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Saúde

Erechim avança no debate sobre a cannabis medicinal

Planta para fins terapêuticos foi tema de audiência pública na noite de terça-feira (13). Iniciativa contou com a presença expressiva da comunidade

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Em Erechim, a cannabis medicinal foi tema de audiência pública, realizada na terça-feira (13)
Médica Pollyana Moreira, que há cinco anos atua acompanhando pessoas em tratamento com uso da cannab
“É muito importante que as universidades, a pesquisa, estejam ativas para que a gente consiga desenv
Por Marina Oliveira com supervisão de Alan Delfin Dias
Foto Marina Oliveira

O potencial da cannabis enquanto recurso para o tratamento de condições adversas à saúde não é novidade, receitas à base da planta para uso medicinal, na tradição oral, são anteriores a 2000 a.C. Hoje, mesmo com as barreiras impostas por conflitos de interesse e pelo preconceito, o conhecimento e a necessidade têm falado mais alto e, apoiando-se na ciência, a cannabis passa a ser uma alternativa à medicina moderna, pauta de saúde pública e uma potente possibilidade para a garantia da qualidade de vida de pacientes que buscam por tratamento.

Em Erechim, a cannabis medicinal foi tema de audiência pública, realizada na terça-feira (13), no plenário da Câmara Municipal de Vereadores. A proposta é de iniciativa dos vereadores Sandra Regina Picoli Ostrovski (PCdoB) e Clairton Isidoro Balen (PT), desenvolvida em parceria com o Fórum Regional de Promoção e Prevenção em Saúde, que acontece nesta quinta-feira (15) no município.

 

A favor do diálogo

Dando início ao debate, o vereador Balen agradeceu a presença expressiva da comunidade e destacou que, por se tratar de um assunto polêmico, garantir o conhecimento a respeito do tema é o que possibilitará mudanças na condução dessa questão no município. Em seguida, a vereadora Sandra Picoli fez um relato sobre a decisão de trazer o tema para discussão.

“Fui abordada por algumas pessoas, especificamente um pai, o qual a filha sofria crises convulsivas diárias, e que encontrou no Canabidiol um alívio para isso. Ela passou a ter uma vida praticamente normal, e eu guardei essa história. Surge então a possibilidade de trazer para a participação do Fórum, que acontece na quinta-feira na Universidade Federal, a doutora Pollyana Moreira, que está aqui, domina muito bem o assunto, veio lá de Goiás diretamente para Erechim, e vai trazer elementos para contribuir no debate”, contou Sandra.

 

O conhecimento salva

Com contribuições científicas e relatos práticos sobre o tema, a médica indigenista, generalista e fitoterapeuta, Pollyana Moreira, que há cinco anos atua acompanhando pessoas em tratamento com uso da cannabis, esclareceu termos técnicos envolvendo o uso terapêutico da planta, além de abordar as aplicações médicas das substâncias derivadas dessa espécie vegetal.

Ao apresentar alguns compostos da cannabis, que possui mais de 150 fitocanabinoides descritos até o momento, a médica destacou o que chama de “efeito comitiva”, alternativa que combina diferentes substâncias presentes na planta, como fitocanabinoides, terpenos e flavonoides, de acordo com o tratamento desejado, e que é capaz de diminuir possíveis efeitos colaterais causados pelo composto isolado.

Pollyana destacou o potencial medicinal dos fitoterápicos, sem excluir as restrições. “Quando falamos em educação e saúde, muitas vezes a gente ouve que ‘pode usar porque é plantinha’. Não é assim, a própria camomila tem efeitos colaterais, assim como a erva-mate. Tudo é dose terapêutica e isso é muito individualizado”, explicou.

Além disso, a médica detalhou o funcionamento do Sistema Endocanabinoide, responsável pela regulação de todo o corpo, e dos endocanabinoides, substâncias naturalmente produzidas por todos os vertebrados. Os receptores desse sistema também interagem com os fitocanabinoides, por isso a cannabis medicinal se aplica ao tratamento de diversas condições.

“É muito importante que as universidades, a pesquisa, estejam ativas para que a gente consiga desenvolver um cuidado mais adequado. Vejo que é muito importante também que a gente tenha uma formação dos profissionais da saúde, porque é por meio da informação, da ciência, que a gente consegue pontuar o risco, o benefício e ter uma autonomia também na decisão”, apontou.

 

“O melhor remédio”

Entre as aplicações clínicas da cannabis, a médica destacou o tratamento para dor crônica, dor neuropática, dor tensional, dor inflamatória, pós cirúrgico, enxaquecas, síndromes epiléticas, fibromialgia, doenças inflamatórias crônicas, doenças autoimunes (Lúpus, Crohn, retocolite ulcerativo, artrite reumatoide), doenças neurodegenerativas (Esclerose múltipla, Alzheimer, Parkinson, Huntington), transtornos psiquiátricos (ansiedade, pânico, depressão, TDAH, bipolar, esquizofrenia, TEPT), Transtorno do Espectro Autista, dependência química, insônia, HIV, câncer e cuidados paliativos.

 

Luta em comum

Ana Paula Benits, mãe atípica, servidora pública municipal e advogada; Micheli Basso, bióloga, pesquisadora e paciente de fibromialgia; e Anelise Mara Jung, professora, pedagoga, historiadora, mestra em educação e paciente de doença vascular na região pélvica, contaram, de forma breve, sobre as extensas batalhas que vêm travando em busca de qualidade de vida.

Atualmente, nenhum derivado de cannabis está disponível no Sistema Público de Saúde Municipal. Entre os principais obstáculos enfrentados por pacientes e familiares, o preconceito, a regulamentação e a democratização do acesso. As propostas de regulamentação dos medicamentos, debatidas na ocasião, serão encaminhadas às esferas relacionadas ao tema, a luta segue.

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