma.
“É comum observarmos uma piora dos sintomas nessas épocas por conta do aumento das infecções respiratórias e do ar frio e seco, que irrita as vias aéreas”, explica o médico.
Ambientes fechados, onde há maior concentração de ácaros e mofo, também contribuem para o aumento das crises. Dr. Lucas cita ainda as queimadas e enchentes como fatores ambientais recentes que agravaram a condição de muitos pacientes.
Acompanhamento médico é essencial mesmo sem sintomas
Controlar a asma vai além de tratar crises. O acompanhamento médico contínuo é crucial para garantir que a doença esteja realmente sob controle.
“Estar sem sintomas não significa que a asma desapareceu. Ela pode permanecer silenciosa por um tempo e descompensar a qualquer momento”, alerta.
Durante as consultas, o médico avalia o uso correto das medicações, atualiza as vacinas e solicita exames como a espirometria, essencial para acompanhar a saúde dos pulmões.
Viver bem com asma é possível
O controle da asma exige informação, diagnóstico precoce, uso correto dos medicamentos e atenção aos fatores ambientais. Apesar dos desafios, com o manejo adequado e orientação médica contínua, os pacientes podem viver com qualidade, saúde e liberdade.