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Saúde

Junho Violeta alerta para o ceratocone e reforça importância do diagnóstico precoce

Campanha foca na prevenção da progressão da doença que afeta principalmente jovens

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“O ceratocone não tem cura definitiva, mas pode ser tratado com muito sucesso, especialmente quando
O uso do laser de femtosegundo, tem melhorado os resultados dos transplantes. As incisões são mais p
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Arquivo Pessoal/Instituto de Olhos Santa Luzia

Durante o Junho Violeta, mês dedicado à conscientização sobre o ceratocone, especialistas alertam para a importância da detecção precoce e do acompanhamento oftalmológico regular. A doença, caracterizada pela deformação progressiva da córnea, costuma surgir ainda na juventude e pode comprometer seriamente a visão se não for tratada a tempo.

“Nos últimos anos, tivemos avanços significativos no diagnóstico do ceratocone, especialmente no que diz respeito à detecção precoce, algo fundamental para evitar a progressão da doença e preservar a visão do paciente”, explica o oftalmologista Dr. Fábio Vaccaro, especialista em ceratocone e cirurgião do Instituto de Olhos Santa Luzia.

Avanços no diagnóstico: tecnologia a favor da visão

Um dos marcos mais relevantes na área é a tomografia de córnea de alta resolução, como a realizada por aparelhos como o Pentacam. Diferente da topografia convencional, que avalia apenas a superfície anterior da córnea, a nova tecnologia permite uma análise detalhada de toda a sua estrutura, incluindo espessura e curvatura em camadas mais profundas, identificando alterações ainda antes dos primeiros sintomas surgirem.

Outro avanço está na integração entre diferentes exames. “Hoje conseguimos cruzar informações do mapa corneano com dados biomecânicos, ou seja, com a resistência do tecido da córnea. Isso traz uma visão mais completa do olho do paciente e aumenta a precisão do diagnóstico”, complementa o médico.

Na prática clínica, isso significa detectar a doença ainda em sua fase inicial, muitas vezes em adolescentes com uma leve alteração no grau dos óculos. “E quanto mais cedo identificamos, mais opções temos para tratar e controlar o problema”, afirma.

Quando o transplante de córnea é inevitável?

Apesar dos avanços tecnológicos e terapêuticos, há casos em que o transplante de córnea ainda é necessário. Segundo o Dr. Fábio, a indicação ocorre quando o ceratocone atinge estágio avançado, com afinamento extremo e irregularidade severa da córnea, situações em que os óculos, lentes ou tratamentos como crosslinking ou implante de anel já não surtem efeito.

Além disso, o transplante pode ser indicado quando há perda da transparência corneana, como ocorre em casos de hidropsia ou infecções graves.

“Hoje, felizmente, conseguimos tratar e estabilizar muitos casos antes de chegar a esse ponto. Mas quando bem indicado, o transplante pode devolver qualidade visual e funcionalidade ao paciente, com bons resultados a longo prazo”, pontua o especialista.

Como a tecnologia melhora os resultados dos transplantes

A tecnologia também tem revolucionado os transplantes de córnea. O uso do laser de femtosegundo permite incisões precisas, melhor encaixe do enxerto e redução do astigmatismo pós-operatório. Isso se traduz em recuperação mais rápida e resultados visuais mais previsíveis.

“Para pacientes jovens, que geralmente têm uma vida ativa e exigências visuais maiores, esses avanços fazem toda a diferença. A combinação entre tecnologia cirúrgica, planejamento individualizado e um pós-operatório bem acompanhado tem proporcionado mais autonomia e qualidade de vida”, ressalta Dr. Fábio.

Prognóstico do transplante: jovens x adultos

O prognóstico do transplante pode variar conforme a faixa etária. Jovens tendem a ter um ceratocone mais agressivo, exigindo vigilância constante. No entanto, sua resposta biológica costuma ser melhor, com maior capacidade de cicatrização.

Já nos adultos, a doença tende a ser mais estável e o risco de rejeição, ligeiramente menor. Por outro lado, condições oculares associadas, mais comuns com o avanço da idade, podem influenciar nos resultados.

Desafios no pós-operatório

A recuperação após o transplante exige paciência e disciplina. A estabilização da visão pode levar meses e, em muitos casos, ainda é necessário o uso de óculos ou lentes.

“Outro ponto importante é o risco de rejeição do enxerto, mesmo anos após a cirurgia. Por isso, o acompanhamento oftalmológico regular é essencial”, destaca o médico. Além disso, o uso correto dos colírios e a adesão às orientações médicas são fundamentais para o sucesso do tratamento.

A importância do diagnóstico precoce

A falta de acesso ao diagnóstico precoce tem consequências significativas. “Sem o diagnóstico correto, o jovem pode passar anos trocando o grau dos óculos sem obter melhora visual real, o que atrasa o início do tratamento e aumenta o risco de progressão da doença”, alerta Dr. Fábio.

Esse atraso afeta não só a saúde ocular, mas também o desempenho escolar, autoestima e até escolhas profissionais dos jovens. Por isso, campanhas como o Junho Violeta são fundamentais para ampliar a informação e incentivar a prevenção.

Entrevista Complementar – Dr. Fábio Vaccaro

Quais são os principais sintomas do ceratocone?
Visão embaçada, distorcida, sensibilidade à luz, múltiplas imagens e aumento rápido do grau são sintomas comuns. Em casos avançados, óculos deixam de ser eficazes.

Quando costuma surgir a doença?
Entre os 10 e 25 anos, com progressão variável. Avaliações oftalmológicas regulares são essenciais nessa faixa etária.

Por que há tantos casos em Erechim e região?
“A alta prevalência pode estar ligada à predisposição genética, mas também à grande frequência de alergias oculares na região. O hábito de coçar os olhos é um fator de risco importante”, explica o especialista.

Ceratocone tem cura?
Não tem cura definitiva, mas há tratamentos eficazes: óculos, lentes, crosslinking, implante de anel e transplante, conforme o estágio da doença.

O que é o crosslinking?
É um procedimento que fortalece a córnea com luz ultravioleta e riboflavina. Quando realizado precocemente, pode estabilizar a doença com bons resultados.

Como prevenir a progressão?
Evitar coçar os olhos é fundamental. “Além disso, tratar alergias oculares e manter acompanhamento regular ajuda a preservar a saúde da córnea”, conclui o Dr. Fábio.

Junho Violeta é mais do que uma campanha: é um chamado à conscientização

O ceratocone, quando diagnosticado precocemente, pode ser tratado com eficácia. A informação ainda é o melhor remédio — e olhar com atenção para a saúde dos olhos pode fazer toda a diferença no futuro visual de milhares de jovens.

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